quinta-feira, 23 de junho de 2022

Sim, eu amo a mensagem da cruz

 




Sim, eu amo a mensagem da cruz…

Cantamos tanto esse hino. Talvez um dos mais conhecidos da Harpa Cristã. Com muita emoção, prometemos que “até morrer, eu a vou proclamar”. Mas será que conhecemos mesmo a mensagem da cruz? Nossa vida diária reflete essa mensagem? Fato é, que se não conhecermos a mensagem completa da cruz, não teremos nada relevante para anunciarmos ao mundo.

Amamos o que conhecemos. O amor nos impulsiona ao processo de conhecer. Amar a mensagem da cruz implica conhecer, de fato, sua mensagem. Por isso, faço um convite, meu irmão, para que o Santo Espírito direcione nosso olhar em total atenção para contemplar a mensagem que emana do calvário.

Nosso Senhor sofreu terríveis aflições na cruz. Seu corpo, sua alma e também seu espírito foram castigados no calvário. Para entendermos isso, precisamos voltar ao Éden.

  • a criação do homem
E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. (Gênesis 2.7)
Primeiro, Deus criou o CORPO do homem utilizando o pó da terra. Em seguida, soprou seu ESPÍRITO e, então, o homem foi feito ALMA vivente. Em total harmonia entre seu corpo físico e sua alma interior, o espírito trazia equilíbrio ao homem.

CORPO - ESPÍRITO - ALMA

Sendo o corpo, a parte externa e física do nosso ser. A alma, nosso interior, com as nossas emoções, lembranças, memória, mente, inteligência. E o espírito, a parte mais íntima e nobre, pois é a comunicação com Deus, uma vez que dEle veio.

  • a queda do homem
E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. (Gênesis 3.6)
A tentação ocorreu do exterior para o interior do casal original. A mulher viu que o fruto da árvore era bom para se comer. Isso aponta para a necessidade do corpo. Em seguida, Eva desejou o entendimento que aquele fruto geraria nela. Isso aponta para a necessidade da alma. E, por fim, Adão a acompanha e também participa do pecado e ambos são expulsos do jardim. O espírito do homem não fica mais ligado ao Espírito de Deus.

Sem o espírito, tudo que resta no homem é sua carne. Sem o espírito, o homem perde seu equilíbrio e um vazio surge em seu interior. Sendo CORPO - ESPÍRITO - ALMA, o espírito dominava e trazia moderação no cuidado humano com seu corpo e sua alma. Com a morte do espírito, o homem ora cuida exageradamente de seu corpo, ora cuida de forma exacerbada de sua alma. Uns exibem seu corpo, e outros exibem sua mente. E, uma vez que há um vazio no interior, o homem procura desesperadamente preenchê-lo com elementos do corpo ou da alma. Nada, porém, pode ocupar o lugar da vida no espírito.

  • Substituição
Morte e pecado sempre estão associados (Rm 5.12). Para devolver a vida no espírito do homem, Deus proveu seu próprio Filho para ser nosso substituto. A consequência de morte ocasionada pelos nossos pecados são colocadas em seus ombros. O homem perfeito na cruz representa o homem caído no jardim. Esta é a primeira mensagem da cruz. Cristo morreu em nosso lugar. Foi o nosso substituto na condenação. Se por um homem, recebemos a herança do pecado e morte do espírito, também por um homem, recebemos a herança graciosa e vida no espírito.

Para ser nosso substituto, Cristo precisou sofrer a consequência de todos nossos pecados. Tantos os do corpo, como os da alma e, por último, no espírito.

Seu corpo foi moído e talvez seja a parte que mais lembramos. Sendo nosso substituto, seus pés precisaram ser transpassados, pois nossos pés são ligeiros para correr na direção do pecado. As mãos do nosso Senhor também foram transpassadas em consequência de todas as vezes que usamos nossas mãos para tocar o pecado. Em sua cabeça, diversos espinhos foram cravados pois nossa cabeça é facilmente povoada por assuntos e lembranças pecaminosas. Sua face foi esbofeteada apontando para todas as vezes que negamos a nossa outra face. Seu lado foi perfurado em memória de tudo que colocamos indevidamente ao nosso lado. Até mesmo a secura dentro da sua boca foi descrita (Sl 22.15-16), sofrimento necessário em consequência de todas as vezes que usamos nossa boca para proferir palavras carregadas de pecado.

