domingo, 22 de março de 2015

Atraídos pelo Senhor



Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.
E lhe darei as suas vinhas dali e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias da sua mocidade e como no dia em que subiu da terra do Egito. (Oséias 2.14-15)


O livro do profeta Oséias é um dos livros mais surpreendentes da Bíblia. Narra a história de um relacionamento entre um esposo apaixonado e uma esposa infiel. Esse relacionamento tipifica a relação entre o Senhor e Israel, seu povo. No Velho Testamento, o relacionamento entre Deus e seu povo é tipificado pela aliança matrimonial. Deus, como o esposo apaixonado, e Israel, a esposa infiel (confira Ezequiel 16:8-14) No Novo Testamento ocorre uma mudança de relacionamento. A aliança recorrente é a de noivado. A Igreja, sendo a noiva adornada, a o Senhor Jesus, como o noivo que está preparando o lugar na mansão do Pai para sua noiva (Ef 5:25-27,32; Ap 21:2-3, Jo 14.2-3).


Essa diferença de relacionamento é muito importante. No capítulo onze da carta que Paulo escreveu aos romanos podemos encontrar uma explicação para esses dois tipos de aliança. Israel é tipificado por uma oliveira e nós, os gentis, por um zambujeiro. Ao se tornar participante da salvação pela fé em Jesus Cristo, somos enxertados na oliveira. Somos um galho enxertado na oliveira. Essa diferença me causa temor! Caso não produzo frutos, posso ser cortado dessa oliveira e ser lançado no fogo (Jo 15.5)! Isso é coerente com a aliança de noivado, valiosíssima, porém, pode ser quebrada!



Por outro lado, o Novo testamento abre um outro tipo de relacionamento ainda. Um relacionamento ainda mais excelente. O Senhor Jesus se relaciona com Deus como Pai e Filho. E nos ensina a fazer o mesmo (Mt 6.9). Veja que esse relacionamento é inquebrável! Não pode existir um ex-pai ou um ex-filho... através da fé no Senhor Jesus, nos relacionamos com Deus com uma aliança ainda mais poderosa, onde não há distinção entre judeu ou gentio, a aliança de sangue, de Pai e filhos!



  • Atrairei
Esses tipos de relacionamento nos mostra o quanto Deus ama seu povo. No versículo lido, O Senhor começa sua sentença dizendo que "eu a atrairei". O povo de Deus, aqui sendo tipificado pela amada, será atraído pelo próprio Deus para mais perto dEle. Isso mostra que essa pessoa não está tão próxima o quanto poderia estar. Mostra que essa pessoa pode estar distante ou até mesmo fora da posição ideal. Mas o amor de Deus é forte o suficiente para atrair essa pessoa para mais perto de sua santidade e presença! Precisamos disso! Precisamos ser atraídos para mais perto de Deus. Talvez pela pouca força, ou pelas tribulações da caminhada, não estamos no lugar que deveríamos estar, mas Deus promete aqui que vai atrair os seus para perto dEle. 

  • E levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração
Deus declara seu propósito de remover seu povo de onde está para levá-lo ao solitário deserto. Isso é necessário, pois no deserto, sua amada não se distrai e pode ouvir a voz de Deus em seu coração. Lembre-se que na primeira vez que Deus levou seu povo ao deserto, acontecia grandes sinais e prodígios. Aqui, Deus quer levar mais uma vez seu povo ao deserto, mas pretende falar ao coração. Isso aponta para o relacionamento que Ele deseja. Um relacionamento de intimidade e proximidade, sem espetáculos ou manchetes. 

  • E lhe darei as suas vinhas dali
Isso me impressiona. Lembre-se da sequência,  Deus atrai sua amada e a leva ao deserto para falar ao seu coração. E mesmo na escassez do deserto, o Senhor faz brotar vinhas dali! É o tipo de provisão inesperada que só o Senhor pode fazer. Vinhas no deserto! O problema é que alguns querem desfrutar logo dessas vinhas... a sequência ainda é válida. Ser atraído, ser levado ao deserto, ter o coração suficientemente quebrantado, tratado e santificado para ouvir a voz de Deus, e ai sim, as vinhas! Precisamos mesmo aprender essas coisas.

