terça-feira, 18 de julho de 2017

Mendigues espiritual: uma valiosa lição na história de quatro mendigos da Bíblia

Aprendendo com os quatro mendigos da Bíblia
Bartimeu (Mc 10.46-47)
Lázaro (Lc 16.20-21) 
O cego (Jo 9.8)
O coxo (At 3.2)

Na minha adolescência eu li um livro que me deixou muito reflexivo. Tânia Zagury em "A Rampa" narra a história fictícia de Alberto, um engenheiro civil respeitado que mora num aconchegante apartamento com sua família. Esse personagem vive sucessivas situações de percas. Sua vida vira uma "rampa" levando-o a viver como um mendigo.

A palavra mendigo significa "aquele que sobrevive pela caridade do outro".

Lendo a história de Bartimeu, Lázaro, o cego de nascença e o coxo da Porta Formosa, o Espírito Santo me convenceu de também podemos viver dias de mendigues espiritual. Muitos de nós podemos estar vivendo dias em que nossa espiritualidade está decaindo como numa rampa, em decadência. Alguns podem até lembrar de dias, momentos ou de uma fase de glória tão grande... E se acostumarmos a ter uma vida espiritual em declínio, poderemos estar chegando perto de sermos mendigos espirituais.

Veja, amado(a) irmão(ã), a história destes quatro mendigos da Bíblia e permita que Santo Espírito fale contigo:


A Palavra do Senhor mostra que este mendigo estava na entrada de Jericó, à beira do caminho.
E de forma breve, o versículo relata que Jesus passou por ali, entrou em Jericó, esteve lá e saiu acompanhado por uma grande multidão e por seus discípulos. E, repare, foi neste momento que Bartimeu levantou a voz e clamou "Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim". Ou seja, Jesus passou pelo mendigo, esteve por algum tempo em Jericó e, somente na sua saída, é que Bartimeu pediu socorro. Um pedido de ajuda um tanto quanto demorado feito apenas na saída do Senhor.

Verdade é que, se você está passando por problemas sérios, não espere tanto pra levantar sua voz. Jesus pode já ter passado bem perto de você... Você já deve ter ouvido grandes histórias do que Ele já fez... E, agora mesmo, pode ser esse momento "de saída" do Senhor, não perca a oportunidade e clame por socorro! Na cena bíblica, alguns até tentaram silenciar a voz do pedinte... Verdade é também que quando estamos ficando quase à beira do caminho, vozes de acusação vem tentando nos silenciar... Se for teu caso, meu querido, aumente o volume da sua voz e, como fez Bartimeu, grite "Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim"! Não espere tanto pra pedir ajuda...

Há dois fatos sobre ele. Tinha chagas, que eram lambidas pelos cães, e tinha fome, que o fazia desejar o alimento do rico. Seu desejo não era tanto pela cura, embora suas chagas fossem terríveis. Ele desejava alimento. Queria se alimentar mas não podia. Os Lázaros de hoje também estão desejosos por alimento. Ele tem feridas, chagas, mas sua alma anseia mesmo é pelo alimento. Ele entende que ser for alimentado, suas chagas serão curadas. Mas, note, há algo entre ele e o alimento. Uma porta que está fechada.

Lázaro teve um grande galardão no céu. Devemos sempre termos essa viva esperança. Mas repare ainda na cena. Ele doente, a porta fechada, e o alimento após a porta. A cena retratada na história contada pelo Senhor, pode ilustrar muito bem a situação que passamos por diversas vezes. Essa porta há de se abrir. Tem que ser aberta. Os nutrientes daquele alimento são capazes de revigorar e curar toda mazela da alma. Cristo é esse alimento. O Pão Vivo que desceu do céu. Devemos abrir a porta de nossos corações para recebermos esse alimento. Principalmente quando estiver ferido.


Sua situação de cegueira é declarada já no início do texto. Porém, sua mendigues, apenas mais adiante. Começa cego, e mais tarde, é declarado mendigo. Há pessoas assim. Não conseguem ver o que se passa ao seu derredor. Perderam a visão. Não tem mais foco. Não possuem percepção. Como o cego de João capítulo nove, os de hoje sempre foram cegos, de nascença mesmo. É uma herança pecaminosa. Ou essa visão se abre, ou logo o estado de mendigues será declarado!

Interessante notar que somente depois que seus olhos foram abertos é que sua situação de mendigues foi declarada. Que o Espírito Santo abra nossos olhos o mais rápido possível para podermos ver a real situação em que nos encontramos. 

Foi trazido à porta do templo. Não conseguia ir só. Ele precisava que outros o levassem. Não entrava no templo, pois entendia que suas necessidades poderiam ser atendidas apenas na porta do templo. Oh que triste situação. Uma deficiência na alma.

Os coxos de hoje também precisam serem carregados para chegarem à igreja. Até sabem que possuem necessidades, mas não se envolvem, preferem ficar apenas na porta.

No texto do terceiro capítulo de Atos, os dois apóstolos olharam para os olhos do coxo. Ele teve que levantar a cabeça. Em seguida, foi encontrado fé em seus olhos. Isso é muito sugestivo. Levantar a cabeça e ter uma fé verdadeira encontrada nos olhos. Que isso seja soprado a todos que ainda precisam ir ao templo carregado pelos outros. É a esposa que só vai se o esposo ir. O filho que só vai se a mãe for... estes que quando vão, ficam apenas "na porta". 


Pense nisso...

