quinta-feira, 16 de maio de 2019

4 características de uma obra que Deus pode comprometer-se

Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos. 
Efésios 2:10

Veja 4 características essenciais de uma obra com a qual nosso Deus pode comprometer-se de modo integral:


  • A primeira necessidade vital é de uma revelação verdadeira aos nossos corações sobre os propósitos eternos de Deus
Devemos apontar tudo que nossas mãos possam produzir, enquanto obra ao Senhor, para o Reinado Soberano de Cristo na Terra. Seu Grande Dia está por vir. Devemos preparar-nos e preparar um povo para o Reino Literal de Cristo. Somos como o reinado de Davi. Que foi caracterizado por intensas batalhas. E também serviu de preparação para o pacífico reinado de Salomão. Estamos em meio a guerras e batalhas espirituais. E também nos preparando para um Reinado de paz permanente do Senhor Jesus. Deus procura homens que podem cooperar com Ele nessa guerra espiritual. Que o Santo Espírito nos indague se a obra de nossas mãos se relacionam com o propósito do Reino de Deus.

  • Toda obra precisa ser concebida por Deus
Precisamos receber uma revelação de Deus sobre nossa obra individual. Não podemos começar por nós mesmos e esperar que Deus abençoe. Se nós planejamos e executamos uma obra e somente depois pedimos que Deus abençoe, não devemos esperar que Deus se comprometa com o resultado dessa obra. Com demasiada freqüência julgamos que fazer coisas é que é importante. Temos de aprender a lição do "não faça". A lição do ficar quieto na presença de Deus. Devemos aprender que se Deus não se mexe, nós não devemos nos mexer.

Atos 16.6-7 ""foram impedidos 
pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na 
Ásia"..."Mas o Espírito de Jesus 
não lho permitiu"


  • Toda obra para deve depender do poder de Deus, e de ninguém mais, isso para ser eficaz e ter continuidade
Toda obra de Deus deve se iniciar com o primeiro de todos os princípios: NO PRINCÍPIO DEUS (Gn 1.1). De forma que, ainda que Deus tenha iniciado uma obra, se tentarmos executá-la de acordo com a sabedoria humana, nosso Deus jamais se comprometerá com essa obra. 

Precisamos ser levados àquele ponto em que, ainda que tenhamos algum dom ou talento, não ousamos agir ou falar, a não ser se estivermos conscientes de nossa contínua dependência do Senhor. Que nosso bondoso Senhor nos impulsione a fazermos muito além do que é certo e errado, para fazermos o que de fato lhe agrada. Dependemos disso. Dependemos do poder dEle.

  • O objetivo da obra deve ser a glória de Deus.
Devemos fazer a obra para a satisfação de Deus e não nossa. Por mais que se trabalhe a vocação pessoal, que gera alegria sincera em fazer algo pelo Senhor, precisamos realizar outras obras. Mesmo que não gerem nenhum contentamento individual, e sim do Senhor. As vezes, a obra que menos nos alegra é a que mais alegra o Senhor.

Não é nosso nome que deve aparecer. Se a obra de nossas mãos não tiver o "nome de Jesus", que tragédia, só haverá o nosso nome! Que haja tão somente seu forte e bondoso nome. Que seja toda sua glória, sem ingrediente humano. Assim, devemos ser capazes de levantar-nos e falarmos em nome de Jesus. Se não, nosso trabalho não terá impacto espiritual. Isso porém, não pode ser feito de qualquer jeito. Na verdade, é fruto da obediência a Deus, e de uma posição espiritual resultante da obediência, conhecida e mantida diariamente. Obediência pra glória de Deus. Toda obra para glória de Deus. Toda honra e toda glória seja, pois, dada a Deus. Amém.




Deus abençoe a obra de suas mãos,
Pr Erisvaldo Pinheiro Lima
Ministrado em Abril de 2019, no Culto de Doutrina da Igreja Santuário do Altíssimo.

  • Fonte:
NEE, Watchman. As três atitudes do crente. Editora Vida

Escatologia: a igreja e a presente era





Partindo das afirmativas de que a aliança abraâmica é base da aliança palestina, da davídica e da nova aliança. Que é uma aliança literal, eterna e que aponta para Israel. E que, ainda, nos mostra que haverá para sempre:
·         Um povo
·         Uma terra
·         Um trono
·         Um Rei
·         Uma restauração com perdão e purificação de todo pecado

A presente era é caracterizada, então, com um adiamento do cumprimento dessas promessas ao povo judeu, para salvação de qualquer pessoa, independente de nacionalidade, que creia na obra expiatória do Filho de Deus. 

Assim, a presente era se inicia com a rejeição do Messias por Israel e termina com sua devida aceitação. Inicia quando Israel comete a blasfêmia contra o Santo Espírito, atribuindo os feitos de Cristo a Belzebu (Mt 12). E termina quando, enfim, Israel se volta em aceitação ao seu prometido Messias, no período tribulacional.

A presente era é o tempo da igreja. O tempo em que os ramos do zambujeiro são enxertados na oliveira (Rm 11). O tempo da igreja e suas características são descritos em dois lugares: Mt 13 e Ap 2 e 3:


  • ·         Mt 13


Em Mt 13, Cristo fala por parábolas, ocultando a interpretação dos líderes judaicos e dando esse conhecer tão somente aos discípulos (13.11). O seus não o recebe. Isso se dá pela blasfêmia. Abrindo então o tempo da igreja, que é o conhecimento dos mistérios do Reino dos céus.