  • Vale de Acor, por porta de esperança
A sequência das promessas é forte. Aqui o Amado vai remover o Vale de Acor de sua amada. Acor significa perturbação e foi o lugar onde Acã morrera como perturbador de Israel (Js 7.25-26)  Aquilo que perturba e atrapalha sua amada será removido. Mais que remover, Deus promete trocar o vale por uma porta. A porta tem um nome, esperança. Deus anuncia o fim do vale e do deserto. Ele mesmo prepara uma porta, uma saída, um escape (1Co 10.13). Deus deseja que sua amada tenha esperança. Mesmo no deserto, ou no vale, uma porta de esperança é preparada pelo Senhor. Uma porta que ninguém pode fechar... Uma porta que é aberta pela fé em Jesus Cristo, que se denominou "eu sou a porta" (Jo 10.9).

  • E cantará 
Deus, aqui tipificado como o esposo aliançado, restaurará o cântico de sua amada. Esse cântico foi silenciado pelos anos de infidelidade. O cântico restaurado será "como nos dias da sua mocidade", ou seja, um cântico com força e vigor. A amada é renovada e cantará como nos dias da mocidade. Oro ao Senhor, que esse renovo se estenda sobre nós!

O cântico restaurado será, ainda, "como no dia em que subiu da terra do Egito". Quando o povo de Deus atravessou o Mar Vermelho, saindo do Egito, cantou uma canção (Êx 15.1-19). Ao deixar adormecer a chama de seu primeiro amor, essa canção de adoração foi cada vez mais se silenciando. Ficamos consolados ao ver aqui nestes dois versículos de Oséias a descrição da Israel de Deus arrependida e restaurada, cantando novamente.

Minha oração é, que sejamos atraídos por Deus, que voltemos a cantar o cântico restaurado do primeiro amor. Deus ama relacionamentos. Deus ama se relacionar com seu povo. Deus ama o cântico de seus filhos. Deus nunca se esqueceu daquele cântico quando seu povo subiu do Egito. Deus guarda na memória, meu querido leitor, os seus cânticos de adoração de quando você saiu do Egito. Deus hoje te atrai, para você cantar, como no primeiro amor. Então, cante pra Ele!


Que a paz de nosso Senhor Jesus repouse sobre ti,
Erisvaldo Pinheiro Lima
Palavra ministrada em 06 de Março de 2014
Comunidade Evangélica Arca da Aliança


Fonte de pesquisa:

  • Comentário Bíblico MOODY. Editado por Charles F. Pfeiffer. Vol 3. Editora Batista Regular do Brasil.

domingo, 15 de março de 2015

Escola de Profetas: O Evangelho segundo Marcos (6ª aula)




Escola de Profetas: O Evangelho segundo Marcos       (6ª aula)

João Marcos residia em Jerusalém. Sua casa era lugar de oração, onde a igreja ali intercedeu fortemente em favor de Pedro (At 12.12). Fez parte da 1ª viagem missionária de Paulo , mas se “apartou deles” e voltou a Jerusalém (At 13.5,13). Na segunda viagem, Paulo preferiu não levá-lo e Marcos seguiu com Barnabé para Chipre (15.22). Mais tarde, volta a ser um dos cooperadores de Paulo (Cl 4.10, Fm 24). Segundo Papias (130 d.C.), após o martírio de Paulo, Marcos acabou sendo um cooperador de Pedro em Roma (1Pe 5.13). Por isso, escreveu seu Evangelho aos cristãos romanos, num período em que a igreja sofria intensa perseguição do Império Romano. Isso pode ser observado na mensagem central do livro, veja:

O Evangelho é nitidamente dividido em duas partes, o ministério na Galiléia, e região circunvizinha, e o ministério em Jerusalém:

  1. Na Galiléia acontece a primeira parte do Evangelho de Marcos: 

    O texto é descrito num ritmo rápido de acontecimentos miraculosos de cura e expulsão de demônios. Há um mistério em torno de quem é Jesus (1.27, 3.12, 4.41, 5.43, 6.2, 7.24, 7.36). Até que Jesus exorta severamente seus discípulos por não entenderem o que acontecia. Jesus, então, se declara aos seus, como um servo sofredor, bem como a morte que havia de padecer (8.29-31, 9.13,31, 10.33-34, 45). 
  • Comparando Mc 7.1-4 e Mt 7 vemos duas formas distintas em apresentar uma mesma situação. Lembrando que o público de Marcos, diferente de Mateus, não conhecia a fundo  a tradição dos judeus.
  • Por amor de mim e do Evangelho” (8.35, 10.30) é usado com frequência no livro, um alento aos crentes perseguidos em Roma, onde o todo sofrimento era por amor de Cristo e do Evangelho.
  • Note a distância entre Jericó e Galiléia, e mesmo assim, o cego de Jericó clamou por ter  ouvido falar que era Jesus de Nazaré.   


  1. Em Jerusalém, o texto fica menos acelerado e mais detalhado:
  • A entrada triunfal pode ser melhor entendida lendo Sl 118.26,27. Uma grande multidão celebra Jesus na sua entrada em Jerusalém. Para surpresa (ou decepção) deles, Jesus apenas observa o templo (10.11).
  • No dia seguinte, Jesus volta a Jerusalém (sem multidão), vai ao templo e expulsa os comerciantes. Note que neste contexto está o episódio da figueira seca, a declaração da fé que remove montanhas e a trama sobre matar Jesus! (11.15).
  • No outro dia, Jesus torna a Jerusalém e anda pelo templo. Numa sequência de interrogatórios, Jesus é questionado por: Principais dos sacerdotes, escribas e anciãos(11.27); fariseus e herodianos (12.13); e pelos saduceus (12.18).
  • No seu julgamento, nosso Senhor Jesus falou apenas uma sentença forte diante do sumo-sacerdote EU SOU (14.62), culminando sua sentença à morte.  que mais tarde, não pôde vencê-lo.

Essa divisão no texto do Evangelho escrito por Marcos é bastante sugestiva. Os oito capítulos iniciais são recheados de sinais e prodígios. Ao mesmo tempo, há um mistério entorno da pessoa de Jesus. Mesmo com os milagres acontecendo, as pessoas, nem mesmo seus discípulos, não compreendiam o Senhor dos Milagres! São três anos narrados em apenas oito capítulos.

Os oito capítulos finais, por sua vez, correspondem apenas uma semana da jornada terrena de nosso Senhor Jesus! Neste trecho ocorre poucos sinais. Na segunda parte do Evangelho, Marcos destaca as proclamações que nosso Mestre fez basicamente em Jerusalém. Aqui não há mistério entorno de sua pessoa. Aqui ele, abertamente, já é intitulado como o Filho de Deus!

O público de Marcos era de cristãos romanos, repito. Uma comunidade que estava sofrendo severas perseguições dos implacáveis imperadores. Marcos escreve este Evangelho para preparar seu rebanho. "Por amor de mim e do Evangelho" escrito repetidas vezes, prepara o rebanho para sofrer qualquer tribulação imposta. "Por amor de mim e do Evangelho", direciona a comunidade a buscar a proclamação da Palavra liberada pelo Senhor Jesus, e não somente por seus sinais e prodígios. Dessa forma, o público desse forte Evangelho passa a ser nós, a igreja do século 21!



Fontes de pesquisas:

  • O Ministério da Palavra de Deus - Watchman Nee -  Editora Clássicos 
  • Bíblia de Estudo Pentecostal - Editora CPAD 
  • Novo Dicionário Bíblico- Jhon Davis - Ed Hagnos

Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Comunidade Evangélica Arca da Aliança
Ministrado em Outubro de 2014

quinta-feira, 5 de março de 2015

Escola de Profetas: O Evangelho segundo Mateus (5ª aula)




Escola de Profetas: O Evangelho segundo Mateus       (5ª aula)


