quinta-feira, 23 de junho de 2022

Sim, eu amo a mensagem da cruz

 




Sim, eu amo a mensagem da cruz…

Cantamos tanto esse hino. Talvez um dos mais conhecidos da Harpa Cristã. Com muita emoção, prometemos que “até morrer, eu a vou proclamar”. Mas será que conhecemos mesmo a mensagem da cruz? Nossa vida diária reflete essa mensagem? Fato é, que se não conhecermos a mensagem completa da cruz, não teremos nada relevante para anunciarmos ao mundo.

Amamos o que conhecemos. O amor nos impulsiona ao processo de conhecer. Amar a mensagem da cruz implica conhecer, de fato, sua mensagem. Por isso, faço um convite, meu irmão, para que o Santo Espírito direcione nosso olhar em total atenção para contemplar a mensagem que emana do calvário.

Nosso Senhor sofreu terríveis aflições na cruz. Seu corpo, sua alma e também seu espírito foram castigados no calvário. Para entendermos isso, precisamos voltar ao Éden.

  • a criação do homem
E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. (Gênesis 2.7)
Primeiro, Deus criou o CORPO do homem utilizando o pó da terra. Em seguida, soprou seu ESPÍRITO e, então, o homem foi feito ALMA vivente. Em total harmonia entre seu corpo físico e sua alma interior, o espírito trazia equilíbrio ao homem.

CORPO - ESPÍRITO - ALMA

Sendo o corpo, a parte externa e física do nosso ser. A alma, nosso interior, com as nossas emoções, lembranças, memória, mente, inteligência. E o espírito, a parte mais íntima e nobre, pois é a comunicação com Deus, uma vez que dEle veio.

  • a queda do homem
E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. (Gênesis 3.6)
A tentação ocorreu do exterior para o interior do casal original. A mulher viu que o fruto da árvore era bom para se comer. Isso aponta para a necessidade do corpo. Em seguida, Eva desejou o entendimento que aquele fruto geraria nela. Isso aponta para a necessidade da alma. E, por fim, Adão a acompanha e também participa do pecado e ambos são expulsos do jardim. O espírito do homem não fica mais ligado ao Espírito de Deus.

Sem o espírito, tudo que resta no homem é sua carne. Sem o espírito, o homem perde seu equilíbrio e um vazio surge em seu interior. Sendo CORPO - ESPÍRITO - ALMA, o espírito dominava e trazia moderação no cuidado humano com seu corpo e sua alma. Com a morte do espírito, o homem ora cuida exageradamente de seu corpo, ora cuida de forma exacerbada de sua alma. Uns exibem seu corpo, e outros exibem sua mente. E, uma vez que há um vazio no interior, o homem procura desesperadamente preenchê-lo com elementos do corpo ou da alma. Nada, porém, pode ocupar o lugar da vida no espírito.

  • Substituição
Morte e pecado sempre estão associados (Rm 5.12). Para devolver a vida no espírito do homem, Deus proveu seu próprio Filho para ser nosso substituto. A consequência de morte ocasionada pelos nossos pecados são colocadas em seus ombros. O homem perfeito na cruz representa o homem caído no jardim. Esta é a primeira mensagem da cruz. Cristo morreu em nosso lugar. Foi o nosso substituto na condenação. Se por um homem, recebemos a herança do pecado e morte do espírito, também por um homem, recebemos a herança graciosa e vida no espírito.

Para ser nosso substituto, Cristo precisou sofrer a consequência de todos nossos pecados. Tantos os do corpo, como os da alma e, por último, no espírito.

Seu corpo foi moído e talvez seja a parte que mais lembramos. Sendo nosso substituto, seus pés precisaram ser transpassados, pois nossos pés são ligeiros para correr na direção do pecado. As mãos do nosso Senhor também foram transpassadas em consequência de todas as vezes que usamos nossas mãos para tocar o pecado. Em sua cabeça, diversos espinhos foram cravados pois nossa cabeça é facilmente povoada por assuntos e lembranças pecaminosas. Sua face foi esbofeteada apontando para todas as vezes que negamos a nossa outra face. Seu lado foi perfurado em memória de tudo que colocamos indevidamente ao nosso lado. Até mesmo a secura dentro da sua boca foi descrita (Sl 22.15-16), sofrimento necessário em consequência de todas as vezes que usamos nossa boca para proferir palavras carregadas de pecado.

Se o sofrimento do seu corpo foi intenso, o que ocorreu na alma foi ainda pior. A morte na cruz era a pior e mais vexatória das condenações. A cruz era destinada aos escravos condenados. Era símbolo de uma mensagem intimidatória aos outros escravos. Uma vez que éramos escravos do pecado, nosso Senhor se fez escravo e sofreu a pior das condenações em nosso lugar. Cristo crucificado também é símbolo de uma mensagem, porém, de libertação a todos os que são escravos do pecado.

Em Jo 19.23 vemos que os soldados tiram as roupas de Jesus. Nosso Cristo foi despido diante de todos ali. Seu corpo exposto era vergonha para sua alma. Seu corpo que sempre foi guardado da lascívia, agora estava nu perante os homens e mulheres presentes no Gólgota. Nosso pecado, que tantas vezes também tira nossas vestes santas, despiu nosso Senhor publicamente.

Sua tristeza é retratada no Getsêmani. Antevendo seu sofrimento, sua alma fica triste até a morte. Poucos dias antes, na morte de Lázaro, Cristo também sentiu uma tristeza profunda. Sua alma, de fato, sofreu todas as nossas dores internas.

Se o sofrimento na alma de Cristo foi intenso, o que ocorreu no seu espírito foi muito pior. Próximo à hora de sua morte ele exclama “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). É o momento do ápice de seu sofrimento. Nenhuma aflição poderia ser comparada com esta. Nenhuma reflexão nossa pode medir a dor desse momento. É quando o espírito de nosso Senhor perde a comunhão com o Pai. Pela primeira (e única) vez, Cristo sente o vazio no interior. Recitando o Salmo 22, ele exclama o desamparo do Pai. Em seu clamor, o usual termo Pai é trocado por Deus meu. A unicidade entre o Filho e o Pai é sempre bem descrita ao longo dos evangelhos. Eu e o Pai somos um (Jo 10.30). Mas neste momento, Cristo se sente só. A cena é descrita com riquezas de detalhes no já mencionado Salmo 22:

Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo.
Todos os que me veem zombam de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça, dizendo:
Confiou no Senhor , que o livre; livre-o, pois nele tem prazer.
Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude.
Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam.
Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge.
Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera e derreteu-se dentro de mim.
A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar; e me puseste no pó da morte.
Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou; traspassaram-me as mãos e os pés.
Poderia contar todos os meus ossos; eles veem e me contemplam.
Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica.
(Salmos 22.6-8; 11-18)

Morte e pecado estão associados (Rm 5.12). Cristo sofre a última instância de nossa condenação pelo pecado, que é a morte no espírito. Que o Santo Espírito sopre a vida de Cristo dentro do nosso espírito, para sempre lembrarmos e valorizarmos tamanho preço pago pelo nosso Senhor. Em sua morte, obtemos vida. A morte de seu espírito trouxe vida ao nosso espírito. A ligação entre Deus e homem, perdida no Éden, é finalmente restaurada a todos que nEle creem.

Nosso espírito ganha vida na morte substitutiva de Cristo. Assim, recuperamos a comunhão com o Pai. E toda condenação é removida. Que possamos, diante de tamanho e incalculável preço pago, andarmos segundo o espírito. Que o equilíbrio original recuperado no calvário seja mantido por nós.

Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. (Romanos 8.1)


Amém.