Quatro mendigos, uma valiosa lição. Seja o Bartimeu que demora a levantar sua voz de socorro, o Lázaro ferido que anseia pelo alimento, o cego que mais tarde foi declarado mendigo e o coxo que precisava ser levado pelos outros para ficar apenas na porta... cada uma dessas histórias nos mostram que, mais que a cura física que cada um recebeu, houve um também um tratamento interno, na alma. 

A vida espiritual de um humilde servo do Senhor pode ter momentos de "rampa". São declínios que precisam ser tratados antes que ele chegue a um estado de mendigues espiritual. Esses humildes servos precisam levantar a voz de socorro o quanto antes. Precisam desejar o alimento do Senhor para cura de suas incômodas feridas. Precisam ainda que o Espirito abra seus olhos para enxergarem sua real situação. E, por fim, precisam sair da porta e entrarem de vez no templo!

Amém.

Bispo Erisvaldo Pinheiro Lima
Mensagem ministrada em Junho de 2017
Comunidade Evangélica Arca da Aliança.

sábado, 15 de julho de 2017

A última ministração de Cristo e o último clamor da igreja

Nas últimas páginas bíblicas, temos a última ministração de Cristo e o último clamor da igreja


Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.
E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.


Este é um trecho do último sermão do Senhor Jesus, que foi registrado no último capítulo do último livro da Bíblia Sagrada. Por ser uma mensagem final, é digna de redobrada atenção. No meio da ministração há também o registro da última oração da igreja. Devemos conhecer profundamente esta oração. Acompanhe, querido leitor, palavra por palavra destes impactantes versículos e permita que o Santo Espírito fale contigo: 

  • Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas

Testificar significa testemunhar, comprovar, atestar, afirmar, assegurar...
Jesus se apresenta como aquele que enviou seu anjo para testificar estas coisas. Isso é importante, pois a lei mosaica exigia duas ou três testemunhas idôneas para confirmar algo (Dt 19.15; Mt 18.16; Jo 8.17). Aqui, temos o próprio Senhor Jesus, seu anjo, e mais o testemunho do Apóstolo João que nos testificam a veracidade das coisas mostradas.

Nas igrejas
Local onde estas coisas são testificadas.

Quais são essas coisas? 
META TAI
O Cristo Glorioso ao se apresentar à João em Patmos, ordena que seu servo escreva "as coisas que tens visto, as que são, e as que depois destas hão de acontecer" (Ap 1.19). Esta parte negritada é registrada em grego como META TAI. Isso é importante para entendermos as divisões que existem no livro da revelação. A maioria dos expositores dividem o Apocalipse em três partes:

As coisas que vistes: João viu o Cristo Glorificado andando no meio dos 7 castiçais de ouro (as igrejas) 
As [coisas] que são: Após a visão inicial, João escreve as 7 cartas endereçadas às 7 igrejas da Ásia Menor. São as coisas que são. Note o verbo no tempo presente.
As [coisas] que depois destas hão de acontecer: O capítulo 4 começa com a expressão usada inicialmente pelo Senhor: META TAI. Veja:
Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz, que como de trombeta ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. (Apocalipse 4:1)
A partir do quarto capítulo, seguem as visões dos céus. Aqui, alguns expositores afirmam que as narrativas são um registro da septuagésima semana de Daniel (Dn 9). Onde, do  capítulo 4 ao 11 são os registros da septuagésima semana vista dos céus, enquanto que a partir do capítulo 12, seguem as visões da mesma semana enfocando os acontecimentos na Terra. Importante lembrar que do quarto capítulo em diante, a palavra igreja não aparece mais, o que leva alguns expositores a afirmarem que ela já teria sido arrebatada e, conforme promessa feita à fiel igreja de Filadélfia (Ap 3.10), estaria poupada das terríveis aflições. Assim, as coisas que são, ou seja, a igreja, sempre leria estes trechos no tempo presente. E as coisas que depois destas hão de acontecer, sempre seria uma visão futura para a igreja, uma vez que, quando acontecerem, ela já estaria nos céus, arrebatada.

Desta forma, o livro do Apocalipse se inicia com a visão do Cristo Glorioso revelado. Segue com menção à igreja (a noiva). E descreve a septuagésima semana com enfoque nos acontecimentos do céu e depois, da terra.
Em seguida, como se houvesse um retorno no roteiro, narra o novo céu e a nova terra já restaurada, a esposa do Cordeiro já adornada, e o Cristo Glorioso finalizando a revelação. A Revelação de Patmos começa e termina com o Cristo Glorioso. Ele é o primeiro e o último!

(Querido(a) irmão(ã), para uma análise mais detalhada dos acontecimentos da septuagésima semana, sugiro que acesse estas mensagens deste mesmo blog: Os sete selos do Apocalipse, As sete trombetas do Apocalipse, As sete taças da ira de Deus, A grande Babilônia e a Santa Jerusalém, As duas testemunhas de Apocalipse 11, O livrinho comido por João

  • Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.