O Evangelho de Mateus teve importância fundamental na história da igreja primitiva. Pela organização e conteúdo, foi muito usado para discipulado dos novos convertidos. Foi base para avivamentos históricos. Este Evangelho foi escrito para os judeus-cristãos. Essa informação é de suma importância para compreensão da profundidade deste livro. Veja:

  • O início do Evangelho de Mateus é apresentado com muita semelhança ao livro de Êxodos
    Ambos começam com uma genealogia, seguindo com destaque sobre o nascimento de seus personagens principais, Moisés e Jesus. Os dois livros tratam da morte de inocentes, em Êxodo, os filhos varões dos hebreus, e em Mateus, os filhos varões de até dois anos de idade da cidade de Belém. Reparem que na sequência há uma ruptura de anos de aparente isolamento. Moisés aparece no enredo já em idade adulta, o mesmo acontece no Evangelho escrito por Mateus. A história segue com um combate entre Moisés e faraó. No Evangelho, também há um combate, entre Jesus e o Diabo. Nos dois livros a suscessão dos fatos centralizam no resgate de um povo e caminhada rumo a uma terra prometida. Essa estrutura era essencial para a ministração aos judeus convertidos que conheciam a profecia de que seria levantado um profeta semelhante a Moisés (Deuteronômio 18:18,19)

  • Salvação de Israel x Salvação dos gentios: No Evangelho escrito por Mateus, Jesus é apresentado como o messias prometido que veio salvar as ovelhas perdidas de Israel (10.5-6 e 15.24,26). A medida que Israel não recebe seu messias, o plano de salvação se estende a todo mundo. 

  • Alguns termos são característicos desse importante Evangelho. O Reino de Deus aqui é chamado de Reino dos céus. Esse cuidado de Mateus é importante para seu público de judeus convertidos que evitam pronunciar o nome de Deus. Jesus também é apresentado como Filho de Davi  (compare 1.1 e 1.20).

  • Neste Evangelho há cinco ministrações do nosso Senhor Jesus. O atento leitor judeu-cristão lembrará dos cinco livros escritos por Moisés, o Pentateuco. A primeira ministração está ligada, em termos de conteúdo, com a última. A segunda com a quarta. Assim, a terceira se torna o centro da mensagem evangélica. Repare a sequéncia:

    1ª Ministração: Mt  5.2  -   7.27, assunto: Lei reinterpretada
    2ª Ministração: Mt 10.5 - 10.42, assunto: Missão da igreja
    3ª Ministração: Mt 13.1 - 13.52, assunto: Parábolas do Reino
    4ª Ministração: Mt 18.1 - 18.37, assunto: Dia a dia da igreja
    5ª Ministração: Mt 24.1 - 25.46, assunto: Julgamento pela Lei reinterpretada

    Em termos de conteúdo, essa estrutura também é encontra nos livros do Pentateuco. Veja:

    1º Livro: Gênesis, assunto: Terra
    2º Livro: Êxodo, assunto: Promessa
    3º Livro: Levítico, assunto: Santidade
    4º Livro: Números, assunto: Promessa
    5º Livro: Deuteronômio, assunto: Terra 

    Dessa forma, as Parábolas do Reino são o tema central das ministrações do nosso Senhor, assim como Santidade é o tema central dos escritos de Moisés.



Fontes de pesquisas:

O Ministério da Palavra de Deus - Watchman Nee -  Editora Clássicos
 
Aula ministrada pelo Pastor Mestre Airton Williams na Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares (SEBI) em 27 de Setembro de 2014 


Bíblia de Estudo Pentecostal - Editora CPAD
 
Novo Dicionário Bíblico- Jhon Davis - Ed Hagnos

 

Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Comunidade Evangélica Arca da Aliança
Ministrado em Setembro de 2014

    quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

    Escola de Profetas: A interpretação da Palavra (4ª aula)






    Escola de Profetas: A interpretação da Palavra       (4ª aula)


    Não basta conhecer a Bíblia, devemos saber interpretá-la. Sem a revelação do Espírito Santo, não há interpretação bíblica. Precisamos do “sopro” de Deus para que sua Palavra cause vida em nós. Para ser um Ministro da Palavra, precisamos da revelação e unção do Espírito Santo. Considere essas passagens:

    • 2Tm 3.16
    “Inspirados por Deus” é melhor traduzido por “soprados por Deus”. Como Deus soprou o barro, e Adão teve vida, assim devemos buscar o sopro de Deus sobre o texto bíblico para que a letra tenha vida.