Erisvaldo Pinheiro Lima

Igreja Santuário do Altíssimo

Estudo ministrado em Junho de 2022 

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Esmola, oração e jejum (Mt 6)

 

Contraste entre os antigos padrões e os novos (Mt 6.1-18)

Contraste entre os antigos padrões e os novos (Mt 6.1-18)

  • Hipócritas

No sentido original, significa ator ou profano. O hipócrita é aquele religioso que encena uma vida piedosa, esperando o aplauso de uma plateia que o admira.

A aplicação rasa das escrituras, como os antigos o faziam no capítulo anterior, leva a uma prática religiosa carregada de hipocrisia.

Expressão enfática como o “Eu, porém”, do capítulo quinto, contrasta com os hipócritas. O “eu, porém”, do quinto capítulo salienta o verdadeiro mestre da lei e da religião, em contraste com os falsos mestres. E o “tu, porém”, do sexto capítulo, enfatiza os verdadeiros discípulos do reino, em contraste com os hipócritas, que jamais farão parte desse reino.

Os hipócritas dão esmola, oram e jejuam. Quando dão esmolas, o fazem para serem glorificados pelos homens. Quando oram, o fazem para serem vistos pelos homens. E quando jejuam, o fazem para que aos homens pareça que jejuam. O objetivo da prática religiosa do hipócrita é impressionar o homem.

Em verdade vos digo que já receberam seu galardão. Até ganham recompensas do homem, mas apenas do homem. O Pai, que vê o que está oculto, guarda suas recompensas para aqueles que praticam esses atos religiosos sem objetivo de aplausos ou de recompensas do homem. A prática religiosa tinha por objetivo impressionar os homens. E tinha êxito nisso. Ainda há público para exibições religiosas na igreja atual.

O discípulo de Cristo é ensinado a evitar a ostentação e a autoglorificação, para buscar intimidade de relacionamento com o Pai, para benefício do próximo.

  • Quando
Deres esmolas… orares… jejuardes. Não há uma ordenança que o discípulo pratique esses atos, mas há uma expectativa da parte do Senhor para que os seus o façam. São atos que se esperam de um discípulo. Algo que faz parte de suas condutas. Cristo está corrigindo o foco, e não invalidando a ação. Essas três atitudes ganham um novo padrão aqui. Devem ser praticadas, não para recompensa humana, em secreto e apontadas para Deus.

  • Pai

Em 18 versículos, Cristo menciona o Pai por 10 vezes. O Pai, que vê o que está oculto, ocorre por 4 vezes e que vê em secreto ocorre uma vez. Cristo nos ensina sobre Deus. É o Pai que nos chama para o secreto. Melhor que o aplauso dos homens, a recompensa de momentos a sós com o Pai é ensinada pelo Filho. Ele é o vosso Pai que está nos céus, é o vosso Pai que sabe o que é vos é necessário, é o Pai nosso, e é o Pai que nos perdoa, mediante o nosso perdão ao próximo, mas que não nos perdoa, quando não liberamos o perdão. A intenção do Filho é que os homens compartilhassem de sua preocupação pela consciência de um Deus Pai vivo que operava neles.

  • Esmolas
Na língua falada por Jesus, o termo pode ser traduzido por justiça. A igreja não pode perder o exercício externo de sua fé. A igreja recebe esse chamado de operar essa justiça divina na terra. Em Tg 1.27 se fala sobre a religião pura, que aponta para a necessidade do próximo.

  • Orações
Dificilmente iremos exagerar a importância da oração; e no entanto nos vemos tão preguiçosos em sua prática.


O Pai Nosso devido à sua franqueza, penetra na mente e é facilmente memorizada. É infantil em sua simplicidade; estadistas e homens de rua, filósofos e homens rústicos, bispos e os mais jovens obreiros se reúnem em volta dela

A oração demonstra grande reverência pelo nome de Deus. Jesus só se satisfazia quando o nome de Deus era santificado na conduta diária dos homens, e não por motivo de meras palavras e orações.

  • O Pai Nosso

Pai nosso que estás nos céus
Um Pai de todos. Um Pai que se sabe onde encontrá-lo.

7 petições:

Santificado seja o teu nome
Venha o teu reino
Faça-se a tua vontade
= assim na terra como no céu

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje
E perdoa-nos nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.
E não nos deixes cair em tentação
mas livra-nos do mal


Porque teu é o reino, e o poder e a glória para sempre
Tudo é do Pai


  • Jejuns


Na história dos judeus, nos dias de jejum (oficial, como o dia da expiação e outros, Lv 16.29), os atos de ungir-se e lavar-se eram proibidos, para que houvesse demonstração de tristeza pelo pecado. A unção e a lavagem eram símbolos de alegria (Ecl. 9:8). No oriente era costumeiro ungir a cabeça como preparação para alguma festa. Evidentemente isso era praticado diariamente pelos judeus, exceto em dias de jejum. O — verdadeiro discípulo— do reino do Messias pode jejuar, pode ter tristeza no coração por causa do pecado, pode jejuar até mais vezes que nos dias indicados, mas não deve ostentar o que faz com seus lamentos, exibindo o lado negativo da religião. Pelo contrário, deve dar a impressão que vai para uma festa, evitando assim o olhar aprovador de outros, os quais, de outra maneira, saberiam que está jejuando.

 

Amém.

Erisvaldo Pinheiro Lima

Estudo ministrado em Maio de 2022, na Igreja Santuário do Altíssimo

 

Fonte de pesquisa:
Champlin, Russell Norman, 1933 - O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo: Volume 1: Artigos introdutórios, Mateus, Marcos / Russell Norman Champlin. São Paulo: Hagnos, 2002.


quinta-feira, 5 de maio de 2022

A Nova Lei (Mt 5)

 



A Nova Lei (Mt 5)


Dois dias antes da ministração deste estudo, minha esposa sonhou rasgando uma página da Bíblia. A página era Mt 5. Sentimos que deveríamos ler os mandamentos contidos ali buscando quais que estávamos “rasgando”.

Duas expressões aparecem em cada mandamento. Vejamos:


  1. “Ouvistes”. Cristo fala a partir do que já foi falado. Moisés trouxe os seis mandamentos usados neste sermão. Cristo é o novo Moisés, o novo legislador, que vai guiar um povo para a verdadeira terra prometida.
  2. “Eu, porém, vos digo” expressa a autoridade do Senhor que foi testificada por aquele público ao final do sermão. Mais que isso, Cristo está ensinando seus discípulos que o que está escrito precisa ser dito pelo próprio Senhor. Dessa forma, seus humildes servos podem ter maior êxito no cumprimento do mandamento. Isso é impressionante. Temos a graciosa oportunidade de ouvir a palavra pelo próprio Verbo de Deus.

Oro, para que o Espírito de Cristo fale cada uma dessas sentenças em nosso coração, e que nos convença qual está sendo “rasgado” por nós mesmos:

  • Não matarás (1/6)

Sexto mandamento, Êx. 20:13. Há TRÊS classificações de pecados, cada qual com sua própria pena. A ira, o ódio, e o ódio extremo.

Assim Jesus ilustrou o sexto mandamento, mostrando que a intenção que provoca o ato físico é passível da mesma condenação que o próprio ato.

PORTANTO, os princípios a serem observados são; Reconciliação antes do sacrifício ou culto formal; misericórdia antes do rito; moralidade antes da religiosidade; afeição filial antes do dever; perdão pessoal antes do perdão divino; corretas relações humanas antes de corretas relações com Deus; honestidade e bondade para com os homens, antes do recebimento da bondade de Deus.