Se o sofrimento do seu corpo foi intenso, o que ocorreu na alma foi ainda pior. A morte na cruz era a pior e mais vexatória das condenações. A cruz era destinada aos escravos condenados. Era símbolo de uma mensagem intimidatória aos outros escravos. Uma vez que éramos escravos do pecado, nosso Senhor se fez escravo e sofreu a pior das condenações em nosso lugar. Cristo crucificado também é símbolo de uma mensagem, porém, de libertação a todos os que são escravos do pecado.

Em Jo 19.23 vemos que os soldados tiram as roupas de Jesus. Nosso Cristo foi despido diante de todos ali. Seu corpo exposto era vergonha para sua alma. Seu corpo que sempre foi guardado da lascívia, agora estava nu perante os homens e mulheres presentes no Gólgota. Nosso pecado, que tantas vezes também tira nossas vestes santas, despiu nosso Senhor publicamente.

Sua tristeza é retratada no Getsêmani. Antevendo seu sofrimento, sua alma fica triste até a morte. Poucos dias antes, na morte de Lázaro, Cristo também sentiu uma tristeza profunda. Sua alma, de fato, sofreu todas as nossas dores internas.

Se o sofrimento na alma de Cristo foi intenso, o que ocorreu no seu espírito foi muito pior. Próximo à hora de sua morte ele exclama “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). É o momento do ápice de seu sofrimento. Nenhuma aflição poderia ser comparada com esta. Nenhuma reflexão nossa pode medir a dor desse momento. É quando o espírito de nosso Senhor perde a comunhão com o Pai. Pela primeira (e única) vez, Cristo sente o vazio no interior. Recitando o Salmo 22, ele exclama o desamparo do Pai. Em seu clamor, o usual termo Pai é trocado por Deus meu. A unicidade entre o Filho e o Pai é sempre bem descrita ao longo dos evangelhos. Eu e o Pai somos um (Jo 10.30). Mas neste momento, Cristo se sente só. A cena é descrita com riquezas de detalhes no já mencionado Salmo 22:

Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo.
Todos os que me veem zombam de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça, dizendo:
Confiou no Senhor , que o livre; livre-o, pois nele tem prazer.
Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude.
Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam.
Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge.
Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera e derreteu-se dentro de mim.
A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar; e me puseste no pó da morte.
Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou; traspassaram-me as mãos e os pés.
Poderia contar todos os meus ossos; eles veem e me contemplam.
Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica.
(Salmos 22.6-8; 11-18)

Morte e pecado estão associados (Rm 5.12). Cristo sofre a última instância de nossa condenação pelo pecado, que é a morte no espírito. Que o Santo Espírito sopre a vida de Cristo dentro do nosso espírito, para sempre lembrarmos e valorizarmos tamanho preço pago pelo nosso Senhor. Em sua morte, obtemos vida. A morte de seu espírito trouxe vida ao nosso espírito. A ligação entre Deus e homem, perdida no Éden, é finalmente restaurada a todos que nEle creem.

Nosso espírito ganha vida na morte substitutiva de Cristo. Assim, recuperamos a comunhão com o Pai. E toda condenação é removida. Que possamos, diante de tamanho e incalculável preço pago, andarmos segundo o espírito. Que o equilíbrio original recuperado no calvário seja mantido por nós.

Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. (Romanos 8.1)


Amém.


Erisvaldo Pinheiro Lima

Igreja Santuário do Altíssimo

Estudo ministrado em Junho de 2022 

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Esmola, oração e jejum (Mt 6)

 

Contraste entre os antigos padrões e os novos (Mt 6.1-18)

Contraste entre os antigos padrões e os novos (Mt 6.1-18)

  • Hipócritas

No sentido original, significa ator ou profano. O hipócrita é aquele religioso que encena uma vida piedosa, esperando o aplauso de uma plateia que o admira.