O versículo chave para entendimento é o 52:

 "Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas"


As coisas novas são aquelas que surgiram pela não aceitação momentânea do Messias. Enquanto que as velhas são as que já haviam sido anunciadas no Velho Testamento.

As COISAS NOVAS
1. A semente e os solos: A proclamação do reino. Há solos diferentes, mas uma única semente. O mundo, a carne e o diabo se opõem à germinação e frutificação da semente. Cada vez mais, haverá uma colheita menor, que inicia com 100 e termina com 30. O mistério do semeador compara-se ao mistério da divindade de 1 Timóteo 3.16.
2. O trigo e o joio: Falsa imitação do reino. A verdadeira semeadura sempre será acompanhada com uma falsa semeadura. Ambas crescerão. O trigo (igreja) será removido (arrebatada) para o celeiro (céu). O joio (Israel) será juntado (na terra) para depois ser queimado (julgamento).  A falsidade do joio e o crescimento da mostarda comparam-se ao mistério da injustiça de 2 Tessalonicenses 2.7.
3. O grão de mostarda: Expansão visível do reino. O que começou com um punhado de propagadores, alcançou enormes proporções. Esse grão era comumente lembrado pelos judeus para classificar algo pequeno, mas que crescia muito. De fato, o grão de mostarda pode chegar a seis metros de altura em apenas um ano.
4. O fermento: Corrupção traiçoeira do reino. O grande crescimento se dará por algo que foi introduzido no interior do Reino. Sobre fermento, a Bíblia quase sempre apresenta situações negativas (Êx 12.15; Lv 2.11; Mt 16.6; Mc 8.15; 1 Co 5.6,8; Gl 5.9). Compara-se ao mistério da Babilônia de Apocalipse 17.1-7

As COISAS VELHAS
5. O tesouro escondido: A nação israelita. Onde Jesus Cristo é o comprador, o tesouro (salvação) está oculto num campo (Israel) e sua posse ainda não aconteceu (se dará no Milênio). Embora deixado de lado na presente era, fato é que o Senhor não esqueceu da aliança com seu povo de Israel. Compara-se ao mistério da cegueira de Israel de Romanos 11.25
6. A pérola: o tesouro que será removido. Cristo é o negociante que compra a pérola. A igreja, semelhante à pérola, será formada por acumulação gradual. Para que seja usada como adorno, a pérola deve ser removida de onde foi formada. Assim ocorrerá com a igreja. Compara-se ao mistério aplicável à igreja mencionado em Efésios 3.3-9; Colossenses 1.26,27; Romanos 16.25.
7. A rede: O julgamento das nações no final da tribulação. Enquanto que o julgamento do joio aponta para Israel, este aponta para as nações, pois a rede foi lançada para o mar.


  • ·         Ap 2 e 3


Aqui João descreve a presente era. Desde os primórdios da igreja até sua consumação. Há promessa de livramento da terrível tribulação para a igreja santa e julgamento da igreja apóstata, que será vomitada.

1.      Éfeso significa "amada" ou talvez "desejada".
2.      Esmirna significa "mirra" ou "amargura".
3.      Pérgamo significa "torre alta" ou "completamente casada".
4.      Tiatira significa "sacrifício contínuo".
5.      Sardes significa "aqueles que escapam".
6.      Filadélfia significa "amor fraterno".
7.      Laodicéia significa "o povo reinando ou ensinando" ou "o julgamento do povo"

Embora haja uma clara evolução nas sete igrejas, que mostra desde sua criação ao seu julgamento, não achamos apropriado datar seus momentos. Aquilo que é descrito na primeira igreja, ou na última, se aplica para toda presente era. É a descrição da igreja feita pelo Senhor. Mostra que Cristo bem conhece sua igreja, está presente. Menciona suas qualidades e exorta suas falhas. 

Éfeso fala do primeiro amor, das primeiras obras. É o início, de fato. Laodicéia fala da negação dos princípios, da apostasia. De fato, Laodicéia descreve a igreja apóstata do fim da presente era. 

O fim da presente era gira em torno de negações. Se a presente era começa com um grupo aceitando o Cristo de Deus e seus ensinamentos, o fim da presente era é acompanhada com um conjunto de negações. Veja:

·         negação de Deus (Lc 17.26; 2 Tm 3.4,5),
·         negação de Cristo (1 Jo 2.18; l Jo 4.3; 2 Pe 2.6),
·         negação do retorno de Cristo (2 Pe 3.3,4),
·         negação da fé (l Tm 4.1,2; Jd 3),
·         negação da sã doutrina (2Tm 3.1-7),
·         negação da vida separada (2 Tm 3.1-7),
·         negação da liberdade cristã (l Tm 4.3,4);
·         negação da moral (2 Tm 3.1-8,13; Jd 18),
·         negação da autoridade (2 Tm 3.4)

Resta à igreja do Senhor meditar nos trechos bíblicos que descrevem com riqueza de detalhes nossa presente era. Lembro-me, certa vez, que por um tempo fiquei bastante ofendido com algumas situações ministeriais. Pensei em sair. O que me segurou foi a exortação da parábola do semeador (Mt 13) que diz que a semente se ofende e morre por não ter raiz. Se eu saísse, a culpa era porque a semente não tinha raiz. Isso me segurou. Oro ao Senhor, para que seu Santo Espírito prepare o solo de nossos corações para receber a preciosa semente do conhecimento dos mistérios do Reino dos céus. Amém!