O Cristo Glorioso encerra a revelação se descrevendo como a raiz e a geração de Davi.
Há uma notória importância no fato do Filho de Deus ser da geração de Davi. O Salmo 89 relata, e a anunciação do anjo Gabriel ratifica (Lc 1.31-33), que a aliança que Deus fez com Davi seria eterna. Davi teria um reinado sem fim. Seu trono subsistiria para sempre. Sendo a geração de Davi, Cristo confirma a promessa. Na genealogia feita no primeiro capítulo de Mateus, a geração do Senhor Jesus segue na linha paterna e passa por Davi. Na que foi registrada no segundo capítulo de Lucas, ela segue na linha materna e também passa por Davi. Jesus não tinha o sangue de José, seu pai adotivo, mas a genealogia judaica era retratada pela linhagem paterna. Uma dificuldade muito bem resolvida. Tanto José, quanto Maria, eram descendentes de Davi. Um casal unido com um propósito divino para que não houvesse nenhuma margem de erro de que o Filho de Deus de fato fosse da Geração de Davi. Quão bom é quando um casal é unido e permanece unido segundo a vontade de Deus!

Ele também é a raiz de Davi. A raiz sustenta a árvore. Grandes árvores possuem grandes raízes. Este glorioso Senhor é também o sustentador das promessas de Deus. Algo que é importante meditarmos pois a árvore genealógica de Davi não gerou frutos como aquele que foi chamado de segundo o coração de Deus.

O rei Davi teve uma descendência em que não há muito o que se orgulhar. Seu filho introduziu o paganismo no reino ao utilizar o casamento político (1Rs 11.3), Seu neto fragmentou o reino numa divisão que durou até os tempos de Cristo (1Rs 11.43; Jo 4.9). Com algumas exceções, a descendência davídica segue com a notória expressão bíblica:

E andou em todos os pecados que seu pai tinha cometido antes dele; e seu coração não foi perfeito para com o Senhor seu Deus como o coração de Davi, seu pai. (1 Reis 15:3)

A promessa de Deus de que o reinado de Davi não teria fim (aqui se entende dinastia de Davi), numa sequência de pecados sucessivos em sua árvore genealógica, requereria uma grande e forte raiz para ser sustentada. A árvore genealógica de Davi foi sustentada pela sua forte raiz, o Cristo! Sim, o Senhor Jesus é esta raiz. Ele é o sustentador das promessas de Deus. As promessas de Deus direcionadas aos seus humildes servos, ainda que estes não se sintam dignos delas, são sustentadas pelo Senhor Jesus, a Raiz de Davi!

O Senhor Jesus, sendo a raiz e a geração de Davi, assumirá seu governo aqui na Terra e os reinos deste mundo se renderão ao Senhor (Ap 11.15)!

O Senhor Jesus também se descreve como a resplandecente estrela da manhã.

Aqui há uma mensagem consoladora e outra que nos exorta. Consola-nos, pois, ao saber de que após uma noite fria e escura, vêm uma resplandecente estrela iniciando a manhã de um novo dia. Assim, o humilde servo do Senhor ganha força para perseverar. Cristo é o agente desta mudança. Ele muda o tempo de frio e trevas, para um novo tempo de fogo e luz. 

A mensagem também nos exorta, pois, a estrela da manhã (o sol) somente aparece após as estrelas da noite se apagarem. Ou pelo menos o brilho de seu resplendor é tão grande que faz com que as outras estrelas fiquem invisíveis aos nossos olhos. Há estrelas no céu diurno também, mas somente vemos a imponente estrela da manhã. Seu brilho é muito maior ao ponto de ofuscar o brilho das outras. Isso é muito importante, pois há ministros que se consideram estrelas. São brilhantes demais. São estrelas no louvor, na pregação, no púlpito. Verdade é que o Senhor Jesus somente se manifesta quando essas estrelas perdem seus brilhos. Podem até existir ministros brilhantes. São bons no que fazem. Mas a única estrela visível deve ser apenas daquele que se chamou de A Resplandecente Estrela da Manhã. Que o Santo Espírito no ensino isso. Façamos, mas que Ele apareça!

  • E o Espírito e a esposa dizem: Vem. 

Diante dessas coisas mostradas. De tão valiosa revelação. Insondáveis promessas. Gloriosa esperança... há uma só oração da igreja. Um único grito e clamor é mencionado pelo Senhor. É quando o Espírito e a igreja dizem: Vem.

Um grito indissociável entre o Espírito e a igreja. Não falam separadamente, mas o Espírito precede e impulsiona. A esposa é a condição futura da noiva, que hoje é a igreja. O Espírito grita na igreja. A igreja somente tem voz pelo Espírito. Ambos querem Cristo. Anseiam, desejam, suspiram, gritam VEM!

A igreja, que hoje é noiva e que um dia será tomada por esposa do Cordeiro de Deus, não se prende com as preocupações deste século. Ela sabe que há uma glória esperando-a. Essa igreja não pára e não perde tempo com intrigas e facções. Ela apenas arde de desejo pela volta de seu Senhor. É uma igreja que pode até estar ferida, perseguida, atribulada, mas a visão da glória que está sendo preparada faz com que ela levanta a cabeça e suspira um verdadeiro e esperançoso vem!

  • E quem ouve, diga: Vem.

Há outro grupo que parece não pertencer ao primeiro. Um grupo que não tem o Espírito. Que não é igreja. Não há como ter o Espírito e não ser igreja... não há como ser igreja, sem ter o Espírito. Esse segundo grupo escuto o clamor do primeiro. Dá ouvidos e repete vem. Nisso, se iguala ao primeiro grupo. Acaba desejando a mesma coisa que o primeiro. E se torna igual e pertencente ao primeiro. 

O anseio do Espírito e da igreja por Cristo agrega outros grupos. É o único grito que pode entoar a ponto de ultrapassar os limites e ser audível a outros. Oh que belo grito, que misteriosa evangelização, que sejamos impulsionados pelo Espírito a clamar Vem, vem, vem Senhor Jesus!

