sábado, 15 de julho de 2017

A última ministração de Cristo e o último clamor da igreja

Nas últimas páginas bíblicas, temos a última ministração de Cristo e o último clamor da igreja


Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.
E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.


Este é um trecho do último sermão do Senhor Jesus, que foi registrado no último capítulo do último livro da Bíblia Sagrada. Por ser uma mensagem final, é digna de redobrada atenção. No meio da ministração há também o registro da última oração da igreja. Devemos conhecer profundamente esta oração. Acompanhe, querido leitor, palavra por palavra destes impactantes versículos e permita que o Santo Espírito fale contigo: 

  • Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas

Testificar significa testemunhar, comprovar, atestar, afirmar, assegurar...
Jesus se apresenta como aquele que enviou seu anjo para testificar estas coisas. Isso é importante, pois a lei mosaica exigia duas ou três testemunhas idôneas para confirmar algo (Dt 19.15; Mt 18.16; Jo 8.17). Aqui, temos o próprio Senhor Jesus, seu anjo, e mais o testemunho do Apóstolo João que nos testificam a veracidade das coisas mostradas.

Nas igrejas
Local onde estas coisas são testificadas.

Quais são essas coisas? 
META TAI
O Cristo Glorioso ao se apresentar à João em Patmos, ordena que seu servo escreva "as coisas que tens visto, as que são, e as que depois destas hão de acontecer" (Ap 1.19). Esta parte negritada é registrada em grego como META TAI. Isso é importante para entendermos as divisões que existem no livro da revelação. A maioria dos expositores dividem o Apocalipse em três partes:

As coisas que vistes: João viu o Cristo Glorificado andando no meio dos 7 castiçais de ouro (as igrejas) 
As [coisas] que são: Após a visão inicial, João escreve as 7 cartas endereçadas às 7 igrejas da Ásia Menor. São as coisas que são. Note o verbo no tempo presente.
As [coisas] que depois destas hão de acontecer: O capítulo 4 começa com a expressão usada inicialmente pelo Senhor: META TAI. Veja:
Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz, que como de trombeta ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. (Apocalipse 4:1)
A partir do quarto capítulo, seguem as visões dos céus. Aqui, alguns expositores afirmam que as narrativas são um registro da septuagésima semana de Daniel (Dn 9). Onde, do  capítulo 4 ao 11 são os registros da septuagésima semana vista dos céus, enquanto que a partir do capítulo 12, seguem as visões da mesma semana enfocando os acontecimentos na Terra. Importante lembrar que do quarto capítulo em diante, a palavra igreja não aparece mais, o que leva alguns expositores a afirmarem que ela já teria sido arrebatada e, conforme promessa feita à fiel igreja de Filadélfia (Ap 3.10), estaria poupada das terríveis aflições. Assim, as coisas que são, ou seja, a igreja, sempre leria estes trechos no tempo presente. E as coisas que depois destas hão de acontecer, sempre seria uma visão futura para a igreja, uma vez que, quando acontecerem, ela já estaria nos céus, arrebatada.

Desta forma, o livro do Apocalipse se inicia com a visão do Cristo Glorioso revelado. Segue com menção à igreja (a noiva). E descreve a septuagésima semana com enfoque nos acontecimentos do céu e depois, da terra.
Em seguida, como se houvesse um retorno no roteiro, narra o novo céu e a nova terra já restaurada, a esposa do Cordeiro já adornada, e o Cristo Glorioso finalizando a revelação. A Revelação de Patmos começa e termina com o Cristo Glorioso. Ele é o primeiro e o último!

(Querido(a) irmão(ã), para uma análise mais detalhada dos acontecimentos da septuagésima semana, sugiro que acesse estas mensagens deste mesmo blog: Os sete selos do Apocalipse, As sete trombetas do Apocalipse, As sete taças da ira de Deus, A grande Babilônia e a Santa Jerusalém, As duas testemunhas de Apocalipse 11, O livrinho comido por João

  • Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.

O Cristo Glorioso encerra a revelação se descrevendo como a raiz e a geração de Davi.
Há uma notória importância no fato do Filho de Deus ser da geração de Davi. O Salmo 89 relata, e a anunciação do anjo Gabriel ratifica (Lc 1.31-33), que a aliança que Deus fez com Davi seria eterna. Davi teria um reinado sem fim. Seu trono subsistiria para sempre. Sendo a geração de Davi, Cristo confirma a promessa. Na genealogia feita no primeiro capítulo de Mateus, a geração do Senhor Jesus segue na linha paterna e passa por Davi. Na que foi registrada no segundo capítulo de Lucas, ela segue na linha materna e também passa por Davi. Jesus não tinha o sangue de José, seu pai adotivo, mas a genealogia judaica era retratada pela linhagem paterna. Uma dificuldade muito bem resolvida. Tanto José, quanto Maria, eram descendentes de Davi. Um casal unido com um propósito divino para que não houvesse nenhuma margem de erro de que o Filho de Deus de fato fosse da Geração de Davi. Quão bom é quando um casal é unido e permanece unido segundo a vontade de Deus!