  • Não adulterarás (2/6)
O sétimo mandamento indica mais do que o ato manifesto; mostra a intenção do coração—se houver intenção de cometer adultério, é adultério.

Nos vss. 29 e 30 Jesus mostra que nos é vantajoso sacrificar algo, mesmo aquilo que tivermos de mais precioso (como o olho direito, ou a mão direita), para atingir o objetivo que é a obediência à vontade de Deus.

O olho é mencionado não apenas como algo precioso, mas também como agente potencial da tentação ao pecado. É com o olho que o homem começa a cometer adultério. Talvez seja mister perder uma coisa preciosa para ganhar outra mais preciosa, que é a aprovação e a bênção de Deus.

  • Divórcio (3/6)
Jesus levantava de novo o clamor de Ml. 2:16: «O Senhor Deus de Israel diz que odeia o repúdio...». Observa-se que Jesus não ordena nem encoraja o divórcio por qualquer razão: ele permite o divórcio por uma única razão.

  • Juramentos (4/6)
A multiplicação de juramentos criou um espírito superficial, inclinado à mentira. Foi principalmente isso que Jesus censurou. O homem honesto, aprovado por Deus e que vive no espírito da lei, jamais teria necessidade de jurar, bastando o simples sim ou não. O homem cônscio da presença de Deus e que sente responsabilidade para com Deus, não mente. Tal honestidade não requer a confirmação de qualquer juramento.

  • Vingança (5/6)
Baseado em Êx 21:24. O texto de Lev. 23:17-21 dá detalhes sobre a lei da vingança: quem matar, seja morto; quem matar um animal, substitua-o por outro; quem desfigurar o próximo, seja desfigurado. A tendência natural do homem, após sofrer o mal causado por outrem, é procurar tirar vingança imediata, se possível, infligindo um sofrimento ainda mais duro do que aquele sofrido. Os discípulos de Jesus, sujeitos ao reino de Deus, porém, devem ter outra atitude. Sofrendo um mal, ao invés de procurarem vingar-se, devem estar preparados para sofrer outro mal com paciência. Talvez essa atitude ilustre a bem-aventurança dos mansos (vs. 5). Tal atitude é o oposto do princípio que decreta “olho por olho, dente por dente”.

O credor podia tomar a túnica (roupa interior) do devedor como fiança. Mas se a roupa externa (a capa) lhe fosse tomada, teria de ser devolvida antes do pôr-do-sol, porque era natural que o devedor precisasse dela como proteção contra o frio da noite. Um Homem pobre talvez pudesse ter mais de uma túnica (roupa interior), mas provavelmente não poderia ter mais do que uma capa, que era a roupa exterior e usualmente de muito maior valor do que a outra. A capa era usada como cobertor, à noite. É melhor para o crente perder as coisas materiais do que sua boa consciência e integridade. Paulo deu o mesmo conselho: «O só existir entre vós demandas já é uma completa derrota para vós outros. Por que não sofreis antes a injustiça? por que não sofreis antes o dano?» (I Cor. 6:7).

  • O amor (6/6)
«Amarás o teu próximo», vem de Lev. 19:18, e, porque ali há alusão específica aos «filhos do teu povo» (Israel), as autoridades religiosas haviam acrescentado a outra metade: «Odiarás o teu inimigo». A lei, de modo geral, proibia aos judeus que se odiassem uns aos outros, sendo provável que o «inimigo» fosse sinônimo de gentio.

Amai os vossos inimigos*. Poderíamos compreender estas palavras se elas fossem «Não detestai os vossos inimigos»; mas a ideia de amarmos os nossos inimigos é por demais elevada. Jesus não permite o ódio em quem quer que seja. O ódio, em si, não é humano. Jesus mostra, neste passo, que—a lei do amor—é a lei mais importante (Luc. 10:27), e que o amor a Deus implica em amor aos homens. Nada há de mais elevado que o crente possa fazer, para imitar a Deus, do que amar aos seus inimigos.

É importante notar que o clímax da experiência humana, na imitação de Deus, é o amor. Jesus mesmo ensinou isso: «O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei» (João 15:12). Paulo expressa a ideia destes versículos da seguinte maneira: «O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor» (Rom. 13:10). O amor, portanto, é o caminho mais rápido para Deus.

Que nenhum destes menores mandamentos seja “rasgado”, pois um está relacionado ao outro. Que possamos cumprir cada um, e assim, ensiná-los. Há uma preciosa promessa para quem assim o faz, “será chamado grande no Reino dos céus” (Mt 5.19).

Que o Santo Espírito nos ajude. Amém.



Fonte de pesquisa:
Champlin, Russell Norman, 1933 - O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo: Volume 1: Artigos introdutórios, Mateus, Marcos / Russell Norman Champlin. São Paulo: Hagnos, 2002.

terça-feira, 3 de maio de 2022

A angústia e os esconderijos da caverna, espinhais, penhascos, fortificações e covas (1Sm 13.6)


Vendo, pois, os homens de Israel que estavam em angústia (porque o povo estava apertado), o povo se escondeu pelas cavernas, e pelos espinhais, e pelos penhascos, e pelas fortificações, e pelas covas (1Sm 13.6)


O primeiro rei de Israel é fruto da oração do povo de Deus. Um líder levantado em resposta aos pedidos dos israelitas por um rei. Um rei que reflete um povo e um povo que reflete seu rei. A ascensão e rápido declínio de Saul também ocorre com os hebreus. Um primeiro ano de ascensão e um segundo de decadência. Típica história de quem começa muito bem, mas não permanece tão bem assim. Que o Espírito fale conosco o quanto precisamos permanecer com uma história constante na presença de Deus.

Saul tem seu início nas escrituras numa busca pelos animais de sua família. Um jovem que realmente honra seu pai. Mostra-se também temente a Deus e ao profeta de sua época, não querendo se apresentar a Samuel de mãos vazias. Ouvindo a grande promessa do Senhor sobre sua vida, Saul responde com humildade e simplicidade. Após ungido, o Espírito de Deus se apodera dele e logo começa a profetizar e é transformado num outro homem. Recebe do profeta o selo de confiança divino “Deus é contigo”. Ao ouvir o desprezo dos filhos de Belial, se faz como surdo. Um início realmente promissor. Até que chegou o segundo ano de seu reinado.

No seu segundo ano de reino, Saul e Israel foram provados e amargamente reprovados. Ao se verem diante de milhares de soldados filisteus, Israel se esconde, enquanto que Saul se precipita e é reprovado diante do Senhor. Na primeira prova, a angústia e a ansiedade falaram mais alto, levando à ruína uma história tão promissora.

A angústia levou os israelitas a se esconderem em cavernas, espinhais, penhascos, fortificações e covas. Repare em cada um desses esconderijos e permita que o Senhor fale contigo:

  • Cavernas
Primeiro e mais frequente local de esconderijo. Angustiado, Elias também se escondeu numa caverna. A angústia não tratada é como um passaporte para que humildes servos do Senhor se escondam do resto do mundo numa caverna. Ali, o crente não consegue ver ninguém, fica isolado e distante de todos. Enquanto não volta pro começo, o crente não enxerga a luz e nem a saída. Na caverna do isolamento, a única saída é voltar ao início. Assim, como a voz do Senhor guiou Elias para fora da caverna, que o Espírito de Cristo guie seus humildes servos, que interromperam sua caminhada pela angústia, para a sua luz, um recomeço e um tempo novo.