    • Rm 1
    O texto central desse capítulo e de toda carta é “o evangelho tem poder para salvar”. Isso não tem valor nenhum se não formos convencidos de que somos pecadores, perdidos pelo pecado, aprisionados ao pecado e, por isso, precisamos de salvação. Uma vez que o Espírito Santo lançou sua luz sobre nós, reconhecemos nosso pecado, e olhamos para o evangelho com um alívio e regozijo.

    • Am 1
    Amós lançou a Palavra começando dos mais longes, e foi direcionando até chegar aos israelitas. Mostrou uma lista de erros e a consequente ira de Deus. A tendência da situação cega do homem é ver o erro nos outros. A Palavra, no entando, vai apontando a situação de cada indivíduo.


    Olhando para os Ministros da Palavra do Novo Testamento, vemos que o Espírito Santo lançou a luz da revelação sobre eles de três formas diferentes:

    1. Interpretação profética
    Veja como o Evangelho inteiro de Mateus é rico em interpretações proféticas:
    Mt 1.23 = Is 7.14                Mt 4.13-16 = Is 9.1
    Mt 2.15 = Os 11.1                Mt 8.17 = Is 53.4
    Mt 2.18 = Jr 31.15                Mt 12.10-16 = Is 42.1-4
    Mt 3.13 = Is 40.3                Mt 27.1-10 = Zc 11.12-13

    1. Interpretação histórica
    Veja o cuidado de Paulo nesta explicação de um texto histórico:
    Gl 3.16

    1. Interpretação abrangente:
    Na ministração da Palavra no dia de Pentecostes, Pedro baseou-se em Jo 2, Sl 16 e Sl 110

    Mateus, Paulo e Pedro conheciam o texto sagrado e recebeu a revelação vinda do Espírito Santo. Tinham o fundamento e a revelação. Eram ministros da Palavra.



    Fontes de pesquisas:
    O Ministério da Palavra de Deus - Watchman Nee -  Editora Clássicos


    Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
    Comunidade Evangélica Arca da Aliança
    Ministrado em Setembro de 2014

    domingo, 25 de janeiro de 2015

    Escola de Profetas: O conteúdo da Palavra (3ª aula)

    Para onde irei eu, se só tu tens as palavras de vida eterna.
    Adicionar legenda



    Escola de Profetas: O conteúdo da Palavra       (3ª aula)


    A Bíblia é composta por 66 livros, sendo que 39 deles estão no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. Possui cerca de 40 escritores e foi escrita num período de quase dois milênios. Não se contradiz, possui harmonia entre os livros, que se completam. Não se pode ter um 67º livro, pois não há nenhuma revelação fora do que já foi escrito.

    Em termos cronológicos, o livro de Jó, talvez seja o mais antigo. Porém, os livros que estão no começo da Bíblia são os Pentateucos, escritos por Moisés. Moisés é um tipo de Cristo (confira Dt 18.18-19) e toda revelação que se sucede tem por base o Pentateuco. Josué escreveu seu livro como continuação dos livros anteriores. Cada novo ministro que teve a honra de ser um dos 40 escritores da Bíblia, conhecia os livros já escritos. Exceto Moisés, todos os demais escreveram tendo por base o que já havia sido escrito antes. É assim até o Novo Testamento, que possui mais de 1500 textos que são citações do Velho Testamento.

    Exemplos:
    • Salmo 68.18 é base para Efésios 4.8
    • Gn 15.6 aparece nos textos de Romanos 4, Gálatas 3 e Tiago 2
    • Habacuque 2.4 é base para Romanos 1 (o justo), Gálatas 3 (fé) e Hebreus 10 (viver)

    Como esses ministros citariam se não conhecesse esses textos já escritos? Não basta somente conhecer. Deve-se buscar a profundidade, conviver com a Palavra de Deus em nós.