Pr Erisvaldo Pinheiro Lima

Estudo ministrado na Igreja Santuário do Altíssimo

Maio de 2019


Fonte bibliográfica:

PENTECOST, J. Dwight, Th.D. Manual de Escatologia Uma análise detalhada dos eventos futuros. Editora Vida. Tradução: Carlos Osvaldo Cardoso Pinto

sábado, 11 de maio de 2019

Santificação sem a qual ninguém verá ao Senhor

Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados,
E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado.
Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor;
(Hb 12.12-14)


Vemos três membros do corpo que antecedem a palavra santificação. As mãos, os joelhos e os pés. Suas descrições mostram que não estão bem. As mãos estão cansadas, os joelhos estão desconjuntados, e os pés manquejam. Mesmo não estando bem, há uma ordem para cada um. As mãos e os joelhos precisam ser levantados novamente (tornai levantar), enquanto que os pés precisam de veredas direitas. Para melhor compreensão do uso desses três membros, usaremos o princípio hermenêutico da primeira menção desses nomes. Analisaremos a situação em que cada um se encontra. E, por fim, passaremos ao que precisa ser feito.

  • Mãos cansadas


Palavra liberada no nascimento de Noé: A quem chamou Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o Senhor amaldiçoou (Gn 5.29)
Há uma expectativa de que Noé console acerca da obra e do trabalha das mãos de sua geração. Entendemos que havia frustração no trabalho feito pelas mãos. A iniquidade estabelecida fez com que Deus amaldiçoasse a terra. Não havia frutos nas mãos. Não havia resultado esperado. Triste coisa é quando o trabalho de nossas mãos não produzem seu devido fruto, não produz o resultado esperado. 

Vemos essa mesma situação quando uma mãe ensina, fala, exorta, aconselha, castiga, pune, conversa, tenta, mas o filho continua com algum determinado comportamento inadequado. Ou quando um pai de família luta, se esforça, trabalha, faz hora extra, mas seu rendimento está aquém daquilo que sua família precisa. Pense numa pessoa casada, que luta pelo seu matrimônio, porém seu cônjuge não colabora, não “está afim”, não faz por onde, não se importa. Até mesmo um líder de departamento que tanto trabalha, faz o seu melhor, quer desenvolver um projeto, mas sua equipe ou os envolvidos não dão a mínima. Muito trabalho, muito esforço, porém, sem resultados, sem frutos nas mãos. Mãos vazias tende a ficarem cansadas.

Mãos cansadas afetam o desempenho profissional, escolar ou até mesmo ministerial, tornando até atividades que antes eram prazerosas, em meras obrigações. Verdade é que, quando nossas mãos estão cansadas assim, precisamos fazer algo. 

Ao nascer, Noé recebe uma palavra de consolo para as mãos que trabalhavam e não obtinha resultado. Importante observar que, ao sair da Arca:
Tudo que se move sobre a terra e todos os peixes do mar na vossa mão são entregues (Gn 9.2)

As mão que não produziam, agora, tudo era novamente colocado nelas. Tudo que se movia sobre a terra e todos os peixes do mar foram entregues nas mãos que outrora, nada produziam. O que ocorreu para essa mudança? O juízo do dilúvio é a resposta. Deus executou sua implacável justiça naquela geração. 

Semelhantemente, para benefício de todas gerações, o mesmo Deus de Noé executa seu santo juízo em seu próprio Filho. Assim como o dilúvio de Noé veio tratar contra a iniquidade estabelecida sobre a terra, o Filho de Deus veio tratar de vez com a iniquidade estabelecida no coração do homem. Depois do dilúvio do calvário, todas as coisas foram entregues ao Filho (Mt 11.27). E ele, agora, entrega para que lhe apraz (Sl 115.3). O que Deus colocou em suas mãos?

Observamos atentamente as cenas: As mãos não produzem, acontece o julgamento do dilúvio, tudo agora é colocado nas mãos. Que o Espírito de Cristo nos aponte esse mesmo princípio no Novo Testamento. Se nossas mãos nada produzem, que possamos passar pelo dilúvio do Calvário! 
Lv 4.24 ensina que os ofertantes do Templo tocavam na cabeça do animal durante o sacrifício do pecado. Em 1Jo 1.1, o Apóstolo João relata que “nossas mãos tocaram na Palavra”. Que nossas mãos façam o mesmo. Que toquemos na palavra, no verbo vivo de Deus. Se nossas mãos se esforçam e nada colhem, que voltemos a tocar no Senhor do Calvário. Que seu doce Espírito leve nossas cansadas mãos para tocar no Renovo do Senhor.