Veja que no término da revelação, após o Senhor Jesus já ter encerrado o Apocalipse com seu Amém, o apóstolo João só tem um clamor, uma única adoração em oração a proclamar, ele disse: Ora, vem Senhor Jesus!

É a última oração da igreja do Apocalipse. A igreja que tem a visão. A que está mesclada com o Espírito. Precedida e impulsionada pelo Espírito. A igreja que é noiva hoje e se tornará esposa em glória com seu Senhor. Essa igreja ora, grita, clama e conclama: Ora, vem Senhor Jesus! É uma igreja que é ouvida por quem está fora dela. Ela se faz ouvir pelo seu clamor. Que agrega e que traz para si os que estão de fora. Seu poder está nesse desejo verdadeiro pela vinda de seu Senhor. Por isso, ela não se prende à questões temporais. Não se suja, nem comete injustiça. Pelo contrário, ela se santifica mais e se justifica mais e mais pelo sangue de seu Redentor. 


  • E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.

Como foi feito nos tempos de Gideão, aqui o Senhor Jesus filtra os que ouviram e ergueram a voz no último grito da igreja. Aqueles que proclamam VEM serão provados. Serão filtrados como nos tempos de Gideão. 

Em resposta ao grito VEM da igreja, o Senhor Jesus reage dizendo quem tem sede venha. Repare primeiro esse encontro anunciado. O Noivo escuta sua Noiva chamando-o. Sua reação é chamá-la também. Oh que linda cena para ser meditada. O Noivo não se contenta em apenas ir ao encontro de sua amada. Ele pede que sua amada também venha ao seu encontro. Apesar desse anseio por parte do Noivo pela sua noiva, ele ainda faz três exigências. Testemunhamos um lindo amor por parte dEle, mas também um sensato nível de critério.

Suas exigências são feitas em dois momentos. Os que tem sede, e, consequentemente, os que querem tomar de graça da água da vida. Repare nisso. O grupo inicial era formado pelos que deram ouvido. Nos tempos de Gideão, seu exército foi formado pelos que ouviram sua convocação. Eram 32.000 convocados. A exigência divina fez com que esse número fosse reduzido para 10.000. Covardes ficariam de fora. E por último, a exigência divina fez com que esse número fosse reduzido a apenas 300 homens. O critério de seleção nos ensina muito. O Senhor avaliou a forma que os guerreiros bebiam água. Não esqueça que é o Senhor que avalia a sede de seu povo. Nunca devemos esquecer que o Senhor tem em medida o tamanho de nossa sede!

No convite do Senhor também há semelhantes critérios. Do grupo dos que deram ouvidos, ficariam apenas os que tem sede. E não esqueça, querido leitor, que Ele avalia nossa sede. E ainda desse restante grupo, o Senhor chama os que realmente querem tomar de graça da água da vida. Essa misteriosa água da vida não pode ser bebida de qualquer jeito. Assim como os combatentes de Gideão não poderiam beber aquela água de qualquer jeito. Essa misteriosa água da vida somente é ingerida de graça.

Pense nisso...
Como se fosse um funil. O grupo chamado de Noiva é passado por uma seleção. Ficam os que tem sede. E destes, bebem da água da vida somente os que o fazem pela graça. Que o Espírito nos convença de que alcançaremos essas fontes que jorram água viva somente se dermos ouvido, e se realmente tivermos sede, e, por último, se bebermos pela sua Graça.

Que a igreja do Senhor, atenta a todas ministrações de seu Cristo, em especial à sua última registrada nas Sagradas Escrituras, possa liberar sua última oração enquanto ainda está nesta Terra. Vem Jesus!

Ora, Vem Senhor Jesus. Amém!

Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Mensagem ministrada em 15 de Julho de 2017, na 14ª Convenção Ministerial da Comunidade Evangélica Arca da Aliança.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Marta e Maria e as correrias da obra

Cristo em Casa de Marta e Maria. 1578, de Tintoretto.Dim. 170 X 145 cm. Óleo sobre tela. Pinacoteca , Munique
Lucas 10.38-42

Correria significa ato ou efeito de correr, corre-corre, grande pressa... e por aí vai. Os obreiros da Casa do Senhor sabem definir a correria bem melhor que o dicionário. Ensaios, apresentações, confecção de roupas, afinação de instrumentos, evento, agenda, congressos... um obreiro sabe o quanto essas coisas requer muita correria do humilde servo do Senhor.

No livro "Nas garras da Graça", o ilustríssimo Max Lucado nos conta de forma ímpar um assalto a banco que fez Robertson. Um ladrão de banco por demais apressado. E por isso, atrapalhado. A pressa é perigosa quando se quer fazer algo importante. Robertons fez um pedido de empréstimo num banco e voltou algumas horas depois para roubar ali. Entrou com um bilhete de assalto, uma arma e as chaves do carro que pegou emprestado de um amigo. Saiu correndo do banco com o saco de dinheiro, com a arma e com a chave do carro... isso mesmo, esquecera o bilhete. Correu de volta para pegar o bilhete que poderia incriminá-lo e quando chegou no carro percebeu que agora havia esquecido a chave no banco. Teve que fugir correndo mesmo. Sua correria o fez esquecer o bilhete e agora a chave... Sim, ele foi capturado. Seu próprio amigo ligou para a polícia, pois o ladrão atrapalhado disse que o carro tinha sido roubado... Sua correria desenfreada lhe rendeu o título de ladrão atrapalhado.