    João Batista conviveu 30 anos com Jesus, era seu primo. Mas não conhecia o Senhor Jesus! (Admitiu em Jo 1.33-34). Não sabia ainda quem era “aquele” citado em Mc 1.7-8. Ter informações não garante conhecer o Senhor Jesus, os judeus achavam que conheciam, veja Mt 13.55-56.

    Os dois discípulos a caminho de Emaús tinham convivido com o Senhor, mas não entendiam o que estava acontecendo, sem que eles soubessem quem era, o próprio Cristo os advertiu "Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os profetas falaram!E, começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras (Lc 24)

    Seque alguns versículos que consta a respeito de Cristo nos textos mosáicos:
    • Gn 3.15: Cristo é aquele que vai ferir a cabeça da serpente, embora seja ferido no calcanhar. Uma forte profecia espiritual da vitória de Cristo (a semente da mulher) sobre Satanás (a semente da serpente). 
    • Gn 12.2-3: Cristo é o descendente de Abraão, aquele pelo qual todas as famílias da terra serão benditas.  
    • Gn 26.3-4: Cristo é a semente de Isaque. A confirmação da aliança abraâmica.  
    • Gn 28.13-14: Cristo é a benção prometida a Abraão, agora confirmada na vida de Jacó. 
    • Gn 49.8-12: Cristo é o louvor dos irmãos de Judá. O Leão da Tribo de Judá. Aquele que tem o cetro de justiça em sua destra. Cristo é o legislador que congregará os povos. Aquele que usará o jumentinho e a jumenta para entrar majestoso em Jerusalém. 
    • Nm 24.17: Cristo é a estrela que procedeu de Jacó e o cetro de Israel. 
    • Dt 18.18-19: Cristo é o exímio profeta que, á semelhança de Moisés, falará tudo que o Pai lhe ordenar. 



      NOTA: Querido leitor, este é o terceiro de uma série de estudos que serão intitulados Escola de Profetas. Trata-se de um projeto que fomos direcionado pelo Santo Espírito do Senhor para desenvolvermos junto aos obreiros. Nas primeiras aulas, estudamos, além da Bíblia Sagrada, o livro de Watchman Nee descrito abaixo. Para aqueles que serão tocados pelo Senhor para meditarem nesses estudos, aconselho que comprem o livro.


      Fontes de pesquisas:
      O Ministério da Palavra de Deus - Watchman Nee -  Editora Clássicos


      Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
      Comunidade Evangélica Arca da Aliança
      Ministrado em Setembro de 2014

    quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

    Escola de Profetas: Ministros da Palavra (2ª aula)

    Jesus Cristo é a própria Palavra de Deus encarnada.


    Escola de Profetas: Ministros da Palavra       (2ª aula)


    (continuação)

    1. No Antigo Testamento a Palavra de Deus é proclamada pelos profetas; aí temos o ministério dos profetas
    2. Na peregrinação terrena do Senhor Jesus, a Palavra de Deus tornou-se carne; assim, temos o ministério do Senhor Jesus. 
    3. No Novo Testamento a Palavra de Deus é proclamada pelos apóstolos; como resultado, temos o ministério dos apóstolos. 


    O Ministro da Palavra nos Evangelhos: O Senhor Jesus


    Anteriormente Deus empregava a voz dos homens para proclamar Sua Palavra. No Antigo Testamento a Palavra vinha sobre os homens. A Palavra e o ministro eram duas coisas distintas. Não foi assim com o Senhor Jesus, ele é a Palavra encarnada. Ele próprio era a Palavra de Deus (Jo 1.14). Tudo o que Ele fez e disse era inteiramente a Palavra de Deus. Seu ministério era o ministério da Palavra de Deus.

    Com o Senhor Jesus, a Palavra de Deus usou não somente uma voz humana, mas também os pensamentos, sentimentos e opiniões. Deus não queria que sua Palavra fosse somente uma palavra (som), Ele queria que fosse uma pessoa. E isso torna a Palavra do Senhor Jesus mais elevada que no Velho Testamento, confira em Mt 5.21.