  • Joelhos desconjuntados


Em 1Reis 18.42 relata que Elias se ajoelha diante de Deus. Ele havia profetizado que não iria chover em Israel. Depois do tempo de seca, agora o profeta libera uma palavra para Acaba de que iri voltar a chover. Elias, então, sobe no monte e se ajoelha diante do Senhor. Ele pede chuva. E seu moço lhe dá a notícia de que nenhuma nuvem havia se formado no céu. Elias se prostra novamente e clama por chuva. Seu moço lhe dá a mesma notícia. Mesma oração do profeta por chuva e nenhuma resposta positiva do seu moço. A cena se repete por seis vezes. Na sétima vez que o profeta se ajoelha e clama ao Senhor, seu moço lhe diz que vê apenas uma pequena nuvem, do tamanho da mão do homem. Parece pequeno, mas para o profeta já era um sinal de que a grande chuva estava por vir. Isso deve acontecer conosco também. Nos dobramos diante do Senhor, em petição por algo e nada acontece. Nos ajoelhamos novamente e por tantas outras vezes, e a notícia que vêm é diferente da que esperávamos. Minha oração é que nenhum humilde servo do Senhor deixe de se prostrar por que um clamor tarda a ser respondido. E que estejamos atentos aos pequenos sinais. Creio que o Senhor continua a enviar seus pequenos, e por vezes, imperceptíveis sinais. Deus enviou seu pequeno sinal na sétima vez que seu profeta estava de joelho clamando. Que nossos joelhos também não deixem de se dobrar em clamor ao Senhor de Elias.

Na cena seguinte Elias recebe uma ameaça e uma péssima notícia. Sua cabeça estava a prêmio. E, ainda, se dizia que todos os profetas de Deus havia sido mortos pelo perverso casal Acabe e Jezabel. Em seu momento de tristeza, Deus visita Elias e lhe garante que guardou para si sete mil homens cujos joelhos não se inclinaram diante de Baal (1Re 19.18). 

Repare que houve uma qualificação para que esses sete mil homens fossem separados para Deus. Nada se diz da genealogia deles, muito menos da classe social. Num se menciona capacidade física ou intelectual. A única qualificação mencionada desses homens são seus joelhos, que não se dobraram a outros deuses. São joelhos que, à semelhança de Elias, se dobravam diante do Senhor. Era hábito, era o padrão. O ajoelhar de Elias se tornou o padrão para os seus profetas. Elias virou o modelo. Os profetas seguiram o modelo. Que isso fale com cada pastor, líder ou pai de família. Que sejamos modelo para outros. Melhor dizendo, que nossos joelhos sejam modelo para os que estão conosco. Que nossas ovelhas, liderados, ou filhos, tenha a mesma marca de se ajoelhar que nós temos. Percebe quão responsável nos tornamos? O quanto nossos joelhos precisam se dobrar? Ainda que estejam desconjuntados, mas que o Santo Espírito levem nossos joelhos desconjuntados a se dobrarem diante de Deus.

  • Pés que manquejam


Sobre a palavra pés, a Bíblia menciona a cena também do Dilúvio. Após a chuva, e não tendo como olhar a terra do lado de fora, Noé solta um corvo, que logo volta. Mas algo acontece para que Noé não escolha mais um corvo. Ele escolhe agora uma pomba para soltar. Corvos pousam em qualquer lugar, enquanto que a pomba é muito mais criteriosa. Noé, então, solta uma pomba, e a Bíblia diz que ela não encontra lugar para pousar seus pés (Gn 8.9). Na segunda vez que é solta, a pomba volta com um raminho de Oliveira. Na terceira e última vez, ela não volta mais. Encontrou lugar apropriado para pousar seus pés.

Ao apontarmos isso com a cena do batismo de Cristo registrado em Jo 1, vemos o precioso testemunho de João Batista. Ele diz, lá vem o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Dentre tantos homens, como João Batista identificou que aquele era o Cristo de Deus? Ele já havia sido previamente informado que aquele que descesse o Espírito em forma corpórea de pomba, seria o Cristo. É como se aquela pomba do dilúvio, criteriosa que só ela, agora encontrara local apropriado para pousar seus pés.

A pomba verdadeira, não essas urbanas, prefere habitar (pousar seus pés) em locais que tenha abundância de alimento, que tenha fonte de água limpa e também vida em abundância. O Cristo de Deus tem essas três qualificações! Ele é o Pão vivo que desceu do céu, é fonte de águas vivas, e tem vida em abundância. Ainda disse que rogaria ao Pai para que enviasse o outro Consolador, O Espírito da Verdade. Aleluia!

A pedido do Cristo de Deus, a pomba ainda procura locais apropriados para pousar seus pés. Que nosso coração seja esse local apropriado. Ela é criteriosa, não pousa em lugares sujos, contaminados ou bagunçados. Que nosso coração esteja no caminho da santificação, para que o Santo Espírito, que um dia usou a forma corpórea da pomba, pouse no nosso interior. 


Pense nisso...