Convido a você, querido(a) leitor(a), a entrar numa casa onde também teve uma correria impressionante. É certo que foi por uma causa mais nobre que a do ladrão que contei acima. A correria nessa casa tinha o objetivo de servir ao Senhor Jesus. Antes de começarmos, repare que os quatro versículos dessa história de Marta podem ser divididos em três cenas, e cada uma com uma importante verdade. Veja:


  • 1ª Cena:



Marta recebe o Senhor Jesus em sua casa. Seu nome significa Senhora do lar, dona de casa, cuidadosa, prestativa. Pode muito ser também uma irmã-mãe, uma vez que a casa em questão pertencia a ela e nada é mencionado sobre seus pais.

Juntamente com sua irmã, Marta se assenta aos pés do Senhor e escuta a sua palavra. Note, querido irmão, que a expressão "Maria também sentou-se" indica que as duas estavam inicialmente sentadas. Marta primeiro e depois sua irmã se sentaram para ouvir as palavras do Senhor.

Marta ficou um certo tempo ali sentada, ouvindo. Depois ficou servindo e ouvindo. Até que se distraiu com os afazeres da importante obra de servir o Senhor e parou de ouvir. Ela queria fazer algo por ele. Algo natural, pois ela era a anfitriã. Mas, o texto mostra que era o Senhor que queria fazer algo por ela, ensiná-la. Nos muitos afazeres ela se distraiu e parou de ouvir. Triste coisa para o admirador de Cristo é querer agradá-lo sem ouvi-lo.

Aqui aprendemos uma primeira verdade: NEM TODOS QUE RECEBEM O SENHOR JESUS EM SEUS LARES, CONTINUAM ASSENTADOS AOS SEUS PÉS OUVINDO SUA PALAVRA!

Os muitos afazeres da obra tendem a distrair os humildes servos do Senhor. Nunca podemos esquecer de que Ele não precisa de nós, somos nós que precisamos dEle. A grande obra da redenção foi Ele quem fez. Precisamos ouvir sua palavra. Até podemos tentar fazer algo por Ele, mas antes e durante, devemos ficar atentos à sua voz. Quando diminuímos o volume e intensidade de sua palavra em nossos corações, ficamos distraídos com os muitos afazeres. Isso é perigoso. Que o Santo Espírito nos alerte quanto sobre isso. 


  • 2ª Cena



Marta agora está distraída em muitos serviços. Sua correria a leva a indagar o Mestre para que sua irmã a ajude. Mais que fazer esse aflito pedido, ela o questiona se ele não se importa em vê-la trabalhando tanto enquanto que sua irmã está ali, 'parada'. Sua distração lhe pregou uma peça. Ela se analisou como alguém que estava fazendo algo útil ao Mestre que estava ali em sua casa.

Nesta segunda cena, vemos nitidamente uma outra verdade que devemos considerar: NÃO QUEIRA QUE SEU IRMÃO SIRVA AO SENHOR DO MESMO JEITO QUE VOCÊ.

Lembre-se que a repreensão do Senhor não veio quando Marta se levantou para servir. Na verdade, a palavra diz que ela  se distraiu e assim o Senhor a repreendeu quando ela quis que sua irmã o servisse do mesmo jeito que ela. Irmãos que já estão distraídos é que pensam desse jeito. Esses distraídos querem se comparar com os outros, julgar os outros, estão servindo e preocupados com outros irmãos que estão, aparentemente, parados. Verdade é que deixaram de ouvir a palavra e se distraíram com os afazeres da obra.


  • 3ª Cena



Antes de responder a pergunta e sugestão de Marta, o Senhor Jesus a descreve. Aquela casa precisava dEle. Marta, a senhora daquela casa precisava dEle. Parece que ela não se deu conta disso. Tudo que ela queria fazer era servi-lo... tudo que Jesus queria era curá-la. Ela ainda não estava convencida de que precisava de algo. Agia como se fosse ela quem pudesse oferecer algo.

Talvez por isso, o Senhor Jesus tenha sido bem direto em descrevê-la: "Marta, Marta, estás ansiosa e fadigada com muitas coisas..."

Aprendemos algo notório aqui: JESUS DESCREVE EXATAMENTE COMO ESTAMOS.

Analisando a cena, podemos descrever Marta com vários adjetivos. Jesus, acertadamente, usa apenas dois. Ela estava ansiosa e fadigada. Isso é notório porque em nossos momentos de cansaço, podemos nos descrever com vários adjetivos... podemos ser a Marta agoniada, presunçosa, fraca, reclamona... e  por aí vai... Nesta cena, o nosso Mestre conhece bem aquela anfitriã. Ela estava apenas ansiosa e cansada. Não que isso seja pouco. Mas quem já esteve cansado pelos muitos afazeres da obra sabe que um turbilhão de adjetivos vem quando não conseguimos fazer o que pretendíamos fazer. É comum ouvir de alguém que organizou um evento "nunca mais eu faço outro evento", e no próximo, lá está o irmão organizando outro...

Repare nisso também... Jesus não disse que Marta era ansiosa e fadigada. Ele disse apenas que ela estava ansiosa e fadigada. Ela não era uma pessoa assim. Ela estava sendo uma pessoa assim. Isso é por demais notório, uma vez que as Martas que estão com várias tarefas na obra do Senhor, as vezes, se consideram como uma pessoa ansiosa... Marta não era, Marta estava!