A aplicação rasa das escrituras, como os antigos o faziam no capítulo anterior, leva a uma prática religiosa carregada de hipocrisia.

Expressão enfática como o “Eu, porém”, do capítulo quinto, contrasta com os hipócritas. O “eu, porém”, do quinto capítulo salienta o verdadeiro mestre da lei e da religião, em contraste com os falsos mestres. E o “tu, porém”, do sexto capítulo, enfatiza os verdadeiros discípulos do reino, em contraste com os hipócritas, que jamais farão parte desse reino.

Os hipócritas dão esmola, oram e jejuam. Quando dão esmolas, o fazem para serem glorificados pelos homens. Quando oram, o fazem para serem vistos pelos homens. E quando jejuam, o fazem para que aos homens pareça que jejuam. O objetivo da prática religiosa do hipócrita é impressionar o homem.

Em verdade vos digo que já receberam seu galardão. Até ganham recompensas do homem, mas apenas do homem. O Pai, que vê o que está oculto, guarda suas recompensas para aqueles que praticam esses atos religiosos sem objetivo de aplausos ou de recompensas do homem. A prática religiosa tinha por objetivo impressionar os homens. E tinha êxito nisso. Ainda há público para exibições religiosas na igreja atual.

O discípulo de Cristo é ensinado a evitar a ostentação e a autoglorificação, para buscar intimidade de relacionamento com o Pai, para benefício do próximo.

  • Quando
Deres esmolas… orares… jejuardes. Não há uma ordenança que o discípulo pratique esses atos, mas há uma expectativa da parte do Senhor para que os seus o façam. São atos que se esperam de um discípulo. Algo que faz parte de suas condutas. Cristo está corrigindo o foco, e não invalidando a ação. Essas três atitudes ganham um novo padrão aqui. Devem ser praticadas, não para recompensa humana, em secreto e apontadas para Deus.

  • Pai

Em 18 versículos, Cristo menciona o Pai por 10 vezes. O Pai, que vê o que está oculto, ocorre por 4 vezes e que vê em secreto ocorre uma vez. Cristo nos ensina sobre Deus. É o Pai que nos chama para o secreto. Melhor que o aplauso dos homens, a recompensa de momentos a sós com o Pai é ensinada pelo Filho. Ele é o vosso Pai que está nos céus, é o vosso Pai que sabe o que é vos é necessário, é o Pai nosso, e é o Pai que nos perdoa, mediante o nosso perdão ao próximo, mas que não nos perdoa, quando não liberamos o perdão. A intenção do Filho é que os homens compartilhassem de sua preocupação pela consciência de um Deus Pai vivo que operava neles.

  • Esmolas
Na língua falada por Jesus, o termo pode ser traduzido por justiça. A igreja não pode perder o exercício externo de sua fé. A igreja recebe esse chamado de operar essa justiça divina na terra. Em Tg 1.27 se fala sobre a religião pura, que aponta para a necessidade do próximo.

  • Orações
Dificilmente iremos exagerar a importância da oração; e no entanto nos vemos tão preguiçosos em sua prática.


O Pai Nosso devido à sua franqueza, penetra na mente e é facilmente memorizada. É infantil em sua simplicidade; estadistas e homens de rua, filósofos e homens rústicos, bispos e os mais jovens obreiros se reúnem em volta dela

A oração demonstra grande reverência pelo nome de Deus. Jesus só se satisfazia quando o nome de Deus era santificado na conduta diária dos homens, e não por motivo de meras palavras e orações.

  • O Pai Nosso

Pai nosso que estás nos céus
Um Pai de todos. Um Pai que se sabe onde encontrá-lo.