Mãos cansadas, joelhos desconjuntados e pés que manquejam. Esses três membros do corpo não estão bem. Talvez esse seja o caminho da santificação. Olhar para nossos próprios membros e percebermo o quanto não estão bem. As mãos que tanto já fizeram e agora estão cansadas. Os joelhos que devem ser inspiração para outros, mas que agora não se dobram tanto. E os pés que manquejam, tentam andar reto, mas mancam, pendem para um lado, não seguem reto. Sem santificação, ninguém verá ao Senhor. Que o Espírito Santo nos convença disso. Que nossas mãos, ainda que cansadas, possam tocar, pela fé, no Cristo do Calvário. Que nossos joelhos, ainda que desconjuntados, possam ainda continuar a se dobrarem, para que outros também sigam o exemplo e também se dobrem. E que nossos pés, ainda que estejam manquejando, possam andar na direção da santificação, para que veredas direitas sejam feitas. Caminhos antes tortuosos, agora sejam endireitados e nossos pés seguirem reto, sem se desviar para direita ou para esquerda. 
E, por último, que possamos seguir a paz com todos!

Que sejamos santificados na verdade,

Em Cristo
Pr Erisvaldo Pinheiro Lima
Mensagem ministrada na 1ª Imersão Bíblica da Igreja Santuário do Altíssimo, em Maio de 2019.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Escatologia: aliança abraâmica




Tão logo acontece a queda do homem, Deus já mostra sua intenção de salvação (Gn 3.15). Para execução desse plano de salvação, Deus estabelece uma aliança com Abraão. A Aliança abraâmica será a base paras outras três, a saber:

1. Aliança palestina (Dt 30.1-10)
2. Aliança davídica (2Sm 7.12)
3. Nova aliança (Jr 31.31-34)

A Aliança que Deus estabeleceu com Abraão é a base, a raiz das outras Alianças. Em cada trecho da Aliança abraâmica possui termos, com palavras ou expressões chaves, que se aplicam às demais alianças:



A Aliança abraâmica está registrada em Gn 12.1-3, quando Abrão ainda está em Ur dos caldeus (At 7.2), e foi ampliada em momentos decisivos de sua vida, veja:

12.6-7 >> Quando Abrão finalmente deixa parte de sua família e entra na terra de Canaã.

13.14-17 >> Depois que Ló se apartou dele. Vale lembrar que a base condicional da aliança era de que Abrão saísse do meio de sua parentela.

15.1-21 >> “Depois destas cosas, veio a palavra do Senhor a Abrão”. Logo depois que o patriarca: 1- Pelejou e libertou Ló, bem como os bens e povo de Sodoma e Gomorra, que tinham caído na guerra dos “4 reis contra 5 reis”; 2 – Deu o dízimo de todo o despojo ao sacerdote Melquisedeque. Que por sua vez, lhe trouxe o pão e o vinho e o abençoou.

17.1-14 >> Quando Abrão já tinha idade avançada e Sarai permanecia estéril, Deus muda o seu nome para se ajustar à amplitude da promessa. Agora, Abraão, pai de multidões, e Sara, princesa! O sinal dessa aliança é a circuncisão.

22.15-18 >> Quando Abraão leva seu filho Isaque para sacrifício, na sua prova de fé.




Com base na linha interpretativa pré milenista de J. Dwight Pentecost, entendemos que a Aliança Abraãmica é LITERAL e que:

Por ser alvo do plano de redenção do Senhor para salvação do homem caído, entendemos que trata-se de uma aliança INCONDICIONAL, a única condição era que Abrão saísse de sua terra e de sua parentela, condição esta, que foi impulsionada pelo próprio Senhor (At 7.4).

É ainda uma aliança PEPÉRTUA, onde haverá um trono eterno vindo da descendência de Davi. Diz respeito à TERRA palestina de Canaã, como espação geográfico definido para o trono eterno. E, por último, aponta para a nação de ISRAEL, o povo judeu.


E a Igreja de hoje?

Como que a Igreja se encaixa na Aliança abraâmica? Rm 11 nos dá a resposta:

O Israel de Deus é a sua bendita Oliveira. Enquanto que a Igreja são ramos de zambujeiro enxertados na Oliveira (11.17). Assim ocorre com a Oliveira:

1. Sua raíz: é a Aliança Abraâmica, que nutre toda a Oliveira

2. Seu caule: é a Aliança Palestina, como local visível da Oliveira

3. Seus ramos: é a Aliança Davídica, por hora cortada, pois não creram no Cristo de Deus, mas que em breve serão reenxertados (11.23).

4. Seus frutos: é a Nova Aliança, onde, logo após serem reenxertados (11.24), Israel dará seus frutos da redenção.


Porque a Igreja é o ramo do zambujeiro enxertado, por meio da fé (11.20), na Oliveira de Deus, devemos dar frutos. Se não dermos os devidos frutos, seremos cortados (11.22). Hoje é o tempo em que a igreja gera seus devidos frutos. Logo será arrebatada da terra. E seguirá o julgamento dos frutos. E seguirá, também, o começo dos valiosos frutos dos ramos naturais da Oliveira, o Israel crendo no Cristo de Deus.

24 Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!

25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.