Marta estava ansiosa e fadigada. A ansiedade pode ser fruto de uma preocupação. E se for moderada, não é algo tão ruim. Mas quando esse sentimento toma conta de uma pessoa deixando-a em estado fadigado... então, há que ser feito algo. Jesus quis fazer algo para tratar isso. E se o Senhor quis tratar a ansiedade que é acompanhada com a sensação de cansaço, nos sinaliza que essa soma pode nos fazer muito mal.

Muitos humildes servos do Senhor se empenham em fazer algo em prol da obra de Deus. Querem ser útil de alguma forma. Retribuir tamanha obra que seu Senhor fez por ele. Mas quando esse fazer muito passa a causar ansiedade acompanhada com cansaço aí já passou da hora de voltarmos a se assentar aos seus pés e ouvir o que Ele tem a nos dizer.

Pense nisso...

E o que pode ser usado para curar a ansiedade e fadiga de Marta?
A resposta do Senhor aponta para isso. Sua palavra é a cura para qualquer ansiedade e fadiga. Pedro sintetizou bem isso quando disse "para onde irei se só tu tens as palavras de vida eterna" (Jo 6.68). Vida eterna não combina com ansiedade, fadiga, pressa, cansaço ou situações e sentimentos semelhantes a esses. Aquele que tinha as palavras de vida eterna estava ali, na casa de Marta, tão perto. Este mesmo cuidadoso Senhor pode estar tão próximo em nossos momentos de ansiedade e cansaço!

Quando Ele diz "ela escolheu a melhor parte", está se referindo à sua própria palavra. Oh meu querido irmão e irmã... que o Santo Espírito nos ensine isso... esta é de fato a melhor parte. Tudo que se pode fazer na obra, seja em atividades e cronogramas, ensaios e apresentações... toda a correria da obra tem que ser dado pausas e mais pausas para nos assentarmos e ouvirmos a palavra deste atento Senhor. Ele continua entrando na intimidade de famílias e lares... precisamos não apenas nos assentarmos para ouvi-lo... precisamos continuarmos e permanecermos assentados ouvindo. Sua palavra nos trata e cura. Trata nossa visão apontadora, tirando-a de nosso irmão que faz ou não faz algo, e a direciona para a trave de nossos próprios olhos. Só Ele nos convence de que precisamos de tratamento. Sua palavra ainda nos descreve como ninguém. Exatamente da forma que estamos, sem mais (para não ser acusação), nem menos (para não ser permissivo). Descreve para curar!

Aceitaria uma sugestão deste irmão de obra? Pare tudo agora... dê uma pausa... pare e se abaixe até a altura dos pés do Senhor Jesus... e escute o que Ele está te dizendo. Escute sua palavra. E permaneça sempre assim, humildemente reclinado e ouvindo atentamente suas palavras de vida eterna.


Que possamos ouvir atentamente a palavra daquele que um dia entrou na casa de Marta e Maria, e continua querendo entrar em outras tantas casas onde se deseja ouvir sua voz!

Paz do Senhor!
Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Palavra ministrada em 23 de Junho de 2017 na Comunidade Evangélica Arca da Aliança.

segunda-feira, 13 de março de 2017

6 lições do vale de ossos secos

Vale de ossos secos

Ezequiel 37

1 Veio sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos.
2 E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos.
3 E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor DEUS, tu o sabes.
4 Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.
5 Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis.
6 E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor.
7 Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso.
8 E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito.
9 E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.
10 E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo.
11 Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados.
12 Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel.
13 E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu.
14 E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o SENHOR, disse isto, e o fiz, diz o SENHOR

O capítulo 37 de Ezequiel talvez seja o mais conhecido de seu livro. Nesta visão, o Senhor leva o profeta com suas próprias mãos e o coloca no meio de um vale repleto de ossos secos. Mais adiante, o profeta é instruído que aqueles ossos são a casa de Israel. O povo de Deus estava cativo na Babilônia. Deus iria mostrar nesta impactante visão, o quanto o peso de sua aliança poderia restaurar uma nação inteira. Uma valiosa lição de seu amor e poder. Por isso, querido(a) leitor(a), te convido a meditar nas seis lições do vale de ossos secos.





  • A mão de Deus


Repare que o profeta estava nas mãos de Deus. E porque ele estava nas mãos do Senhor, o povo receberia a promessa de restauração. O povo seria beneficiado porque o profeta estava nas mãos do Senhor. Isso é muito importante e sugestivo para nós. Quando o ministro se dispõe a ficar inteiramente nas mãos do Senhor, o povo é beneficiado. Creio que se você ficar inteiramente nas mãos do Senhor, pessoas poderão ser beneficiadas.


  • O vale


Vales são geralmente cercados de montanhas, o que proporciona belas paisagens. Mas neste vale, a paisagem era de morte. Estando no meio do vale, o profeta viu que ali estava cheio de ossos.


Estando a passar em volta deles, impulsionado pelo Senhor, o profeta teve uma descrição mais nítida. Ele descreve o vale como um lugar com “mui numerosos’ ossos que estavam “sequíssimos”. A visão e compreensão aumentaram. No meio do vale, o profeta teve apenas uma visão parcial dali. Ao ser direcionado por Deus a passar em volta dele, a visão  ficou mais nítida. Antes de qualquer situação restauradora de Deus, o profeta precisou aumentar sua compreensão do vale… Há situações em que nossa vida não vai pra frente, e andamos em círculos que não terminam… são situações em que precisamos apurar nossa visão, aumentando nossa compreensão. São situações em que precisamos aprender mais.