7 petições:

Santificado seja o teu nome
Venha o teu reino
Faça-se a tua vontade
= assim na terra como no céu

O pão nosso de cada dia dá-nos hoje
E perdoa-nos nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.
E não nos deixes cair em tentação
mas livra-nos do mal


Porque teu é o reino, e o poder e a glória para sempre
Tudo é do Pai


  • Jejuns


Na história dos judeus, nos dias de jejum (oficial, como o dia da expiação e outros, Lv 16.29), os atos de ungir-se e lavar-se eram proibidos, para que houvesse demonstração de tristeza pelo pecado. A unção e a lavagem eram símbolos de alegria (Ecl. 9:8). No oriente era costumeiro ungir a cabeça como preparação para alguma festa. Evidentemente isso era praticado diariamente pelos judeus, exceto em dias de jejum. O — verdadeiro discípulo— do reino do Messias pode jejuar, pode ter tristeza no coração por causa do pecado, pode jejuar até mais vezes que nos dias indicados, mas não deve ostentar o que faz com seus lamentos, exibindo o lado negativo da religião. Pelo contrário, deve dar a impressão que vai para uma festa, evitando assim o olhar aprovador de outros, os quais, de outra maneira, saberiam que está jejuando.

 

Amém.

Erisvaldo Pinheiro Lima

Estudo ministrado em Maio de 2022, na Igreja Santuário do Altíssimo

 

Fonte de pesquisa:
Champlin, Russell Norman, 1933 - O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo: Volume 1: Artigos introdutórios, Mateus, Marcos / Russell Norman Champlin. São Paulo: Hagnos, 2002.


quinta-feira, 5 de maio de 2022

A Nova Lei (Mt 5)

 



A Nova Lei (Mt 5)


Dois dias antes da ministração deste estudo, minha esposa sonhou rasgando uma página da Bíblia. A página era Mt 5. Sentimos que deveríamos ler os mandamentos contidos ali buscando quais que estávamos “rasgando”.

Duas expressões aparecem em cada mandamento. Vejamos:


  1. “Ouvistes”. Cristo fala a partir do que já foi falado. Moisés trouxe os seis mandamentos usados neste sermão. Cristo é o novo Moisés, o novo legislador, que vai guiar um povo para a verdadeira terra prometida.
  2. “Eu, porém, vos digo” expressa a autoridade do Senhor que foi testificada por aquele público ao final do sermão. Mais que isso, Cristo está ensinando seus discípulos que o que está escrito precisa ser dito pelo próprio Senhor. Dessa forma, seus humildes servos podem ter maior êxito no cumprimento do mandamento. Isso é impressionante. Temos a graciosa oportunidade de ouvir a palavra pelo próprio Verbo de Deus.

Oro, para que o Espírito de Cristo fale cada uma dessas sentenças em nosso coração, e que nos convença qual está sendo “rasgado” por nós mesmos:

  • Não matarás (1/6)

Sexto mandamento, Êx. 20:13. Há TRÊS classificações de pecados, cada qual com sua própria pena. A ira, o ódio, e o ódio extremo.

Assim Jesus ilustrou o sexto mandamento, mostrando que a intenção que provoca o ato físico é passível da mesma condenação que o próprio ato.

PORTANTO, os princípios a serem observados são; Reconciliação antes do sacrifício ou culto formal; misericórdia antes do rito; moralidade antes da religiosidade; afeição filial antes do dever; perdão pessoal antes do perdão divino; corretas relações humanas antes de corretas relações com Deus; honestidade e bondade para com os homens, antes do recebimento da bondade de Deus.

  • Não adulterarás (2/6)
O sétimo mandamento indica mais do que o ato manifesto; mostra a intenção do coração—se houver intenção de cometer adultério, é adultério.

Nos vss. 29 e 30 Jesus mostra que nos é vantajoso sacrificar algo, mesmo aquilo que tivermos de mais precioso (como o olho direito, ou a mão direita), para atingir o objetivo que é a obediência à vontade de Deus.

O olho é mencionado não apenas como algo precioso, mas também como agente potencial da tentação ao pecado. É com o olho que o homem começa a cometer adultério. Talvez seja mister perder uma coisa preciosa para ganhar outra mais preciosa, que é a aprovação e a bênção de Deus.

  • Divórcio (3/6)
Jesus levantava de novo o clamor de Ml. 2:16: «O Senhor Deus de Israel diz que odeia o repúdio...». Observa-se que Jesus não ordena nem encoraja o divórcio por qualquer razão: ele permite o divórcio por uma única razão.