Pr Erisvaldo Pinheiro Lima

Estudo ministrado na Igreja Santuário do Altíssimo

Maio de 2019


Fonte bibliográfica:

PENTECOST, J. Dwight, Th.D. Manual de Escatologia Uma análise detalhada dos eventos futuros. Editora Vida. Tradução: Carlos Osvaldo Cardoso Pinto


sábado, 4 de maio de 2019

As três verdades que você precisa saber sobre a história de Mefibosete

A vida de Mefibosete foi de altos e muitos baixos, até que Davi fez valer a aliança com Jônatas
2Samuel 9.1-7



Conta-se a história de um certo homem, desejoso de alcançar sua benção, procurou a ajuda de um mestre. Ansioso e apressado, o homem lhe pergunta qual era o caminho para alcançar sua tão sonhada benção. O velho mestre, de barbas longas e vestido de túnica, apenas aponta um certo caminho. Entusiasmado, o homem logo segue na direção do caminho mostrado pelo mestre. Não demorou muito, ele logo é surpreendido com golpes que lhe causam grande dor. Acreditando não ter seguido o caminho certo, logo volta ao mestre e lhe pergunta novamente a direção do caminho de sua tão sonhada benção. Ainda sem falar nada, o mestre apenas estende sua mão e aponta para o mesmo caminho de antes. Franzindo suas sobrancelhas, o apressado homem segue na mesma direção. Mais uma vez, não demorando muito, ele é surpreendido com golpes violentos que lhe causam ainda mais dor. Indignado, e já quase sem forças, ele volta ao mestre e o questiona: “Perguntei-lhe qual era o caminho da minha tão sonhada benção. Segui obedientemente na direção que o senhor me mostrou e tudo que ganhei foram golpes de violência que me causaram muita dor... agora me diga, não gesticule, preciso que realmente me diga qual é a direção do caminho da minha benção! ” Foi então, que o paciente mestre olhou para ele e disse: “sua benção está na direção desse mesmo caminho, logo depois dos golpes. ”

Lembremos, pois, da história do filho de Deus. Dos terríveis golpes violentos que sofreu. E tendo suportado tudo, permaneceu no caminho da missão que o Pai lhe deu. Oro ao nosso Bondoso Senhor, para que nossa história esteja, de fato, no caminho da benção de Deus. Ainda que seja um apertado caminho, com momentos de violentos golpes, que possamos prosseguir, nunca desistir, em obediência à voz de Deus.

A história de Mefibosete é um bom exemplo de que o caminho da vida há momentos de golpes violentos. Que o Santo Espírito nos mostre isso. Veja, agora, as três verdades que você precisa saber sobre a história de Mefibosete e permita que o Espírito de Deus fale contigo:

  • É uma história de início muito promissor e que, de repente, tudo vira ao avesso.



Mefibosete era filho de Jônatas, filho de Saul, rei de Israel. Era herdeiro. Nasceu no palácio. Teve todos os cuidados da corte. Tinha um futuro brilhante. Todos os sonhos e projetos disponíveis ao seu dispor, afinal, era príncipe! Tudo muda com uma notícia. Saul e Jônatas morreram. As novas que vieram de Jezreel (2Sm 4.4) mudam todo o percurso da história do pequeno príncipe. Todos os descendentes de Saul corriam risco de morte. É o fim dos sonhos. Acabaram os projetos de vida. Tudo agora se resumia em continuar vivo. Depois da triste notícia, Mefibosete apenas sobrevivia. Você já teve uma triste notícia que mudou sua vida? Uma notícia que abalou seus sonhos e projetos?
Seguido da notícia ruim, houve também um certo incidente. Na pressa de fugir, a cuidadora de Mefibosete o deixa cair. Isso deixou uma marca. Ele ficou coxo, para sempre. Verdade é que, quando nossa história vira ao avesso, ficamos marcados para sempre. São momentos em que pessoas até poderiam nos ajudar, porém, nos deixam cair. A agonia da pressa é responsável de se deixar pessoas caírem... que o Santo Espírito nos exorte quando ficarmos agoniados e apressados.

  • É uma história de vergonha e dor



Ao ser perguntado sobre a existência de algum descendente de Saul, Ziba descreve o filho de Jônatas como “aleijado de ambos os pés”. Não fala seu nome. Descreve apenas, sua deficiência. Sua falta havia se tornado sua identidade. Coisa triste é quando a lembrança de uma pessoa se torna tão somente aquilo que lhe falta. O que um dia foi príncipe, agora não passa de um aleijado de ambos os pés.

Não bastasse a morte de toda sua família e de se tornar aleijado, Mefibosete ainda foi morar numa terra inóspita. Não havia outra opção. Lo-Debar significa “sem pastos”. Uma cidade além do Jordão, sem uma nascente de água, sem colheita, sem perspectiva de melhora, realmente sem nenhum pasto. Aquele que há tempos tinha um futuro promissor, agora, seus dias eram sombrios, sem sonhos. Lo-Debar era o último lugar em que poderia se encontrar um homem. Que o Santo Espírito nos faça lembrar em quais terras já estivemos nos dias de vergonha e dor.

O erudito bíblico John Davis define a etimologia de Mefibosete como “vergonha destruidora” ou “aquele que espalha vergonha”. De fato, a história desse pobre homem é de muita vergonha e dor. A autoimagem de Mefibosete muito bem o definia. Diante do rei, ele se descreveu como “um cão morto”. A morte que devorou toda sua casa, parecia estar dentro de seu coração, afinal, ele poderia morrer a qualquer momento. Mefibosete se definia como um cão morto, e você, como se define?