  • A pergunta


Depois que teve a visão mais detalhada do vale, o profeta recebe uma pergunta intrigante do Senhor. PODE ESSES OSSOS TEREM VIDA? Repare que a pergunta não foi POSSO FAZER ESSES OSSOS TEREM VIDA?  Não há dúvida no profeta em que o seu Deus possa operar maravilhas. A dúvida, porém, é se o povo poderia receber (ou fazer por merecer) essas maravilhas do Senhor.


O profeta sabendo do poder restaurador do Senhor e, ao mesmo tempo, conhecendo a vida pecaminosa do povo, se coloca imparcial e na dependência da presciência de Deus: TU O SABES, ele respondeu


  • A profecia


Deus ordena que o profeta liberasse duas profecias. A primeira seria dirigida ao ossos secos. A segunda, ao espírito. Na primeira profecia, os ossos deveriam ouvir a palavra. Na segunda, o Espírito deveria soprar vida.


A palavra tem o efeito de juntar, pôr em ordem. O Espírito completa o efeito da palavra. dando vida e colocando de pé. Um complementa o outro. Primeiro, a palavra, e após ela, o Espírito. Devemos nos atentar para esta sequência. A situação decadente de Israel ganharia uma esperança de restauração por meio da palavra liberada por Deus. A palavra proveniente de Deus (Jo 1.1; Ap 19.13), iria juntar os ossos secos, pondo ordem na sequência da morte (1Co 15.55-56). E o Espírito, que viria em seguida, continuaria a obra da palavra (Jo 14.16), dando vida (Jo 6.63), levantando o povo de Deus, e por fim, formando um exército (Ap 19.14).


  • A situação


O Senhor relata exatamente a situação que seu povo vivia:
  1. nossos ossos secaram
  2. pereceu nossa esperança
  3. estamos cortados


Veja que essa situação é bem forte. “Ossos se secaram” mostram que a situação era tão deprimente quanto ver algo se secando aos poucos. Os ossos sustentam o corpo. As forças do povo foi se diminuindo aos poucos até se acabarem. E por isso, perderam a esperança de que aquela situação de cativeiro terminaria. A sensação deles era de que haviam sidos cortados, ou seja, era uma situação de dor. Mesmo tendo sido em decorrência de seus próprios pecados, fato que o Senhor não menciona neste trecho, é uma descrição bastante triste mesmo.


  • A restauração


Deus libera quatro valiosas promessas, veja:


  1. Abrirei vossos sepulcros
  2. Vos farei subir da vossa sepultura
  3. E vos trarei à terra de Israel
  4. E porei em vós o meu Espírito


Repare que as três primeiras promessas apontam literalmente para Israel cativo na Babilônia. Deus abriria aquele lugar, levantaria seu povo e os trariam de volta para sua terra (Et 1-10).  Mostrando o tamanho amor e peso da aliança que o Senhor Deus tinha com seu povo.

Mas, a quarta promessa alonga o alcance das três primeiras. O Espírito foi derramado em Atos 2 na igreja. Por isso, a quarta promessa coloca as anteriores também para a igreja. Estávamos presos em nossos próprios sepulcros, presos pelo pecado (At 8.23). Através do vivo e novo caminho (Hb 10.20), o Senhor Jesus nos tirou dessa sepultura e nos levará para um novo lugar preparado por ele mesmo (Jo 14.3). O selo pra isso é o seu Espírito (Ef 1.13). Que esse Espírito nos mostre esse lugar. Q ue Ele nos faça ansiar por esse lugar. Prossigamos para esse alvo. Que nada não venha nos parar.


Que a Palavra Viva nos junte e o Espírito Santo nos coloque de pé.

Bispo Erisvaldo Pinheiro Lima
Comunidade Evangélica Arca da Aliança
Mensagem ministrada em Março de 2017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Estudo bíblico: o verdadeiro jejum

O verdadeiro jejum nos moldes bíblicos
Isaías 58

Isaías 58 - O verdadeiro jejum


A religiosidade vazia de Israel é exposta neste capítulo. O povo de Deus tinha assumido uma posição "santarrona" durante os cultos, acompanhado de votos de jejuns ostentosos, mas seguidos das mesmas antigas ações impiedosas e maldosas. Verdade é que nenhum ato religioso tem importância se não for acompanhado de uma vida piedosa, com observância da Palavra e uma sincera compaixão para com aqueles que estão passando por necessidades.

O profeta declara o pecado e transgressão de Israel, ao mesmo tempo em que eles procuravam Deus a cada dia e tinham prazer nos caminhos do Senhor. Uma religiosidade em atitudes de bondade para com o próximo. Certamente, uma prática que deve ser meditada pelos humildes servos do Senhor.

Deus passa seu “raio-x” e enumera 10 atos que constituíam (e continua sendo) erradamente o jejum de Israel. Veja:

  • Questionamentos - v.3
  • Afligir a alma para atrair a Deus - v.3-5
  • Contentar-se, ou seja, uma atitude de inércia espiritual - v.3
  • Requerer todo trabalho, acumulando em si a glória - v.3
  • Contendas e debates - v.4
  • Ferir com o próprio punho - v.4
  • Fazer ouvir a voz em público, situação que foi combatido pelo Senhor Jesus no Sermão do Monte - v.4
  • Inclinar cabeça como o junco, causando a impressão piedosa - v.4
  • Estender debaixo de nós saco e cinza
  • Ter uma feição triste, desfigurando o rosto para ser visto pelos homens. Situações também combatidas pelo Senhor Jesus no Sermão do Monte.