  • Espinhais
O espinho tem seu início no juízo que Deus derramou sobre a terra em consequência à desobediência do homem. Foi uma maldição lançada em resposta ao pecado. Cristo, Senhor nosso, tem sua cabeça perfurada por uma coroa de espinhos na sua crucificação. Os espinhais foram colocados na cabeça do nosso mestre. Pensar nisso, é como se os espinhos da maldição permeiem a mente da pessoa quando vêm tempos de angústias. Em formas de pensamentos destrutivos, a angústia tenta minar as forças do servo do Senhor. É como se a mente estivesse sendo perfurada por dores de palavras negativas antigas.Há momentos assim, em que a mente fica tão bombardeada por opressões que a caminhada da fé sofre uma pausa. Que o Santo Espírito sopre um renovo em nossa mente, nos fazendo lembrar que o Nosso Cristo já levou esses espinhos sobre si para a cruz. Por Cristo, já estamos livres dos espinhais atormentadores de pensamentos.

  • Penhascos
A angústia pode levar alguns a chegarem bem perto do perigo. O penhasco é belo de ser visto, mas perigoso e propício para quedas. Momentos angustiosos tendem a direcionar a visão do crente para outras direções, aproximando seus pés (e olhar) para aquilo que enche os olhos, mas que fica a um passo do desastre. Que o Espírito revele a cada um o perigo dos penhascos da vida!

  • Fortificações
Local de esconderijo de corações angustiados. Por fora é uma fortaleza, enquanto que por dentro a angústia é quem dita as regras. São pessoas que acham que não vale a pena contar pra ninguém sobre suas angústias. Não confiam em mais ninguém, sendo melhor passar a impressão de força, mesmo tendo seu interior dilacerado. É certo que nem todos podem ouvir seus desabafos, mas certamente o Senhor, misericordioso que é, sempre levanta um bom samaritano para estender as mãos para ti.

  • Covas
Nesse último esconderijo, temos o pior local para o crente estar. É quando a angústia conduziu o crente à morte espiritual. Local em que a história parece que realmente chegou ao fim. É quando o inimigo coloca o ponto final numa grande e promissora história. Ainda bem que a Palavra menciona um certo domingo de páscoa, onde uma certa cova ficou vazia. A ressurreição de Jesus é a esperança para o ministério arruinado. Oro para que a vida de Jesus ressurreto levante os Lázaros escondidos em covas da angústia.

Enquanto que a angústia fez os israelitas se esconderem, a ansiedade fez Saul se comprometer diante de Samuel. A angústia do povo e a ansiedade de Saul interromperam a grande história do primeiro rei de Israel.

A ansiedade fez Saul:
  • Pensar que tinha perdido seu povo.
  • Acreditar que o socorro de Samuel não viria em tempo hábil.
  • Ver o inimigo mais perto do que realmente estava.
Em momentos em que a ansiedade bate à porta, como ocorreu em Saul, precisamos dar ouvidos ao Espírito que suavemente nos ensina que:
  • Antes do povo e de qualquer pessoa, não podemos perder a presença do Senhor. Como Moisés orou “Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui” (Êx 33.15), precisamos ter nossa dependência exclusivamente no socorro e agir do Senhor.
  • Por mais demorado que às vezes pareça, o socorro do Senhor nunca se atrasa. Precisamos aprender o mistério de Habacuque 3.17-18 “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.”
  • Em 1Pe 5.8, vemos que o inimigo está mesmo ao nosso derredor, rugindo e buscando a quem possa tragar. O rugido do leão marca seu território. Pelo rugido, o leão oponente reconhece a saúde e a força do dominante. Percebendo que é mais forte, o oponente então o desafia para tomar seu território. É preciso que o rugido do Leão da Tribo de Judá seja levantado em nosso coração. Isso é impeditivo para que o nosso oponente avance contra nós. Lembre-se que o inimigo está à distância do som do Leão da Tribo de Judá rugindo dentro de você.

Por fim, apresento seis conselhos para quem luta contra a angústia e ansiedade:
  1. Renove sua mente com versículos apropriados. Faça um pequeno estudo e memorize aqueles versículos que apontam para seu problema. Em momentos de prova, esses versículos serão levantados dentro de você pelo próprio Espírito, e sua mente será renovada. A Palavra ainda é viva e eficaz!
  2. Faça uma lista do que te deixa angustiado e/ou ansioso. Aquilo que você pode resolver, então resolva. Aquilo que você não pode resolver, coloque nas mãos do Senhor e confie!
  3. Quando o gatilho da angústia e/ou ansiedade disparar, tente métodos diferentes para se acalmar. Receba oração de alguém, saia e faça uma oração enquanto caminha, ouça e cante alto um louvor, escreva e descreva o que você sente… são alguns exemplos que você pode fazer para mudar o foco da sua mente.
  4. Escreva o que aconteceu antes de você ficar ansioso ou angustiado. Assim você poderá conhecer seus gatilhos e poderá evitá-los ou melhor aplicar sua lista de métodos para se acalmar.
  5. Aprende a confiar em Deus, passando tempo com Ele. Esse momento deve ser constante, prazeroso, renovador, intenso… invista parte de seu dia para estar a sós com Deus.
  6. Faça a obra do Senhor e isso ocupará sua mente. Não espere ser chamado, se ofereça e coloque seu chamado em movimento.


Que Deus te abençoe grandemente!


Pr Erisvaldo Pinheiro Lima
Ministrado em Maio de 2022
Igreja Santuário do Altíssimo

sexta-feira, 29 de abril de 2022

As bem-aventuranças (Mt 5)

 




Mateus 5: As bem-aventuranças


Do hebraico ashrê, que significa quão feliz ou uma felicidade visível.


Jesus inicia seu ensino pontuando sobre alegria. Um conceito novo de ser feliz. Os bem aventurados aqui são aqueles que são felizes sobre o ponto de vista de Deus. É uma felicidade aos olhos do Senhor.


  • Temos 9 bem-aventuranças, sendo:
7 características do bem aventurado:

  1. pobre/humilde de espírito
  2. choram
  3. mansos
  4. sede de justiça
  5. misericordiosos
  6. limpos de coração
  7. pacificadores

b) 2 consequências de ser bem-aventurado:


  1. perseguição
  2. injuriarem


Todas as 7 características do bem aventurado apontam para o próprio Cristo, repare:


As características de humilde no espírito, manso e limpos de coração, vemos em Mt 11.29, quando o nosso Senhor se descreve como “sou manso e humilde de coração”.


Choram - Cristo não era do tipo durão e sério. Pelo contrário, o vemos em momentos de choro com frequência nos Evangelhos. Ao ver o choro das irmãs de Lázaro (Jo 11), ao liberar a palavra profética da destruição de Jerusalém (Lc 19) e, com muita intensidade, no Getsêmani (Mt 26).


Sede de Justiça e misericordiosos - vemos em Salmos 85.10, um encontro (beijo) entre a misericórdia e a verdade, a justiça e a paz. A dureza e a leveza divina juntas. Encontro esse, que ocorreu no calvário, na pessoa de Jesus Cristo!


E por último, os pacificadores. Em Isaías 9.6, nosso Senhor é nomeado Príncipe da Paz. Ele é o principal pacificador. Por isso ele disse “deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou” (Jo 14.27), ou seja, ele nos deixa sua paz e também nos dá sua paz. Sua paz está em nós, pois ele a deixou conosco. Mas há momentos em que nossa humanidade grita alto e parece que não a temos, então, bondosamente o Senhor nos socorre, dando sua paz.