    Os Ministros da Palavra no Novo Testamento: Os Apóstolos

    O ministério dos Apóstolos segue o padrão do Senhor Jesus, juntamente com a adição da reveleção do Antigo Testamento. A diferença entre o ministério dos Apóstolos com o ministério do Senhor Jesus é a seguinte: no caso do Senhor Jesus, a Palavra se tornou carne, ou seja, primeiro existia a Palavra, a carne, então, se adaptou a ela. No entanto, no ministério dos Apóstolos, temos primeiro a carne, que para se tornar útil para se tornar um ministro da Palavra, essa carne tem que ser transformada segundo os padrões da própria Palavra.

    Aqueles que são escolhidos no Novo Testamento não são perfeitos como o Senhor Jesus, pois Ele é o Santo de Deus sem nenhuma impureza. Assim, Deus deve tratar esses escolhidos, elevá-los ao nível que deseja, para que sua Palavra seja pronunciada atraves deles. A Palavra não será mais apenas pronunciada pela voz humana, passa ser também, observável nas atitudes, emoções, condutas do indivíduo. Saiba que Deus tem prazer de colocar sua Palavra nos indivíduos e depois permitir que ela seja visível nas várias áreas da vida do homem. No Senhor Jesus, a Palavra se tornou carne, nos ministros do Novo Testamento, a carne é transformada para receber a Palavra.

    O Novo Testamento está repleto de elementos humanos; mesmo assim, também é a Palavra de Deus.

    Cada escritor mantém sua ênfase, usa suas frases especiais e preserva suas características. Por meio deles, a Palavra de Deus é transmitida sem sofrer qualquer perda. Ela tem as marcas dos homens e possui características humanas, mas permanece como Palavra de Deus - assim é o ministério da Palavra no Novo Testamento. Deus não transforma homens em gravadores, Ele não deseja isso. Uma vez que o Senhor Jesus já veio e o Espírito Santo agora habita naqueles que crêem, Deus trabalha na vida do crente até que seus elementos humanos não causem prejuízo à Palavra de Deus. Assim, o Espírito Santo opera nos homens, controlando-os e disciplinando-os.

    Aqueles indivíduos que não foram tratados por Deus não podem ser usados. Se o elemento pessoal é questionável diante de Deus, sua Palavra não pode ser transmitida por esse indivíduo. Ele não é adequado; não pode ser ministro da Palavra. Deus vai ter de deixar de lado aqueles cuja estrutura humana contém impurezas, obras da carne e elementos condenados pelo Senhor. Outros devem ser deixados de lado porque jamais foram quebrantados diante de Deus, seus pensamentos não são sinceros, sua vida é indisciplinada, são obstinados, suas emoções são descontroladas ou têm pendências com Deus. Se esses assim pregarem, a Palavra fica bloqueada, não é reconhecida como Palavra de Deus e a mensagem será ineficaz.. Por isso, a condição do homem diante de Deus é um problema básico para os ministros do Novo Testamento.


    NOTA: Querido leitor, este é o segundo de uma série de estudos que serão intitulados Escola de Profetas. Trata-se de um projeto que fomos direcionado pelo Santo Espírito do Senhor para desenvolvermos junto aos obreiros. Nas primeiras aulas, estudamos, além da Bíblia Sagrada, o livro de Watchman Nee descrito abaixo. Para aqueles que serão tocados pelo Senhor para meditarem nesses estudos, aconselho que comprem o livro.


    Fontes de pesquisas:
    O Ministério da Palavra de Deus - Watchman Nee - Editora Clássicos


    Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
    Comunidade Evangélica Arca da Aliança
    Ministrado em Setembro de 2014

    segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

    Escola de Profetas: Ministros da Palavra (1ª aula)



    Ministros da palavra no Antigo Testamento: os profetas


    Escola de Profetas: Ministros da Palavra  (1ª aula)


    Deus usa um método para proclamar sua Palavra. Ele usa homens. Embora Deus tenha se servido de anjos para falar ao seu povo, sua preferência é usar homens. Esses homens devem ser devidamente tratados e quebrantados para que a mensagem seja pura. Qualquer acréscimo humano, a mensagem perde sua eficácia. Assim é o serviço do ministério da Palavra, servir as pessoas com a Palavra pura de Deus. ‘Ministério’ aponta para a função, enquanto ‘ministro’ fala sobre o indivíduo. O ministério da Palavra ocupa um lugar importante na obra de Deus.