Assim, Deus declara exatamente como é o jejum que Ele aceita:

  • Soltando as ligaduras da impiedade - v.6
  • Desfazendo as ataduras do jugo - v.6
  • Deixando livre os quebrantados - v.6
  • Despedaçando todo jugo - v.6 (repare o quanto essas expressões são fortes, mostrando o quanto esses atos impiedosos devem ser combatidos)
  • Repartindo o pão com o faminto - v.7
  • Recolhendo em casa os pobres desterrados - v.7
  • Cobrindo o nu - v.7
  • Não se escondendo daqueles que são nossa carne - v.7
  • Tirando do nosso meio o jugo - v.9
  • Tirando o estender o dedo - v.9
  • Tirando o falar vaidade - v.9
  • Abrindo a alma ao faminto - v.10
  • E fartando a alma aflita - v.10

Em seguida, o Senhor lista as belíssimas consequências e promessas desse verdadeiro jejum:

  • A tua luz romperá como a alva - v.8
  • A tua cura apressadamente brotará - v.8
  • A tua justiça irá adiante a tua face - v.8
  • A glória do Senhor será a tua retaguarda - v.8
  • Clamarás e o Senhor te responderá - v.9
  • Gritarás e o Senhor dirá: Eis me aqui - v.9
  • Tua luz nascerá nas trevas - v.10
  • A tua escuridão será como o meio-dia - v.10
  • O Senhor te guiará continuamente - v.11
  • Fartará tua alma em lugares secos - v.11
  • Fortalecerás teus ossos - v.11
  • Será como um jardim fechado - v.11
  • Será como um manancial cujas águas nunca faltam - v.11
  • Os que de ti procederem edificarão os lugares antigamente assolados - v.12
  • Levantarás os fundamentos de geração em geração - v.12
  • Chamar-te-ão reparador de rotura - v.12
  • Chamar-te-ão restaurador de veredas para morar - v.12



Bases bíblicas para o jejum


 
Jejum e oração não devem ser usados como moeda de troca para nos fazermos merecedores da bênção do Senhor. Na verdade, imerecidos que somos (Rm 3.23), a prática do jejum e oração ajuda a nos alinharmos com a sua Palavra e a sua vontade soberana.

1- Exemplos de Jejum bíblico
  • Demônios eram expulsos (Mt 17.14-21)
  • Presbíteros eram consagrados (At 14.23)
  • Nínive foi salva do juízo divino (Jn 2-3)
  • Israel celebra um dia de jejum - Dia da expiação (Nm 29.7; At 27.9)
  • Paulo jejuou 3 dias (At 9.9)
  • A igreja de Antioquia jejuou (At 13.2)
  • O Senhor Jesus começou seu ministério com jejum (Mt 4.2)

2- Tipos de jejum
  • Normal: abstinência de alimento, mas não de água (Mt 4.2)
  • Absoluto: abstinência de alimentos e água (At 9.9; Êx 34.28)
  • Parcial: abstinência de certos alimentos (Dn 1.12)

3- Formas de jejum
  • Regular, geralmente coletivo (Lv 23.27; At 27.9; Zc 8.19)
  • Público (IICr 20.1-4; Jr 3.6-7)
  • Ocasional ou emergencial (Ed 10.3-5; Js 7.6)
  • Convocado (Ed 8.21-23; Et 4.16-17)
  • Pessoal (Dn 9.2-3)

4- Propósitos do jejum
  • Buscar direcionamento de Deus (Dt 5.31)
  • Receber a Palavra (Dt 9.9-11)
  • Interceder pela nação (Dt 9.18-20; 25-29; Dn 9.3)
  • Enfrentar satanás e suas tentações (Mc 9.29; Mt 4.1-2)
  • Para humilhar-se diante do Senhor (Sl 69.10; Ed 8.21)

5- Duração
  • Deus deve nos dar a direção
  • Uma noite (Dn 6.18)
  • Um dia (Ed 8.21-23)
  • Três dias (Et 4.3)
  • Vinte e um dias (Dn 10.2-3)
  • Quarenta dias, Moisés (Êx 24.18; 34.28; Dt 9.9-18); Elias (IRs 19.8); Jesus Cristo (Mt 4.2)

6- Quando devemos jejuar
  • Quando o Espírito Santo nos orienta (Lc 4.1-5)
  • Quando a igreja é chamada para isso (Jl 1.14-2.15)
  • Quando se prepara para o ministério (Mt 4.2)

7- Como jejuar?
  • Arrependimento e perdão (IJo 4.8)
  • Ore sem cessar (ITs 5.17)
  • Não faça propaganda (Mt 6.16-18)
  • Devemos nos humilhar (Sl 35.13)

Se você tem problema de saúde, a prática do jejum deve ser antecedida pela orientação médica. Jejum não é contra o nosso corpo, mas contra a nossa carne. Não é regime e nem penitência.
 
 
Que o Santo Espírito nos direcione ao verdadeiro e importante ato de jejuar


Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Estudos ministrados durante o mês de Fevereiro de 2017
Comunidade Evangélica Arca da Aliança 

Fontes de pesquisas:

Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de estudo Dake - Finis Jennings Dake
Comentário Bíblico Moody - Editado por Everett F. Harrison
Restaurando doutrinas da Igreja do primeiro século: manual para formar discípulos. Marcelo Miranda Guimarães. Ed. Ames