Vamos às promessas. São nove promessas valiosas. A oitava, porém, é a mesma da primeira, e a última é um resumo de todas. Ficamos com 7 características do bem aventurado, acompanhadas de 7 grandes promessas, que também apontam para Cristo:



  1. deles é o Reino
  2. consolados
  3. herdarão a terra
  4. fartos (de justiça)
  5. alcançarão misericórdia
  6. verão a Deus
  7. chamados filhos de Deus
  1. deles é o Reino (Igual à primeira promessa)
  2. grande galardão no céu (Resumo de todas as promessas)


Todas as promessas se cumprem em Cristo. No seu primeiro discurso, Ele anuncia seu reino (Mt 4.17).
Nas instruções do Cenáculo, Ele promete o “outro consolador” (Jo 14.16). A palavra grega aqui é parakletos, que também aparece sendo atribuída ao próprio Jesus em 1Jo 2.1.
Toda a terra é do Senhor por herança, pois Ele disse que “é-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28.18).
Nosso Senhor é farto em justiça, pois a Palavra declara que “julga e peleja com justiça” (Ap 19.11).
Alcançou a máxima misericórdia do Pai, quando “Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo nome” (Fp 2.8).
Não apenas viu a Deus, mas também ressuscitou e se assentou à direita de Deus Pai (Ef 1.20-23).
Em seu batismo, Jesus foi chamado pelo Pai de “meu filho amado” (Lc 3.22).



Todas as promessas são de Cristo, que graciosamente ora ao Pai pedindo que “onde eu estiver, também eles estejam comigo” (Jo 17.24). Nosso bem-aventurado Senhor recebe todas as promessas do Pai, e faz questão que seus discípulos estejam com Ele “para que vejam a minha glória que me deste”.


Aquele que anda com Cristo é, de fato, um bem-aventurado. Bem-aventurados os que vivem com Jesus Cristo, o nosso Senhor das bem-aventuranças.





Erisvaldo Pinheiro Lima

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Progredir cada vez mais

 




(Em oração, leia 1Ts 4.1-12)


Paulo já havia elogiado a igreja dos tessalonicenses (1.7). A fé e dedicação deles eram dignas de serem qualificadas como exemplo para toda a região da Ásia. O apóstolo ainda pretendia vê-los, mas vinha enfrentando forças adversárias que o impedia de ir até lá (2.18).


Agora, nesse trecho da carta, Paulo vai tratar de três pontos que ainda precisavam ser melhorados em Tessalônica. Por mais exemplar que fosse, aqueles irmãos tinham áreas que precisavam ser tratadas. O reconhecimento e o tratamento dos pontos negativos são importantíssimos na caminhada com Cristo. Aqui isso é descrito como CONTINUEIS A PROGREDIR CADA VEZ MAIS. 


Precisamos reconhecer nossos pontos fortes, desenvolvê-los para o pleno serviço a Cristo. Ao mesmo tempo, é necessário uma constante análise interior, com a ajuda do Espírito, para descobrirmos aqueles pontos negativos que precisam ser minimizados. Otimizar nossas potencialidades e minimizar nossas fraquezas.


Esse mergulho interior é interessante e necessário para o amadurecimento.


Paulo faz em 1Ts 4 o que todo pai ou pastor deve fazer. Valorizar os acertos, sem fechar os olhos para as falhas. Melhorando os acertos e trabalhando as falhas temos então o que o apóstolo chamou de PROGREDIR CADA VEZ MAIS.


Já vi cristãos usarem o temperamento ou sua naturalidade como desculpas para camuflarem erros constantes. 


E mesmo falando em temperamentos, podemos aplicar esse princípio paulino de PROGREDIR CADA VEZ MAIS, veja:


A psicóloga Lizandra Arita explica sobre os 4 temperamentos:


  • Sanguínos. 

São pessoas comunicativas e que possuem bom humor. 

Pontos fortes: Simpatia e facilidade de fazer novas amizades.

Pontos negativos: São impulsivos. Falta de atenção. Exageradas.

  • Fleumáticos.

São pessoas pacíficas, “fáceis de lidar”. Gostam da rotina e do silêncio.

Pontos fortes: Equilibradas e confiáveis.

Pontos negativos: Lentidão, indecisão, resistência a mudanças.

  • Coléricos

São pessoas explosivas, ambiciosas e dominadoras. São muito confiantes e não se abatem facilmente.

Pontos fortes: Determinação, liderança, praticidade.

Pontos negativos: egocentrismo, intolerância, impaciência.

  • Melancólicos

Pessoas sensíveis. Que não expõem seus sentimentos. Detalhistas, fiéis e desconfiados.

Pontos fortes: lealdade, dedicação e sensibilidade.

Pontos fracos: egoísmo, pessimismo, inflexibilidade.


O grande escritor de Inteligência Emocional, Daniel Goleman, explica que, embora existam pontos que determinam o temperamento, muitos circuitos cerebrais da mente humana são maleáveis e podem ser modificados.


Então, temperamento não é destino, não é desculpa. 


Escorar na bengala da falsa desculpa de que “pau que nasce torto até suas cinzas são tortas” é a mesma coisa que desqualificar o poder de mudança que o Santo Espírito é capaz de produzir. 


Paulo era um judeu zeloso e perseguidor de cristãos e se tornou um cristão zeloso e perseguido pelos judeus. 

Pedro era impulsivo e falastrão e se tornou um líder e autêntico pescador de almas.

João era ambicioso e vingativo e se tornou atencioso e gentil.


A santificação ocorre quando há aperfeiçoamento, progresso interior, melhoria interna. Santificação é quando cooperamos com o trabalho do Espírito dentro de nós que nos leva a PROGREDIR CADA VEZ MAIS.


Visando a santificação, Paulo destaca três áreas que precisam de melhoria nos irmãos tessalonicenses. Questões de imoralidade, de caridade fraternal e de trabalho. Vamos meditar em cada uma delas, mas antes, vamos falar mais um pouco mais sobre santificação.


  • Santificação


Nossa fé precisa ser prática, de forma que aquilo que professamos seja visível em nossas atitudes e reações. Principalmente nessa segunda, pois ocorre de forma inesperada. 


Atitudes falam de como nos comportamos nas ocasiões normais do dia-a-dia.

Reações, de como nos comportamos quando ocorrem ocasiões inesperadas, quando coisas saem do controle.


Não apenas andar no caminho, mas precisamos aprimorar o andar no caminho. Se bem que, duvido eu, que quem não se aprimore esteja de fato no caminho. Jesus disse: eu sou o caminho a verdade e a vida. Vejo uma sequência nessa declaração. O andar no caminho nos leva ao encontro com certas verdades que nos confrontam e nos transformam e esse processo nos leva à vida de Cristo.


Falar de santificação é falar de valores em que o humilde servo do Senhor deve corresponder à vontade de Deus e não do próprio “eu”. Hoje eu comecei o dia orando assim: “ Senhor, te amo tanto que eu queria muito acertar mais para ti e errar menos contra ti, muito obrigado pela sua preciosa graça”.


Santificação vem do grego “agiasmos” e significa consagração e separação. 


Santificação então é estar consagrado com O Sagrado. Envolve tempo, contemplação, dedicação, meditação, oração, adoração, introspecção. 


Santificação é a separação da pessoa para Deus e para o serviço a Deus. Veja o que diz esses versículos:


Sabei, pois, que o Senhor separou para si aquele que é piedoso; o Senhor ouvirá quando eu clamar a ele (Salmos 4:3)


Portanto, "saiam do meio deles e separem-se", diz o Senhor. "Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei" (2 Coríntios 6:17)


No primeiro verso, é o Senhor que separa a pessoa. No segundo, é a pessoa que atende à ordem do Senhor e se separa de certos meios. Santificação então ocorre quando Deus age e encontra correspondência no interior do homem.