  • Juramentos (4/6)
A multiplicação de juramentos criou um espírito superficial, inclinado à mentira. Foi principalmente isso que Jesus censurou. O homem honesto, aprovado por Deus e que vive no espírito da lei, jamais teria necessidade de jurar, bastando o simples sim ou não. O homem cônscio da presença de Deus e que sente responsabilidade para com Deus, não mente. Tal honestidade não requer a confirmação de qualquer juramento.

  • Vingança (5/6)
Baseado em Êx 21:24. O texto de Lev. 23:17-21 dá detalhes sobre a lei da vingança: quem matar, seja morto; quem matar um animal, substitua-o por outro; quem desfigurar o próximo, seja desfigurado. A tendência natural do homem, após sofrer o mal causado por outrem, é procurar tirar vingança imediata, se possível, infligindo um sofrimento ainda mais duro do que aquele sofrido. Os discípulos de Jesus, sujeitos ao reino de Deus, porém, devem ter outra atitude. Sofrendo um mal, ao invés de procurarem vingar-se, devem estar preparados para sofrer outro mal com paciência. Talvez essa atitude ilustre a bem-aventurança dos mansos (vs. 5). Tal atitude é o oposto do princípio que decreta “olho por olho, dente por dente”.

O credor podia tomar a túnica (roupa interior) do devedor como fiança. Mas se a roupa externa (a capa) lhe fosse tomada, teria de ser devolvida antes do pôr-do-sol, porque era natural que o devedor precisasse dela como proteção contra o frio da noite. Um Homem pobre talvez pudesse ter mais de uma túnica (roupa interior), mas provavelmente não poderia ter mais do que uma capa, que era a roupa exterior e usualmente de muito maior valor do que a outra. A capa era usada como cobertor, à noite. É melhor para o crente perder as coisas materiais do que sua boa consciência e integridade. Paulo deu o mesmo conselho: «O só existir entre vós demandas já é uma completa derrota para vós outros. Por que não sofreis antes a injustiça? por que não sofreis antes o dano?» (I Cor. 6:7).

  • O amor (6/6)
«Amarás o teu próximo», vem de Lev. 19:18, e, porque ali há alusão específica aos «filhos do teu povo» (Israel), as autoridades religiosas haviam acrescentado a outra metade: «Odiarás o teu inimigo». A lei, de modo geral, proibia aos judeus que se odiassem uns aos outros, sendo provável que o «inimigo» fosse sinônimo de gentio.

Amai os vossos inimigos*. Poderíamos compreender estas palavras se elas fossem «Não detestai os vossos inimigos»; mas a ideia de amarmos os nossos inimigos é por demais elevada. Jesus não permite o ódio em quem quer que seja. O ódio, em si, não é humano. Jesus mostra, neste passo, que—a lei do amor—é a lei mais importante (Luc. 10:27), e que o amor a Deus implica em amor aos homens. Nada há de mais elevado que o crente possa fazer, para imitar a Deus, do que amar aos seus inimigos.

É importante notar que o clímax da experiência humana, na imitação de Deus, é o amor. Jesus mesmo ensinou isso: «O meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei» (João 15:12). Paulo expressa a ideia destes versículos da seguinte maneira: «O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor» (Rom. 13:10). O amor, portanto, é o caminho mais rápido para Deus.

Que nenhum destes menores mandamentos seja “rasgado”, pois um está relacionado ao outro. Que possamos cumprir cada um, e assim, ensiná-los. Há uma preciosa promessa para quem assim o faz, “será chamado grande no Reino dos céus” (Mt 5.19).

Que o Santo Espírito nos ajude. Amém.