Ele também é a raiz de Davi. A raiz sustenta a árvore. Grandes árvores possuem grandes raízes. Este glorioso Senhor é também o sustentador das promessas de Deus. Algo que é importante meditarmos pois a árvore genealógica de Davi não gerou frutos como aquele que foi chamado de segundo o coração de Deus.

O rei Davi teve uma descendência em que não há muito o que se orgulhar. Seu filho introduziu o paganismo no reino ao utilizar o casamento político (1Rs 11.3), Seu neto fragmentou o reino numa divisão que durou até os tempos de Cristo (1Rs 11.43; Jo 4.9). Com algumas exceções, a descendência davídica segue com a notória expressão bíblica:

E andou em todos os pecados que seu pai tinha cometido antes dele; e seu coração não foi perfeito para com o Senhor seu Deus como o coração de Davi, seu pai. (1 Reis 15:3)

A promessa de Deus de que o reinado de Davi não teria fim (aqui se entende dinastia de Davi), numa sequência de pecados sucessivos em sua árvore genealógica, requereria uma grande e forte raiz para ser sustentada. A árvore genealógica de Davi foi sustentada pela sua forte raiz, o Cristo! Sim, o Senhor Jesus é esta raiz. Ele é o sustentador das promessas de Deus. As promessas de Deus direcionadas aos seus humildes servos, ainda que estes não se sintam dignos delas, são sustentadas pelo Senhor Jesus, a Raiz de Davi!

O Senhor Jesus, sendo a raiz e a geração de Davi, assumirá seu governo aqui na Terra e os reinos deste mundo se renderão ao Senhor (Ap 11.15)!

O Senhor Jesus também se descreve como a resplandecente estrela da manhã.

Aqui há uma mensagem consoladora e outra que nos exorta. Consola-nos, pois, ao saber de que após uma noite fria e escura, vêm uma resplandecente estrela iniciando a manhã de um novo dia. Assim, o humilde servo do Senhor ganha força para perseverar. Cristo é o agente desta mudança. Ele muda o tempo de frio e trevas, para um novo tempo de fogo e luz. 

A mensagem também nos exorta, pois, a estrela da manhã (o sol) somente aparece após as estrelas da noite se apagarem. Ou pelo menos o brilho de seu resplendor é tão grande que faz com que as outras estrelas fiquem invisíveis aos nossos olhos. Há estrelas no céu diurno também, mas somente vemos a imponente estrela da manhã. Seu brilho é muito maior ao ponto de ofuscar o brilho das outras. Isso é muito importante, pois há ministros que se consideram estrelas. São brilhantes demais. São estrelas no louvor, na pregação, no púlpito. Verdade é que o Senhor Jesus somente se manifesta quando essas estrelas perdem seus brilhos. Podem até existir ministros brilhantes. São bons no que fazem. Mas a única estrela visível deve ser apenas daquele que se chamou de A Resplandecente Estrela da Manhã. Que o Santo Espírito no ensino isso. Façamos, mas que Ele apareça!

  • E o Espírito e a esposa dizem: Vem. 

Diante dessas coisas mostradas. De tão valiosa revelação. Insondáveis promessas. Gloriosa esperança... há uma só oração da igreja. Um único grito e clamor é mencionado pelo Senhor. É quando o Espírito e a igreja dizem: Vem.

Um grito indissociável entre o Espírito e a igreja. Não falam separadamente, mas o Espírito precede e impulsiona. A esposa é a condição futura da noiva, que hoje é a igreja. O Espírito grita na igreja. A igreja somente tem voz pelo Espírito. Ambos querem Cristo. Anseiam, desejam, suspiram, gritam VEM!

A igreja, que hoje é noiva e que um dia será tomada por esposa do Cordeiro de Deus, não se prende com as preocupações deste século. Ela sabe que há uma glória esperando-a. Essa igreja não pára e não perde tempo com intrigas e facções. Ela apenas arde de desejo pela volta de seu Senhor. É uma igreja que pode até estar ferida, perseguida, atribulada, mas a visão da glória que está sendo preparada faz com que ela levanta a cabeça e suspira um verdadeiro e esperançoso vem!