Para avançarmos no Reino de Deus precisamos nos separarmos de várias coisas. Não apenas do pecado, embora isso seja primordial. Mas também de outras coisas menores. Eu tive que diminuir muito meu tempo de entretenimento pessoal para melhor me dedicar ao secreto com o Senhor. Não pense que isso seja um fardo que pese. Pelo contrário, o próprio Deus imputa alguns sonhos dentro de nós. E a renúncia com a busca no secreto  nos dá a sensação de que estamos na direção da realização desses sonhos. E isso é muito prazeroso. 


Verdade é que, sem santidade, ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). Mas faz-se necessário esclarecer que, aqui nesse mundo, não haverá uma santificação plena, pois “se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.” (1 João 1:8)  


Vamos, então, aos três pontos que Paulo exortou os irmãos tessalonicenses para santificação:


  • Sobre questões de imoralidade


A exortação é que “abstenhais da prostituição”. 


A palavra prostituição aqui significa qualquer ato de imoralidade sexual. 


Abstenhais vem do grego “apecho” e significa “distanciar-se de” e “manter-se afastado”. 


Isso nos ensina que, em se tratando de questões que envolvem imoralidade sexual, devemos nos distanciar das circunstâncias que são gatilhos e, ainda, nos manter distantes e afastados. Ou seja, se chegarmos perto, caímos.


A cultura da região dos tessalonicenses no primeiro século envolvia muito dessas questões de imoralidade. Eram tidas como questões inevitáveis e naturais. Eram tidas como hábitos normais. Em Corinto, por exemplo, que não estava distante dali, havia pelo menos 1000 sacerdotisas sexuais que serviam no templo pagão. Os lucros dessa prática de culto eram usados para manutenção do próprio templo e dos sacerdotes. 


A pregação de Paulo aponta para um ideal cristão de valores e princípios. Esses princípios são inalteráveis. Mudamos formas de abordagem, não o conteúdo. Construímos novos andares, mas o fundamento é o mesmo dos apóstolos, conforme Efésios 2.20 que diz “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular desse alicerce”.


Nesse ideal cristão, afirmamos e reiteramos que devemos nos abster da fornicação e do adultério. Fornicação é o sexo antes do casamento e adultério é o sexo fora do casamento. Minha oração é que os solteiros digam “eu vou esperar em Deus” e que os casados digam “eu vou honrar aquele que Deus me deu”.


O ideal cristão defende a monogamia, conforme 1 Tm 3.12 que diz “os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas”.


As religiões pagãs do tempo dos tessalonicenses, como os devotos de Afrodite, não apenas permitiam, mas também incentivavam a imoralidade sexual.


Por isso, Paulo teve que abordar esse assunto quando escreveu aos irmãos tessalonicenses, coríntios e romanos. 


Fato é que o casamento é uma bênção que nos foi dado como um presente do próprio Deus. Verdade é que o sexo é a saúde do matrimônio, por isso, não pode ser manchado pelo pecado.


Ou dominamos nossos impulsos ou somos dominados por eles.


Vale lembrar que quem não controla seus instintos carnais não herdarão o reino dos céus, pois 1 Co 6.9-10 diz “não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?

Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.”


No texto de 1 Ts 4, o termo vaso significa esposa. Assim, o casamento é o grande escape para se abster das questões de imoralidade. Tão logo o texto nos instrui a se abster da prostituição, nos leva à orientação de que devemos saber possuir nossa esposa. Sendo necessário vê-la como vaso em santificação e honra. 


E assim, temos o equilíbrio. Possuir nos remete ao instinto do homem. A palavra do Senhor orienta a direcionar toda essa energia masculina para a esposa. Ao mesmo tempo em que a esposa deve ser honrada como um vaso santo. Eis uma grande chave para o homem e para a mulher, tendo o casamento como uma verdadeira ferramenta de santificação.


Quando o texto diz “que cada um de vós saiba possuir seu vaso”, o verbo saber indica algo que é aprendido, ensinado. Precisamos aprender a honrar cada vez mais nosso casamento. E podemos aprender isso na própria palavra do Senhor e também com algumas ferramentas, como o curso Casados Para Sempre, que iniciaremos daqui algumas semanas. 


Quero, ainda, destacar o que diz o fim do versículo cinco, que diz que os gentios não conhecem a Deus. Esses de quem o apóstolo fala, viviam na prática da imoralidade porque não conheciam a Deus. Ao passo que conheceram a Deus, espera-se mudança nessa área. Conhecer a Deus implica abandono à imoralidade e não retorno a tais práticas. Parece que alguns tessalonicenses ainda estavam ainda presos a essas questões.


O versículo seis ainda está dentro desse assunto. Oprimir e enganar um irmão nesse assunto, é tornar o Senhor como vingador destas coisas. 


Verdade é que se estamos andando com Deus, não podemos olhar no retrovisor do nosso passado pecaminoso. É o Senhor, nosso condutor. Devemos descansar nele e… curtir a viagem. Somente descansando no nosso gracioso Senhor é que poderemos PROGREDIR CADA VEZ MAIS.



  • Sobre questões com o próximo


Na centralidade dos três pontos abordados por Paulo está o amor ao próximo. Amando verdadeiramente nosso próximo estaremos isentos de cair nas questões de imoralidade e também estaremos instruídos sobre questões do trabalho.


No versículo nove, Paulo diz que sobre a caridade fraternal, o próprio Deus é quem nos instrui. Estar cheio do Espírito, implica necessariamente ser cheio de amor ao próximo. Deus nos ensina porque não é algo tão simples na prática. Não é algo que se aprende de berço. 


Amar o próximo é uma parte fundamental na santificação. A palavra aqui volta a nos exorta a PROGREDIR CADA VEZ MAIS. 


Estar mais com Deus e ser nutrido com seu amor. Sentir seu afeto preenchendo todo o nosso ser ao ponto de fluir para as pessoas. 


Deus nos prova para que esse fluir de fato ocorra. 


Quero compartilhar uma experiência. Na oração de quinta-feira, eu orava para que o Santo Espírito nos desse estratégias e ferramentas para servirmos nossa comunidade local. E no meio da oração sua doce voz começou a fluir dentro de mim, dizendo que já temos essas estratégias e ferramentas. 


O projeto Esperança, que oferece aulas de futebol para crianças carentes, é uma estratégia. 

O projeto do Ballet, que oferece aulas de ballet para crianças carentes, é uma estratégia. 

As pessoas envolvidas na realização desses projetos são as ferramentas que Deus já nos deu para servir nossa comunidade local. 



  • Questões sobre o trabalho


Parece que em Tessalônica havia um grupo de pessoas que não eram dadas ao trabalho. Viviam ociosas e espalhando qualquer notícias nas praças. 

O versículo onze aponta para um único grupo de pessoas. Eram pessoas que viviam de doações da igreja. Usavam a volta de Cristo como desculpa para não trabalhar. 


Parece, num primeiro momento, ser um assunto não tão importante. Porém, vemos na 2º carta que o problema não foi resolvido (2 Ts 3.6-15). 


Na segunda carta, com mais severidade, Paulo os chama de “desordenados”. Que não eram para os irmãos os terem por inimigos, mas também não eram mais para estar perto deles. Que seriam cortados da lista de doações. A regra dita é que quem não quisesse trabalhar, também não deveria comer.


Vejo um pai corrigindo um filho nesses dois trechos!


Sobre uma vida ociosa, assim escreveu Benjamin Franklin, o pai fundador da nação americana, que era servo do Senhor: “a preguiça anda tão devagar que a pobreza não demora a alcançar o preguiçoso”.


Sobre o trabalho, a palavra nos diz que devemos trabalhar como que ao Senhor (Cl 3.23)


A exortação central é que devemos progredir cada vez mais. 