  • É uma história que mostra o valor de uma aliança



No capítulo vinte de 1Samuel mostra a aliança que Davi e Jônatas fizeram. No dia em que Davi fugiu de Saul para não ser morto, ele conta com a ajuda do filho do rei. Ambos declaram que essa aliança seria perpétua. Enfatizo mais uma vez, Davi havia feito uma aliança com Jônatas, filho de seu inimigo. Uma vez já coroado rei, Davi chama sua corte e declara “há ainda alguém da casa de Saul, para que lhe faça bem por amor de Jônatas? ” Repare, querido leitor, que a aliança era com Jônatas, mas a beneficência de Davi foi por toda casa do pai de Jônatas. Mesmo tendo sido seu inimigo, Davi quer fazer o bem a toda a casa de Saul. Esse é o valor de uma aliança. Alcança todos da casa de quem está aliançado. Creia que Deus está aliançado contigo e que essa aliança pode alcançar todos da sua casa, amém?

Pense nisso...


A história de Mefibosete foi marcada por violentos golpes. De um início glorioso a um estado sem pastos, sua história foi mudada quando Davi fez valer a aliança que tinha com Jônatas. Mefibosete agora come de seu pão na mesa do rei. Tem terras restituídas. E possui inúmeros trabalhadores a seu comando. Sua história teve uma reviravolta novamente, desta vez, para melhor. Que o Santo Espírito nos mostre que nossa história é cheia de reviravoltas, mas que no fim, Deus se fará valer da aliança feita no Calvário!

Continue, amado (a) irmão (ã), trilhando o apertado caminho do Senhor, pois sua “benção está na direção desse mesmo caminho, logo depois dos golpes. ”


Em Cristo, Senhor nosso,
Pr Erisvaldo Pinheiro Lima
Igreja Santuário do Altíssimo
Mensagem ministrada em 03 de março de 2019

Fontes bibliográficas:
Novo Dicionário da Bíblia / John D. Davis; (Tradução: J R Carvalho Braga). - Ed Ampl. e atual. - São Paulo, SP: Hagnos, 2005.



quarta-feira, 20 de março de 2019

Três atitudes do crente: introdução


Estamos em clima de recomeço. Escutei de uma pessoa que “estamos vivendo o novo primeiro amor”. Embora estejamos enfrentando duras lutas, o sentimento de regozijo tem sido muito maior e mais notável. Pois bem, aproveitaremos esse clima de recomeço para ajustar o ponto por onde devemos começar. A palavra de Deus nos fornece a direção certa desses primeiros passos do recomeço.  Minha oração é que nosso coração se abra para compreendermos as três atitudes que o Senhor requer de seus humildes servos.
Para isso, tomaremos a carta de Paulo aos Efésios. À semelhança de outras cartas paulinas, Efésios possui duas divisões: uma seção profundamente doutrinária (capítulos 1 a 3), que descreve os grandes fatos da redenção que Deus operou através de Cristo; e uma seção prática (capítulos 4 a 6) onde é listado uma série de exigências divinas para as condutas cristãs.  Essa segunda seção pode, por sua vez, ser subdividida em dois assuntos principais. O primeiro fala de nossa vida neste mundo, indo de 4.1 até 6.9. Enquanto que o segundo assunto aborda o conflito com o inimigo de nossas almas, indo de 6.10 até o fim da carta. Temos, então, três divisões na belíssima carta aos Efésios:
(1)    a posição do crente em Cristo (1-3:21);
(2)    a vida do crente neste mundo (4:1-6:9); e
(3)    a atitude do crente diante do inimigo (6:10-24).
Em cada uma dessas divisões, separamos uma palavra que enfatiza o conteúdo central de cada trecho:
Assentar (2:6), Nossa posição em Cristo, a palavra-chave dessa seção, o segredo da verdadeira experiência cristã. Deus nos fez assentar com Cristo nos lugares celestiais, de modo que todo crente deve começar sua vida espiritual ali, nesse lugar de repouso.
Andeis (4:1), Nossa vida no mundo, a qual exprime nossa vida neste mundo. Somos desafiados aqui a demonstrar nossa conduta cristã, nosso comportamento coerente com tão elevada vocação.
Firmes (6:11), finalmente, na terceira seção, encontramos a chave de nossa atitude perante nosso inimigo, a qual está contida na palavra firmes (6:11), a qual expressa nosso triunfo final.

A vida do crente sempre apresenta estes três aspectos: um que se refere a Deus, outro ao ser humano e o outro aos poderes satânicos. Se ele quiser ser útil nas mãos de Deus, deve ajustar-se de modo adequado com respeito a esses três aspectos: sua posição, sua vida e sua guerra. O crente deixa de atender às exigências de Deus a partir do momento em que subestima a importância de qualquer desses elementos, pois, cada um deles constitui um campo no qual Deus expressa "louvor e glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado" (1:6). Tomaremos, pois, essas três palavras — assentar, andeis, firmes — como guias para o ensino total da carta aos Efésios, e como o texto onde se insere a mensagem para nossos corações. Verificaremos que será sumamente instrutivo observar a ordem em que aparecem, bem como as conexões que as unem entre si.
Se é para reiniciarmos, então, que seja pela palavra. Movidos pela palavra. Antes de adentrarmos na batalha das eras, contra os poderes das trevas, então, que andemos neste mundo de forma digna. E antes que demos esse primeiro passo, que possamos nos assentarmos em Cristo nas regiões celestiais. Assentar, andeis e firmes... nesta ordem.
Deus abençoe seu recomeço.
Pr Erisvaldo Pinheiro Lima
Ministrado em 19 de março de 2019, no primeiro estudo da Igreja Santuário do Altíssimo.

