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domingo, 29 de março de 2015

Batalha espiritual: a comissão e o valente


Ninguém pode roubar os bens do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro não manietar o valente; e, então, roubará sua casa. (Mc 3.13)

A parábola do valente é um ensino poderoso para o cristão. Neste texto, Jesus usa figuras de linguagem. O valente corresponde o diabo. A casa corresponde o mundo ou o coração das pessoas que estão no mundo (Mt 12.43-45, 1 João 5:19). Os bens do valente correspondem a tudo aquilo que está sob domínio do inimigo, seja lugares, ou principalmente, pessoas. Antes de roubar esses bens do valente, ele precisar ser manietado (subjugado, dominado, amarrado). Para fazermos missões, evangelismos e prosseguir enquanto igreja que incomoda o inimigo, precisamos entender esse ensino.

Para entendermos a profundidade dessa parábola, precisamos voltar um pouco no capítulo 3 do Evangelho que escreveu Marcos. Reflita:


  • A comissão

Voltemos ao versículo 13 em diante. Jesus ora uma noite inteira num monte para a escolha dos doze (Lc 6.12-13). Escolhas requerem intensas orações. O Senhor Jesus chamou para si os que ele quis. Eles teriam uma missão. Seriam comissionados a desempenhar uma valiosa obra. O Senhor nomeou doze:

1- Para que estivessem com ele;
2- E os mandasse pregar;
3- E para que tivessem poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios.

Aqueles doze foram comissionados pelo Senhor Jesus para esta missão. Primeiro, eles deveriam estar com Jesus. Antes do segundo ou terceiro tópico, antes de mais nada, precisariam estar com o Senhor. Precisamos estar atentos a isso. Esta comissão é urgente nos dias de hoje. Homens e mulheres ainda continuam sendo comissionados. A igreja é comissionada. Mas antes, devemos estar com o Senhor Jesus. Mais perto. Mais junto. Mais santificados. Mais provados e quebrantados. Mais perto do Senhor.

E aí sim, estando perto dEle, pregaremos o Evangelho que tem poder para salvar (Rm 1.16). E teremos poder para curar enfermidades e expulsar demônios. 

  • As provações

Na sequência do texto, vemos que Jesus e seus doze foram para uma casa. E ali já iniciou as provações. Imagino a emoção daqueles doze quando o Senhor os chamou pelo nome. Alegria e honra deveriam estar no corações deles. Imagino até uma euforia por parte deles. Mas nos primeiros passos depois da nomeação, já vieram fortes provações. Aqui entendemos o porquê que antes de tudo, eles deveriam estar perto do Senhor Jesus. 

Uma multidão afluiu naquela casa de tal modo que não puderam comer o pão. Isso é significativo. Quem está na comissão de Jesus vai passar por isso. São dias em que provaremos a euforia e a prova. São dias em que sequer poderemos comer o pão. O pão simboliza força e provisão. São momentos em que os comissionados não terão força. São dias em que a provisão será cortada. Venceremos dias assim somente se estivermos perto dEle!

Como se não fosse pouco, os próprios parentes começaram a dizer certas coisas. Está fora de si, diziam. Comissionados escutam esse tipo de coisa de pessoas que menos se espera. E mais, os parentes falaram isso e ainda saíram para o prender. 

E para completar as provações, vieram os escribas. Tem Belzebu e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios, acusaram. Acusações falsas e blasfêmias... Junte isso com as falas dos parentes e a multidão que fez cessar o pão, e teremos um vislumbre do caminho apertado que percorre os que foram nomeados. Jesus sabia que seus escolhidos passariam por isso, e antes de tudo pediu para que estivessem com ele. 

  • O valente

Foi nesse contexto que o Senhor Jesus chamou seus escolhidos e ministrou esse poderoso ensino sobre o valente. Não se esqueça da sequência. Primeiro, Jesus nomeou e comissionou aqueles que ele quis. Depois disso, vieram as provações. A multidão levantada, o pão foi cortado cortado, os parentes falando, e os escribas acusando. É aí que Jesus libera uma forte explicação sobre esse combate espiritual que seus comissionados enfrentariam. Vejam:

Jesus explica que o reino das trevas não está dividido. Satanás não se levanta contra si mesmo. Ele tem uma casa. O mundo é sua casa. Essa casa tem bens. São vidas preciosas aos olhos do Pai. Precisamos saquear esses bens! Mas antes de tudo, precisamos manietar o valente.

Não podemos esquecer do segundo e terceiro tópico da comissão. Pregar, ter poder para curar enfermidades e expulsar demônios. Isso é explicado na parábola do valente:

1- O Senhor Jesus nos dá poder para entrar na casa do valente. 
2- O Senhor Jesus nos dá poder para manietar o valente.
3- O Senhor Jesus nos dá poder para saquear os bens do valente.

Estando perto do Senhor Jesus (e não podemos esquecer disso!), pregamos o Evangelho. Isso envolve uma verdadeira batalha espiritual. Uma pessoa liberta é um bem a menos na casa do valente. Pelo nome de Jesus manietamos o valente. Pregamos e combatemos o valente. Evangelizamos e entramos na casa do valente. Avançamos na comissão e saqueamos seus bens. No terceiro capítulo de Marcos, nosso Senhor Jesus comissionou doze discípulos. Hoje, ele chama você!