  • E quem ouve, diga: Vem.

Há outro grupo que parece não pertencer ao primeiro. Um grupo que não tem o Espírito. Que não é igreja. Não há como ter o Espírito e não ser igreja... não há como ser igreja, sem ter o Espírito. Esse segundo grupo escuto o clamor do primeiro. Dá ouvidos e repete vem. Nisso, se iguala ao primeiro grupo. Acaba desejando a mesma coisa que o primeiro. E se torna igual e pertencente ao primeiro. 

O anseio do Espírito e da igreja por Cristo agrega outros grupos. É o único grito que pode entoar a ponto de ultrapassar os limites e ser audível a outros. Oh que belo grito, que misteriosa evangelização, que sejamos impulsionados pelo Espírito a clamar Vem, vem, vem Senhor Jesus!

Veja que no término da revelação, após o Senhor Jesus já ter encerrado o Apocalipse com seu Amém, o apóstolo João só tem um clamor, uma única adoração em oração a proclamar, ele disse: Ora, vem Senhor Jesus!

É a última oração da igreja do Apocalipse. A igreja que tem a visão. A que está mesclada com o Espírito. Precedida e impulsionada pelo Espírito. A igreja que é noiva hoje e se tornará esposa em glória com seu Senhor. Essa igreja ora, grita, clama e conclama: Ora, vem Senhor Jesus! É uma igreja que é ouvida por quem está fora dela. Ela se faz ouvir pelo seu clamor. Que agrega e que traz para si os que estão de fora. Seu poder está nesse desejo verdadeiro pela vinda de seu Senhor. Por isso, ela não se prende à questões temporais. Não se suja, nem comete injustiça. Pelo contrário, ela se santifica mais e se justifica mais e mais pelo sangue de seu Redentor. 


  • E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.

Como foi feito nos tempos de Gideão, aqui o Senhor Jesus filtra os que ouviram e ergueram a voz no último grito da igreja. Aqueles que proclamam VEM serão provados. Serão filtrados como nos tempos de Gideão. 

Em resposta ao grito VEM da igreja, o Senhor Jesus reage dizendo quem tem sede venha. Repare primeiro esse encontro anunciado. O Noivo escuta sua Noiva chamando-o. Sua reação é chamá-la também. Oh que linda cena para ser meditada. O Noivo não se contenta em apenas ir ao encontro de sua amada. Ele pede que sua amada também venha ao seu encontro. Apesar desse anseio por parte do Noivo pela sua noiva, ele ainda faz três exigências. Testemunhamos um lindo amor por parte dEle, mas também um sensato nível de critério.

Suas exigências são feitas em dois momentos. Os que tem sede, e, consequentemente, os que querem tomar de graça da água da vida. Repare nisso. O grupo inicial era formado pelos que deram ouvido. Nos tempos de Gideão, seu exército foi formado pelos que ouviram sua convocação. Eram 32.000 convocados. A exigência divina fez com que esse número fosse reduzido para 10.000. Covardes ficariam de fora. E por último, a exigência divina fez com que esse número fosse reduzido a apenas 300 homens. O critério de seleção nos ensina muito. O Senhor avaliou a forma que os guerreiros bebiam água. Não esqueça que é o Senhor que avalia a sede de seu povo. Nunca devemos esquecer que o Senhor tem em medida o tamanho de nossa sede!

No convite do Senhor também há semelhantes critérios. Do grupo dos que deram ouvidos, ficariam apenas os que tem sede. E não esqueça, querido leitor, que Ele avalia nossa sede. E ainda desse restante grupo, o Senhor chama os que realmente querem tomar de graça da água da vida. Essa misteriosa água da vida não pode ser bebida de qualquer jeito. Assim como os combatentes de Gideão não poderiam beber aquela água de qualquer jeito. Essa misteriosa água da vida somente é ingerida de graça.

Pense nisso...
Como se fosse um funil. O grupo chamado de Noiva é passado por uma seleção. Ficam os que tem sede. E destes, bebem da água da vida somente os que o fazem pela graça. Que o Espírito nos convença de que alcançaremos essas fontes que jorram água viva somente se dermos ouvido, e se realmente tivermos sede, e, por último, se bebermos pela sua Graça.

Que a igreja do Senhor, atenta a todas ministrações de seu Cristo, em especial à sua última registrada nas Sagradas Escrituras, possa liberar sua última oração enquanto ainda está nesta Terra. Vem Jesus!

Ora, Vem Senhor Jesus. Amém!

Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Mensagem ministrada em 15 de Julho de 2017, na 14ª Convenção Ministerial da Comunidade Evangélica Arca da Aliança.