Fonte:
NEE, Watchman. As três atitudes do crente. Editora Vida

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Ananias e Safira – Uma pequena mentira, uma prevenção ou o quê?

Texto: Atos 5.1-11


Ananias e Safira depositaram uma oferta aos pés dos discípulos de Cristo que não representava a verdade.

Vamos ver então o panorama em que se desenvolveu a história de Ananias e Safira. A igreja estava crescendo exponencialmente. Podemos ver no capítulo 2 de atos, do verso 2 até o 41 o quanto a igreja crescia. No verso 41 diz “Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.”  Outro fator que vale muito a pena destacar para o entendimento da igreja em Atos é a pratica de se repartir as posses (Atos 2,42-47 e Atos 4,32-35). A igreja vivia em comunhão, gozando dos prodígios do Espírito Santo de Deus e não tinham nada como de uma pessoa somente e sim como de todos.
            Vale destacar ainda que nas Escrituras não há uma ordem explicita para a prática de se vender as posses e dividi-las na igreja. Encontramos algo parecido, mas que foi usado para exortação em Mateus 19,21 “E disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me” Jesus usou essa fala com um jovem que tinha sua segurança em seus bens. E a Bíblia relata que “ele se retirou triste pois tinha muitos bens” (v. 22).
            Voltando para Ananias e Safira. Eles não tinham obrigação de vender suas posses e depositá-las aos pés dos discípulos. Também não precisavam mentir em relação ao valor vendido. Poderiam declara que venderam por um tanto e que haviam retido uma parcela desse tanto. Não é verdade? Qual o mal que há nisso?
            Gostaria de lembrar com vocês alguns princípios que as Santas Escrituras nos ensinam: Em Lucas 21, 1-4 Jesus afirma que a maior oferta foram as duas moedas da viúva pobre pois “ela deu tudo o que possuía, todo o seu sustento”. Então entendemos que a nossa entrega aO Senhor tem que ser total, plena, até que não nos sobre mais nada, até que nos tornemos totalmente dependentes de Deus. A Bíblia nos mostra que vamos achar o Senhor “quando o buscarmos de todo o coração e de toda nossa alma” (Dt 4,29) E isso também requer uma entrega total.
            A exemplo de Ananias e Safira muitos desejam entregar algo ao Senhor, depositar algo aos Pés do Senhor, mas não abrem mão de uma “reserva”. Explico: “Gosto muito da pregação do pastor tal, mas não quero um compromisso naquela igreja, não quero “aceitar Jesus” ainda”, outro argumenta: “Eu creio em Jesus, mas não quero abrir mão da minha vida social, dos meus amigos”... Não desejam um compromisso total. Desejam ser simplesmente simpatizantes. Desejam ter um lugar para voltar fora da igreja, fora dos princípios...”Se não der certo eu tenho uma reserva”. – poderia ser esse o pensamento de Ananias e Safira, ter uma reserva. Mas a viúva não fez reserva, ela creu totalmente e Cristo afirmou que dela foi a maior oferta.
            Você está entregando sua vida totalmente ao Senhor ou está fazendo uma reserva? Você está depositando suas duas únicas moedas no gazofilácio do Senhor ou está depositando aquilo que está te sobrando?
            Sim. Ananias e Safira mentiram ao Espírito Santo de Deus e foram punidos por não estar depositando todo o valor e ainda afirmando que estavam fazendo isso. Repito: Eles não tinham a obrigação de entregar nada, mas se comprometeram a entregar.
            Você não tem obrigação de viver com Cristo e para Cristo. Mas você se comprometeu. E se você se comprometeu deve se entregar totalmente. Quando é feito o “apelo” a pergunta que se faz é: “Você recebe (ou aceita) Jesus como SENHOR e SALVADOR de sua vida?” A parte de ser o Salvador é fácil de viver, mas aceita-Lo como Senhor é mais estreito. Temos que permitir o Cristo assuma o total Senhorio de nossas vidas.
            Se Alguém, que pode sondar o seu coração, te perguntasse hoje, se você está depositando TODA a sua vida no altar, o que você diria? “Está tudo ai Senhor! É todo o meu tempo, é tudo o que tenho, é tudo o que sou, é todo meu sustento”. Você responderia isso? Ou você ainda não conseguiu entregar tudo.
            A entrega total vem do exercício de fé. Exercite sua fé, se entregue totalmente e seja dependente do Senhor.
            Que o Espírito Santo seja o seu guia nessa entrega e que Deus te abençoe grandemente nessa jornada em nome do Cordeiro Santo Jesus Cristo.

Pr José Roberto Paulino dos Santos!
Igreja Batista Vidas em Resgate
Janeiro de 2019
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