Fonte de pesquisa:
Champlin, Russell Norman, 1933 - O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo: Volume 1: Artigos introdutórios, Mateus, Marcos / Russell Norman Champlin. São Paulo: Hagnos, 2002.

terça-feira, 3 de maio de 2022

A angústia e os esconderijos da caverna, espinhais, penhascos, fortificações e covas (1Sm 13.6)


Vendo, pois, os homens de Israel que estavam em angústia (porque o povo estava apertado), o povo se escondeu pelas cavernas, e pelos espinhais, e pelos penhascos, e pelas fortificações, e pelas covas (1Sm 13.6)


O primeiro rei de Israel é fruto da oração do povo de Deus. Um líder levantado em resposta aos pedidos dos israelitas por um rei. Um rei que reflete um povo e um povo que reflete seu rei. A ascensão e rápido declínio de Saul também ocorre com os hebreus. Um primeiro ano de ascensão e um segundo de decadência. Típica história de quem começa muito bem, mas não permanece tão bem assim. Que o Espírito fale conosco o quanto precisamos permanecer com uma história constante na presença de Deus.

Saul tem seu início nas escrituras numa busca pelos animais de sua família. Um jovem que realmente honra seu pai. Mostra-se também temente a Deus e ao profeta de sua época, não querendo se apresentar a Samuel de mãos vazias. Ouvindo a grande promessa do Senhor sobre sua vida, Saul responde com humildade e simplicidade. Após ungido, o Espírito de Deus se apodera dele e logo começa a profetizar e é transformado num outro homem. Recebe do profeta o selo de confiança divino “Deus é contigo”. Ao ouvir o desprezo dos filhos de Belial, se faz como surdo. Um início realmente promissor. Até que chegou o segundo ano de seu reinado.

No seu segundo ano de reino, Saul e Israel foram provados e amargamente reprovados. Ao se verem diante de milhares de soldados filisteus, Israel se esconde, enquanto que Saul se precipita e é reprovado diante do Senhor. Na primeira prova, a angústia e a ansiedade falaram mais alto, levando à ruína uma história tão promissora.

A angústia levou os israelitas a se esconderem em cavernas, espinhais, penhascos, fortificações e covas. Repare em cada um desses esconderijos e permita que o Senhor fale contigo:

  • Cavernas
Primeiro e mais frequente local de esconderijo. Angustiado, Elias também se escondeu numa caverna. A angústia não tratada é como um passaporte para que humildes servos do Senhor se escondam do resto do mundo numa caverna. Ali, o crente não consegue ver ninguém, fica isolado e distante de todos. Enquanto não volta pro começo, o crente não enxerga a luz e nem a saída. Na caverna do isolamento, a única saída é voltar ao início. Assim, como a voz do Senhor guiou Elias para fora da caverna, que o Espírito de Cristo guie seus humildes servos, que interromperam sua caminhada pela angústia, para a sua luz, um recomeço e um tempo novo.

  • Espinhais
O espinho tem seu início no juízo que Deus derramou sobre a terra em consequência à desobediência do homem. Foi uma maldição lançada em resposta ao pecado. Cristo, Senhor nosso, tem sua cabeça perfurada por uma coroa de espinhos na sua crucificação. Os espinhais foram colocados na cabeça do nosso mestre. Pensar nisso, é como se os espinhos da maldição permeiem a mente da pessoa quando vêm tempos de angústias. Em formas de pensamentos destrutivos, a angústia tenta minar as forças do servo do Senhor. É como se a mente estivesse sendo perfurada por dores de palavras negativas antigas.Há momentos assim, em que a mente fica tão bombardeada por opressões que a caminhada da fé sofre uma pausa. Que o Santo Espírito sopre um renovo em nossa mente, nos fazendo lembrar que o Nosso Cristo já levou esses espinhos sobre si para a cruz. Por Cristo, já estamos livres dos espinhais atormentadores de pensamentos.

  • Penhascos
A angústia pode levar alguns a chegarem bem perto do perigo. O penhasco é belo de ser visto, mas perigoso e propício para quedas. Momentos angustiosos tendem a direcionar a visão do crente para outras direções, aproximando seus pés (e olhar) para aquilo que enche os olhos, mas que fica a um passo do desastre. Que o Espírito revele a cada um o perigo dos penhascos da vida!