Que o Deus de paz esmague Satanás, bem debaixo de nossos pés (Rm 16.20)!
Bispo Erisvaldo Pinheiro
Comunidade Evangélica Arca da Aliança.
Palavra ministrada em 20 de Março de 2015.


Fontes de pesquisas:


  • Bíblia de Estudo Pentecostal - Editora CPAD 

domingo, 15 de março de 2015

Escola de Profetas: O Evangelho segundo Marcos (6ª aula)




Escola de Profetas: O Evangelho segundo Marcos       (6ª aula)

João Marcos residia em Jerusalém. Sua casa era lugar de oração, onde a igreja ali intercedeu fortemente em favor de Pedro (At 12.12). Fez parte da 1ª viagem missionária de Paulo , mas se “apartou deles” e voltou a Jerusalém (At 13.5,13). Na segunda viagem, Paulo preferiu não levá-lo e Marcos seguiu com Barnabé para Chipre (15.22). Mais tarde, volta a ser um dos cooperadores de Paulo (Cl 4.10, Fm 24). Segundo Papias (130 d.C.), após o martírio de Paulo, Marcos acabou sendo um cooperador de Pedro em Roma (1Pe 5.13). Por isso, escreveu seu Evangelho aos cristãos romanos, num período em que a igreja sofria intensa perseguição do Império Romano. Isso pode ser observado na mensagem central do livro, veja:

O Evangelho é nitidamente dividido em duas partes, o ministério na Galiléia, e região circunvizinha, e o ministério em Jerusalém:

  1. Na Galiléia acontece a primeira parte do Evangelho de Marcos: 

    O texto é descrito num ritmo rápido de acontecimentos miraculosos de cura e expulsão de demônios. Há um mistério em torno de quem é Jesus (1.27, 3.12, 4.41, 5.43, 6.2, 7.24, 7.36). Até que Jesus exorta severamente seus discípulos por não entenderem o que acontecia. Jesus, então, se declara aos seus, como um servo sofredor, bem como a morte que havia de padecer (8.29-31, 9.13,31, 10.33-34, 45). 
  • Comparando Mc 7.1-4 e Mt 7 vemos duas formas distintas em apresentar uma mesma situação. Lembrando que o público de Marcos, diferente de Mateus, não conhecia a fundo  a tradição dos judeus.
  • “Por amor de mim e do Evangelho” (8.35, 10.30) é usado com frequência no livro, um alento aos crentes perseguidos em Roma, onde o todo sofrimento era por amor de Cristo e do Evangelho.
  • Note a distância entre Jericó e Galiléia, e mesmo assim, o cego de Jericó clamou por ter  ouvido falar que era Jesus de Nazaré.   


  1. Em Jerusalém, o texto fica menos acelerado e mais detalhado:
  • A entrada triunfal pode ser melhor entendida lendo Sl 118.26,27. Uma grande multidão celebra Jesus na sua entrada em Jerusalém. Para surpresa (ou decepção) deles, Jesus apenas observa o templo (10.11).
  • No dia seguinte, Jesus volta a Jerusalém (sem multidão), vai ao templo e expulsa os comerciantes. Note que neste contexto está o episódio da figueira seca, a declaração da fé que remove montanhas e a trama sobre matar Jesus! (11.15).
  • No outro dia, Jesus torna a Jerusalém e anda pelo templo. Numa sequência de interrogatórios, Jesus é questionado por: Principais dos sacerdotes, escribas e anciãos(11.27); fariseus e herodianos (12.13); e pelos saduceus (12.18).
  • No seu julgamento, nosso Senhor Jesus falou apenas uma sentença forte diante do sumo-sacerdote EU SOU (14.62), culminando sua sentença à morte.  que mais tarde, não pôde vencê-lo.

Essa divisão no texto do Evangelho escrito por Marcos é bastante sugestiva. Os oito capítulos iniciais são recheados de sinais e prodígios. Ao mesmo tempo, há um mistério entorno da pessoa de Jesus. Mesmo com os milagres acontecendo, as pessoas, nem mesmo seus discípulos, não compreendiam o Senhor dos Milagres! São três anos narrados em apenas oito capítulos.

Os oito capítulos finais, por sua vez, correspondem apenas uma semana da jornada terrena de nosso Senhor Jesus! Neste trecho ocorre poucos sinais. Na segunda parte do Evangelho, Marcos destaca as proclamações que nosso Mestre fez basicamente em Jerusalém. Aqui não há mistério entorno de sua pessoa. Aqui ele, abertamente, já é intitulado como o Filho de Deus!

O público de Marcos era de cristãos romanos, repito. Uma comunidade que estava sofrendo severas perseguições dos implacáveis imperadores. Marcos escreve este Evangelho para preparar seu rebanho. "Por amor de mim e do Evangelho" escrito repetidas vezes, prepara o rebanho para sofrer qualquer tribulação imposta. "Por amor de mim e do Evangelho", direciona a comunidade a buscar a proclamação da Palavra liberada pelo Senhor Jesus, e não somente por seus sinais e prodígios. Dessa forma, o público desse forte Evangelho passa a ser nós, a igreja do século 21!



Fontes de pesquisas:

  • O Ministério da Palavra de Deus - Watchman Nee -  Editora Clássicos 
  • Bíblia de Estudo Pentecostal - Editora CPAD 
  • Novo Dicionário Bíblico- Jhon Davis - Ed Hagnos

Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Comunidade Evangélica Arca da Aliança
Ministrado em Outubro de 2014
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