    Em toda Bíblia podemos encontrar três tipos diferentes de pessoa, as quais Deus usa para pregar a Palavra: 


    1. No Antigo Testamento a Palavra de Deus é proclamada pelos profetas; aí temos o ministério dos profetas
    2. Na peregrinação terrena do Senhor Jesus, a Palavra de Deus tornou-se carne; assim, temos o ministério do Senhor Jesus. 
    3. No Novo Testamento a Palavra de Deus é proclamada pelos apóstolos; como resultado, temos o ministério dos apóstolos. 

    Os ministros da Palavra no Antigo Testamento: Os profetas


    No Antigo Testamento Deus se serviu de muitos homens para proclamarem sua Palavra. O Espírito Santo compartilhava sua Palavra a um determinado indivíduo em particular e depois ‘controlava’ aquela pessoa para que não houvesse erros quando ela propagasse a mensagem da parte de Deus.

    Pessoas como Balaão, Saul e Miriã foram chamados de profetas. Suas profecias eram de Deus. Mas quando falavam por si só, suas palavras não eram reconhecidas como de Deus. Enquanto estavam sob a revelação, falaram a Palavra de Deus; entretanto, assim que falavam por si próprio, manifestaram pecado, perversidade e trevas. Vejam:

    • Balaão e sua posição diante das honrarias: Nm 22.1-20; sua profecia pura Nm 23.18-24; seu caminho perverso, compare Nm 25.1-3 e Nm 31.16 
    • Saul no início de sua jornada 1Sm 10.10 e já desviado e fora do propósito de Deus 1Sm 19.20-24 
    • Miriam e sua importante participação como profetiza Êx 15.20-21; e a consequência de falar impensadamente Nm 12.1-15 

    Apesar disso, temos no Antigo Testamento homens como Moisés, Isaías e Jeremias (e outros) que se destacaram como porta vozes de Deus de uma forma mais avançada que em Balaão. Deus ainda controlava suas profecias, para serem a pura Palavra de Deus. Mas quando falavam por si próprios, não puderam ser acusados de erros, suas palavras pessoais eram reconhecidamente como vinda de Deus. Repare:

    • Moisés e sua ministração em forma de livro Dt 1.1; e suas palavras próprias Nm 11.27-29 compare com 1Co 14.1,3 
    • Jeremias e uma de suas fortes profecias 31.31-33 e uma de suas expressões de tristeza: o livro de Lamentações

    Pense nisso...


    No Antigo Testamento, Deus levantou homens e mulheres para proclamarem sua palavra. Deus se serviu de pessoas. Deus controlava de forma direta a proclamação de sua palavra. Homens como Moisés e Jeremias, mesmo quando não estavam com o impulso direto da proclamação da mensagem do Senhor, suas palavras não tiveram impurezas. Diferente de outros como Balaão, que foi usado pelo Senhor e proclamou a palavra de Deus, mas quando se viu só, suas palavras pessoais foram de engano e perversidade. 


    NOTA: Querido leitor, este é o primeiro de uma série de estudos que serão intitulados Escola de Profetas. Trata-se de um projeto que fomos direcionado pelo Santo Espírito do Senhor para desenvolvermos junto aos obreiros. Nas primeiras aulas, estudamos, além da Bíblia Sagrada, o livro de Watchman Nee descrito abaixo. Para aqueles que serão tocados pelo Senhor para meditarem nesses estudos, aconselho que comprem o livro.  



    Fontes de pesquisas:
    O Ministério da Palavra de Deus - Watchman Nee -  Editora Clássicos


    Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
    Comunidade Evangélica Arca da Aliança
    Ministrado em Setembro de 2014
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