E por falar nisso, em que você pode progredir cada vez mais no seu trabalho?

   


Erisvaldo Pinheiro Lima
Ministrado em setembro de 2021
Igreja Santuário do Altíssimo

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Batalha espiritual: o plano do adversário e a volta por cima dos filhos de Deus

 



Temos um adversário atuando contra nós. Até que se tornem reais, nossos sonhos e projetos passam por uma batalha contra forças adversárias. Parece que, à medida que avançamos no serviço do Senhor, enfrentamos embates e intensas adversidades. Por isso, pretendemos meditar em alguns textos bíblicos que muito nos explicam sobre a atuação dessas forças que se opõem contra nós. 


Na última parte da mensagem, queremos ainda mostrar um exemplo claro de como esse embate espiritual ocorreu nos dias da Rainha Ester, comparando com os nossos dias.


1 Tessalonicenses 2.18 “Pelo que bem quisemos , uma e outra vez, ir ter convosco, pelo menos eu, Paulo, mas Satanás no-lo impediu.”


Vemos claramente neste texto o quanto satanás pode impedir planos dos humildes servos do Senhor. Pelo menos duas vezes, Paulo e sua comitiva tentaram ir até os irmãos tessalonicenses, porém, foram impedidos. Se o nosso adversário impediu alguns planos de Paulo, não devemos pensar que estaremos isentos de situações semelhantes.


Neste texto, a ação impeditiva condiz exatamente com a definição de seu significado. Satanás significa “adversário”. Paulo e sua comitiva tiveram algum obstáculo que foi promovido pelo adversário. Planos em favor da igreja são alvos do adversário. 


Analisando os nomes usados no lugar de satanás, percebemos algumas de suas estratégias. Veja:


  • Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês (Tiago 4:7)

O termo diabo significa acusador ou caluniador. Aqui, a palavra nos adverte a resistir as acusações e calúnias promovidas pelo diabo, e somente assim, ele fugirá da nossa presença. Lembrando que essa resistência só é possível quando nossa vontade for submetida à vontade do Senhor.


A seguir, outro nome que, inclusive, foi usado na blasfêmia contra nosso Senhor:


  • Mas quando os fariseus ouviram isso, disseram: "É somente por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa demônios". 

Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: "Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. Se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, então, subsistirá seu reino? 

E se eu expulso demônios por Belzebu, por quem os expulsam os filhos de vocês? Por isso, eles mesmos serão juízes sobre vocês. 

Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus. 

"Ou como alguém pode entrar na casa do homem forte e levar dali seus bens, sem antes amarrá-lo? Só então poderá roubar a casa dele. (Mateus 12:24-29)

Aqui vemos que nosso adversário é o príncipe dos demônios. Ele exerce liderança sobre os anjos caídos. Possui um principado. É chefe de um vasto grupo.


Alguns comentaristas bíblicos nos ensinam que o termo Belzebu é uma forma abreviada de Baal-Zebube, e significa senhor das moscas. Vejamos sua equivalência em (2 Reis 1:16)


  • E disse-lhe: Assim diz o Senhor: Por que enviaste mensageiros a consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Porventura é porque não há Deus em Israel, para consultar a sua palavra? Portanto desta cama, a que subiste, não descerás, mas certamente morrerás.


Se assim for, então se entende que uma “consulta espiritual” feita a qualquer forma de divindade que não seja o Deus de Israel é vista como algo que atraia moscas. Algo nojento mesmo. O Deus de Israel dispõe de sua palavra para consulta. Não podemos colocar substitutos de consultas espirituais que não seja a palavra do Senhor. Temos a palavra, e isso basta!


O primeiro nome:


  • Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! (Isaías 14:12)

Seu nome inicial significa estrela do dia, filho da manhã. Isso fala do domínio que ele exerce nesse mundo, através de intermediários.


  • E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas. (Apocalipse 12:3)

Seu nome aqui nos mostra sua malignidade, intenção de destruição e capacidade de envenenar. 


  • E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. (Apocalipse 12:9)

Os termos que definem nosso adversário são listados aqui. A antiga serpente nos lembra aquela que estava presente no Éden, que enganou Eva e continua enganando todo mundo. 


Em todas essas referências, percebemos que se trata de um ser real, vivo e atuante no mundo e no percurso da história. Não é apenas um símbolo do mal. Trata-se do próprio mal, em pessoa. 


  • Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.

Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.

Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.

Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. (Ezequiel 28:12-15)


Possuía uma alta posição. Foi criado perfeito em beleza. Essa perfeição refletia em seus caminhos. Era um querubim ungido e andava no meio das brasas vivas do altar do Senhor. Sons de flautas e de tambores foram criados para ele. Até que em seu interior foi encontrado iniquidade.


Inflado de orgulho, teceu um plano audacioso de se exaltar acima do próprio Deus: 


Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!

E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.

Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. (Isaías 14:12-14)


Aprendemos, então, que os anjos possuíam o poder de decisão (o livre arbítrio). De modo que nenhum era forçado a servir a Deus. Movidos por amor e pela razão, possuíam a livre escolha de servir ao Senhor.


O plano do nosso adversário era a derrubada de Deus. Foi a primeira revolta da história do universo. Ele usurpou a posição do Senhor.


No texto de Ap 12.4, vemos que ⅓ dos anjos seguiram sua influência e se submeteram ao seu plano. Seus argumentos parecem ser altamente convincentes. É provável que tenha dito que o reino de Deus não seria tão bom e justo. É provável que teria argumentado que ninguém poderia escolher livremente a Deus. O cenário celeste de Jó mostra isso. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face. Essa é sua tese. Quem serve a Deus o serve por interesse. Parece que o seu plano tem se estendido sobre a terra, fazendo o primeiro casal a também se rebelar contra Deus. Olhando para a história bíblica, vemos que esse plano ainda está em ação. Embora o livro de Apocalipse seja claro em declarar a derrota do mal, parece que o adversário segue seu plano acreditando ser possível destronar Deus e usurpar sua posição.


Na mitologia grega, Zeus (o deus dos deuses) usou um raio para aplacar a rebelião que teria acontecido nos céus contra ele. Nosso Deus não agiu assim. Embora sendo infinito em poder, não usa de seu poderio para aplacar a rebelião de Lúcifer.


Podemos perguntar o porquê disso. Por que Deus não esmagou Lúcifer ainda no céu, ainda no início de sua revolta, ao invés de jogá-lo na terra?


A criação do homem pode ser uma resposta para isso. A história humana é uma resposta divina para mostrar o fracasso do plano do diabo. Preciso enfatizar isso. Mesmo sofrendo pressões do adversário, há seres criados que escolhem obedecer a Deus. Precisamos entender que estamos no centro do plano de Deus arquitetado contra a tese do diabo. É sim possível que pessoas escolham a Deus de forma voluntária, sem interesse, apenas movidos por amor e razão. Você é a prova disso! Amém! 


Essa nova classe de seres, o homem, é a obra prima de Deus. 


A rebelião do mal provocou reações nos céus e estendeu a maldade na terra. Deus não promoveu a dor, a fome, a morte sobre a terra. Tudo isso são consequências da própria maldade que se iniciou com Lúcifer e continua em pessoas que são enganadas por ele.


Estamos diretamente no palco dessa cena épica. A história humana é o enredo escrito por Deus que narra a salvação através de seu Filho. Essa grande história, a maior de todas já contadas, mostra que o Filho de Deus age de forma completamente oposta às ações do usurpador Lúcifer. Veja:


  • Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,

Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;

E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.

Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;

Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,

E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. (Filipenses 2:6-11)


Após a rebelião do adversário, Deus criou uma nova ordem de seres, destinados a serem filhos de Deus, mesmo tendo nascido do pecado da rebelião. Seres transformados à imagem de Deus, qualificação nunca dada aos anjos. 


A sábia, profunda e inexplicável resposta divina é que esses novos seres foram criados um pouco menor que os anjos (Sl 8.5), mas o destino deles é se tornar mais exaltados que os anjos: 


  • Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;

E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder,

Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus,

Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;

E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja,

Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos. (Efésios 1:18-23)



A obra de obediência que Cristo ofereceu no Calvário limitou o poder do adversário. A cédula que ele tinha em mãos para nos acusar foi cravada na cruz. O adversário foi exposto publicamente e Cristo triunfou sobre ele (Colossenses 2.14-15)


Porém, vemos em Ap 12.10 que ele ainda tem acesso às regiões celestiais, sendo acusador de nossos irmãos. Sua atuação, baseada sempre na mentira e maldade, continua apontando contra a vida daqueles que escolhem Cristo.


Em João 8.44 temos o versículo que mais detalha a natureza da pessoa do adversário da igreja. Vejamos o texto e cinco desses detalhes:


Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. (João 8:44)


  1. O diabo é uma pessoa real, e não um mero símbolo do mal.

  2. Ele promoveu a queda dos anjos e do homem também.

  3. O poder de decisão dado por Deus foi o que tornou possível a entrada da maldade na história.

  4. Ele continua com seu plano de ação sobre os homens. Tornou-se capaz de destruir vidas, famílias e ministérios. Jesus Cristo é, porém, especialista em salvar vidas, famílias e ministérios.

  5. O diabo é o pai espiritual daqueles que ainda não se tornaram filhos de Deus. E não desiste facilmente da vida daqueles que estão sob sua influência.



E o que os filhos de Deus podem fazer diante desse cenário?


Por mais caótico que os dias que vivemos possam parecer, precisamos ter a visão bíblica dos fatos. Se a palavra diz que Cristo triunfou sobre nosso adversário, essa visão precisa estar ativada em nosso interior. 


O livro de Ester é muito apropriado para termos a visão divina de nossos dias. Lá podemos ver os momentos caóticos e também o quanto sutilmente a história muda em favor do povo de Deus. 


Ali, no livro de Ester, o povo de Deus estava vivendo opressões numa terra distante.

Aqui, nos dias de hoje, o povo de Deus vive perseguições e também estão longe de casa, conforme Filipenses 3:20, que diz “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”.


Ali, a rainha Vastir não aceitou ser colocada ao lado do seu rei e, por isso, Ester foi escolhida rainha em seu lugar.

Aqui, Israel não aceitou seu Rei e Salvador, e por isso, a igreja foi colocada em seu lugar.


Ali, o rei Assuero exercia senhorio em 127 províncias, desde a Índia até a Etiópia.

Aqui, nosso Rei Jesus está acima de todo governo e autoridade, poder e domínio (Ef 1.20-21). Seu domínio se estende de geração em geração (Sl 145.13). Enfatizo, o domínio de Cristo vai se estender até a geração depois da minha. Seu domínio vai se estender até nossos filhos e sobre os filhos de nossos filhos. Amém!


Ali, o ministro oficial do rei, chamado de Hamã, alimentava um ódio contra Mardoqueu e contra todos os judeus.

Aqui, o ex Lúcifer da manhã, chamado de diabo, alimenta um ódio pessoal contra os humildes servos do Senhor, que se estende contra seus negócios, projetos, sonhos e família.


Ali, o plano arquitetado por Hamã para assassinar o rei e usurpar seu trono foi descoberto por Mardoqueu.

Aqui, o plano arquitetado pelo diabo para usurpar o trono de Deus foi revelado pelo Espírito do Senhor, que inspirou homens como João em Patmos para registrarem detalhes desse plano.


Ali, Hamã persuadiu o rei a promulgar um decreto para exterminar os judeus no dia 13 do mês de Adar.

Aqui, o inimigo também usa de engano para persuadir pessoas a acreditarem  que seus dias estão contados.


Ali, Mardoqueu moveu a rainha Ester para interceder junto ao rei em favor dos judeus.

Aqui, o Espírito Santo move a igreja para interceder junto ao nosso Rei Jesus em favor dos povos, tribos, línguas e nações. 


Ali, Ester arriscou sua vida ao entrar diante do rei sem ter sido convocada.

Aqui, o acesso ao trono da graça de Deus é assegurada por um novo e vivo caminho que Jesus nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo (Hb10.20).


Ali, Ester conquistou o favor do rei.

Aqui, a igreja se posiciona em humildade e total dependência para conquistar o favor do Rei dos reis. É necessário entender que, por vezes, não podemos fazer nada contra os Hamãs que se levantam contra nós. Por isso, precisamos realmente nos posicionar diante do Rei e lançar sobre ele nossas dores e nossas causas.


Ali, Ester denunciou ao rei o plano contra seu povo.

Aqui, a igreja se prostra diante do seu grande Rei para denunciar os planos projetados contra seu povo. 


Ali, Hamã é executado na mesma forca que preparou contra Mardoqueu.

Aqui, o inimigo de sua alma será exterminado no mesmo plano traçado contra ti, conforme Isaías 54.17, que diz “Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor, e a sua justiça que de mim procede, diz o Senhor.”


Ali, um segundo decreto foi assinado pelo anel do rei que foi posto nas mãos de Ester e isso possibilitou o povo judeu triunfar contras seus inimigos.

Aqui, a igreja do Senhor Jesus possui uma aliança que precisa ser usada para triunfar sobre seus inimigos.


O primeiro decreto datava o dia da morte. O segundo, porém, permitia o povo de Deus a se armar e lutar contra seus inimigos.  Colossenses 2.14 nos diz que Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. Sim, a palavra nos ensina que uma nova sentença foi escrita sobre ti. Não aquela que foi redigida no inferno, que colocava uma data final para sua família, seu negócio, seu casamento ou para você mesmo. Sua nova sentença foi redigida nos céus e assinada no calvário, te fornecendo esperança e força para você lutar e prevalecer contra seus adversários. Amém!


Ali, o rei Assuero deu a casa de Hamã para a rainha Ester e Mardoqueu.

Aqui, acredite nisso, o Rei dos reis passará para você territórios antes pertencentes ao inimigo. Amém!


Ali, Mardoqueu foi honrado com uma veste azul celeste e branca, com uma coroa de ouro e uma capa de linho fino, fazendo toda cidade de Suzã se exaltar e se elegrar.

Aqui, o Espírito do Senhor será finalmente honrado, suas vestes de santidade serão visíveis nos santos do Senhor, sua coroa de justiça vai coroar a igreja e sua capa de linho fino vai estampar a o ministério que exalta o Cristo de Deus.


Ali, através da honra dada a Mardoqueu, os judeus foram cheios de luz, de alegria, e gozo e honra.

Aqui, através do derramamento do Espírito do Senhor, as nações finalmente conhecerão a autêntica luz de Deus, a alegria e gozo como fruto do Espírito, e a honra será restituída em toda terra.


Ali, a narrativa do livro de Ester se encerra descrevendo que Mardoqueu procurava o bem do seu povo e trabalhava pela prosperidade de sua nação.

Aqui, na medida que vai se aproximando os últimos dias da igreja na terra, cada vez mais o Espírito do Senhor vai procurar fazer o bem em favor do povo de Deus, e trabalhar para fazer prosperar a nação cujo Deus é o Senhor. Amém!



Erisvaldo Pinheiro Lima
Mensagem ministrada em Agosto de 2021
Igreja Santuário do Altíssimo
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