  • Fortificações
Local de esconderijo de corações angustiados. Por fora é uma fortaleza, enquanto que por dentro a angústia é quem dita as regras. São pessoas que acham que não vale a pena contar pra ninguém sobre suas angústias. Não confiam em mais ninguém, sendo melhor passar a impressão de força, mesmo tendo seu interior dilacerado. É certo que nem todos podem ouvir seus desabafos, mas certamente o Senhor, misericordioso que é, sempre levanta um bom samaritano para estender as mãos para ti.

  • Covas
Nesse último esconderijo, temos o pior local para o crente estar. É quando a angústia conduziu o crente à morte espiritual. Local em que a história parece que realmente chegou ao fim. É quando o inimigo coloca o ponto final numa grande e promissora história. Ainda bem que a Palavra menciona um certo domingo de páscoa, onde uma certa cova ficou vazia. A ressurreição de Jesus é a esperança para o ministério arruinado. Oro para que a vida de Jesus ressurreto levante os Lázaros escondidos em covas da angústia.

Enquanto que a angústia fez os israelitas se esconderem, a ansiedade fez Saul se comprometer diante de Samuel. A angústia do povo e a ansiedade de Saul interromperam a grande história do primeiro rei de Israel.

A ansiedade fez Saul:
  • Pensar que tinha perdido seu povo.
  • Acreditar que o socorro de Samuel não viria em tempo hábil.
  • Ver o inimigo mais perto do que realmente estava.
Em momentos em que a ansiedade bate à porta, como ocorreu em Saul, precisamos dar ouvidos ao Espírito que suavemente nos ensina que:
  • Antes do povo e de qualquer pessoa, não podemos perder a presença do Senhor. Como Moisés orou “Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui” (Êx 33.15), precisamos ter nossa dependência exclusivamente no socorro e agir do Senhor.
  • Por mais demorado que às vezes pareça, o socorro do Senhor nunca se atrasa. Precisamos aprender o mistério de Habacuque 3.17-18 “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.”
  • Em 1Pe 5.8, vemos que o inimigo está mesmo ao nosso derredor, rugindo e buscando a quem possa tragar. O rugido do leão marca seu território. Pelo rugido, o leão oponente reconhece a saúde e a força do dominante. Percebendo que é mais forte, o oponente então o desafia para tomar seu território. É preciso que o rugido do Leão da Tribo de Judá seja levantado em nosso coração. Isso é impeditivo para que o nosso oponente avance contra nós. Lembre-se que o inimigo está à distância do som do Leão da Tribo de Judá rugindo dentro de você.

Por fim, apresento seis conselhos para quem luta contra a angústia e ansiedade:
  1. Renove sua mente com versículos apropriados. Faça um pequeno estudo e memorize aqueles versículos que apontam para seu problema. Em momentos de prova, esses versículos serão levantados dentro de você pelo próprio Espírito, e sua mente será renovada. A Palavra ainda é viva e eficaz!
  2. Faça uma lista do que te deixa angustiado e/ou ansioso. Aquilo que você pode resolver, então resolva. Aquilo que você não pode resolver, coloque nas mãos do Senhor e confie!
  3. Quando o gatilho da angústia e/ou ansiedade disparar, tente métodos diferentes para se acalmar. Receba oração de alguém, saia e faça uma oração enquanto caminha, ouça e cante alto um louvor, escreva e descreva o que você sente… são alguns exemplos que você pode fazer para mudar o foco da sua mente.
  4. Escreva o que aconteceu antes de você ficar ansioso ou angustiado. Assim você poderá conhecer seus gatilhos e poderá evitá-los ou melhor aplicar sua lista de métodos para se acalmar.
  5. Aprende a confiar em Deus, passando tempo com Ele. Esse momento deve ser constante, prazeroso, renovador, intenso… invista parte de seu dia para estar a sós com Deus.
  6. Faça a obra do Senhor e isso ocupará sua mente. Não espere ser chamado, se ofereça e coloque seu chamado em movimento.


Que Deus te abençoe grandemente!


Pr Erisvaldo Pinheiro Lima
Ministrado em Maio de 2022
Igreja Santuário do Altíssimo

sexta-feira, 29 de abril de 2022

As bem-aventuranças (Mt 5)

 




Mateus 5: As bem-aventuranças


Do hebraico ashrê, que significa quão feliz ou uma felicidade visível.


Jesus inicia seu ensino pontuando sobre alegria. Um conceito novo de ser feliz. Os bem aventurados aqui são aqueles que são felizes sobre o ponto de vista de Deus. É uma felicidade aos olhos do Senhor.


  • Temos 9 bem-aventuranças, sendo:
7 características do bem aventurado:

  1. pobre/humilde de espírito
  2. choram
  3. mansos
  4. sede de justiça
  5. misericordiosos
  6. limpos de coração
  7. pacificadores

b) 2 consequências de ser bem-aventurado:


  1. perseguição
  2. injuriarem


Todas as 7 características do bem aventurado apontam para o próprio Cristo, repare:


As características de humilde no espírito, manso e limpos de coração, vemos em Mt 11.29, quando o nosso Senhor se descreve como “sou manso e humilde de coração”.


Choram - Cristo não era do tipo durão e sério. Pelo contrário, o vemos em momentos de choro com frequência nos Evangelhos. Ao ver o choro das irmãs de Lázaro (Jo 11), ao liberar a palavra profética da destruição de Jerusalém (Lc 19) e, com muita intensidade, no Getsêmani (Mt 26).


Sede de Justiça e misericordiosos - vemos em Salmos 85.10, um encontro (beijo) entre a misericórdia e a verdade, a justiça e a paz. A dureza e a leveza divina juntas. Encontro esse, que ocorreu no calvário, na pessoa de Jesus Cristo!


E por último, os pacificadores. Em Isaías 9.6, nosso Senhor é nomeado Príncipe da Paz. Ele é o principal pacificador. Por isso ele disse “deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou” (Jo 14.27), ou seja, ele nos deixa sua paz e também nos dá sua paz. Sua paz está em nós, pois ele a deixou conosco. Mas há momentos em que nossa humanidade grita alto e parece que não a temos, então, bondosamente o Senhor nos socorre, dando sua paz.


Vamos às promessas. São nove promessas valiosas. A oitava, porém, é a mesma da primeira, e a última é um resumo de todas. Ficamos com 7 características do bem aventurado, acompanhadas de 7 grandes promessas, que também apontam para Cristo:



  1. deles é o Reino
  2. consolados
  3. herdarão a terra
  4. fartos (de justiça)
  5. alcançarão misericórdia
  6. verão a Deus
  7. chamados filhos de Deus
  1. deles é o Reino (Igual à primeira promessa)
  2. grande galardão no céu (Resumo de todas as promessas)


Todas as promessas se cumprem em Cristo. No seu primeiro discurso, Ele anuncia seu reino (Mt 4.17).
Nas instruções do Cenáculo, Ele promete o “outro consolador” (Jo 14.16). A palavra grega aqui é parakletos, que também aparece sendo atribuída ao próprio Jesus em 1Jo 2.1.
Toda a terra é do Senhor por herança, pois Ele disse que “é-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mt 28.18).
Nosso Senhor é farto em justiça, pois a Palavra declara que “julga e peleja com justiça” (Ap 19.11).
Alcançou a máxima misericórdia do Pai, quando “Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo nome” (Fp 2.8).
Não apenas viu a Deus, mas também ressuscitou e se assentou à direita de Deus Pai (Ef 1.20-23).
Em seu batismo, Jesus foi chamado pelo Pai de “meu filho amado” (Lc 3.22).



Todas as promessas são de Cristo, que graciosamente ora ao Pai pedindo que “onde eu estiver, também eles estejam comigo” (Jo 17.24). Nosso bem-aventurado Senhor recebe todas as promessas do Pai, e faz questão que seus discípulos estejam com Ele “para que vejam a minha glória que me deste”.


Aquele que anda com Cristo é, de fato, um bem-aventurado. Bem-aventurados os que vivem com Jesus Cristo, o nosso Senhor das bem-aventuranças.





Erisvaldo Pinheiro Lima
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