segunda-feira, 15 de junho de 2015

O esconderijo do Altíssimo



O esconderijo do Altíssimo (Salmo 91)


Embora este salmo não mencione seu autor, muitos estudiosos acreditam que Moisés o escreveu. Spurgeon, o príncipe dos pregadores, cita “Os doutores judaicos consideram que, quando o nome do autor não é mencionado, podemos atribuir o salmo ao último escritor nomeado; e, se for assim, este é outro salmo de Moisés, o homem de Deus”. Se assim for, todas as declarações feitas na tentação de Cristo pelo diabo no deserto foram extraídos de escritos de Moisés.


Pensando que foi Moisés que o escreveu, deve ter sido em sua peregrinação no deserto. Onde enfrentou diversas aflições e perseguições, mas foi onde testemunhou homens que confiavam em Deus, como Josué e Calebe, terem mil caídos em seu lado e dez mil à tua direita e não serem atingidos.


O confiante salmista conhece dois segredos do Senhor


1- O Altíssimo tem um esconderijo!
Esconderijo é o lugar criado para se esconder de algo ou de alguém. Isso nos leva a pensar, Deus se esconde?


Is 45.15 “verdadeiramente tu és um Deus que se esconde, ó Deus e Salvador de Israel”


Esta declaração está inserida num contexto de profundas e formidáveis promessas feitas à Israel, que estava aflito e perseguido. “Israel será salvo pelo Senhor com uma salvação eterna”. O momento presente era de aflição, a visão era de um Deus que se esconde, mas o apelo é de confiar na salvação prometida.


Como podemos confiar (descansar) vendo em volta tanta situação difícil e olhar para Deus e vê-lo escondido?


O confiante salmista ensina seu segredo. Ele habita no esconderijo do Altíssimo.  No momento que Deus se esconde, o salmista faz desse esconderijo sua habitação.


2- O onipotente projeta uma sombra!
O lugar escolhido não poderia ser um lugar melhor, à sombra do Onipotente!
O apóstolo João diz que Deus é luz (1Jo 1.5), e na sua visão do Apocalipse, ele descreve o Cristo glorioso tendo em sua cabeça vários pontos de luz (olhos como chama de fogo), enquanto que seus pés como semelhantes a latão reluzente, assim, podemos imaginar onde seria sua sombra. Talvez debaixo de seus próprios pés. Assim, esse confiante salmista encontra descanso estando junto aos pés daquele que ele chama de Onipotente.


Isso é glorioso. Entrando no esconderijo do Senhor, e se prostrando até às sombras de seus pés… nesse momento, a sombra do Onipotente o cobre e o salmista fica escondido nEle. Você não aparece e também não é atingido. Tudo o que sua aflição pode visualizar é o Altíssimo e o Onipotente. Nenhuma aflição é mais alta que o Altíssimo e, do mesmo modo, nenhuma perseguição é mais forte que o Onipotente. Nessas condições, sim, você pode descansar!


O confiante salmista diz do Senhor:
“Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei”


O intercessor
Aqui, o salmo segue como numa intercessão feita como que por outra pessoa. Gosto de pensar que é feita pelo próprio Cristo, e isso torna o Salmo 91 ainda mais profundo, um salmo profético da ação intercessora do nosso Senhor Jesus


Em Rm 8.34 diz “quem os condenará? Pois é Cristo que morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós”
Este versículo de Romanos condiz muito com o texto do Salmo 91. A pergunta levantada quem os condenará? resume toda perseguição que o confiante salmista recebe por se refugiar no esconderijo do Altíssimo. O Senhor Jesus, à direita de Deus, intercede por nós, em meio às aflições e perseguições.


O intercessor conhece as perseguições do salmista:
  • Laço do passarinheiro:
  • espanto noturno
  • seta que voe de dia
  • peste que ande na escuridão
  • mortandade que assole ao meio dia

Se são demônios (anjos caídos), o salmista está confiante pois o Altíssimo dará ordem aos seus anjos a teu respeito. E esses anjos mandados pelo Senhor te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra. Tudo que esses demônios podem fazer contra esse salmista é jogar pedras para ele tropece e caia.


A intercessão conclui afirmando que o confiante salmista pisará o leão e a áspide.


Esse leão é citado pelo Apóstolo Pedro:
Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar (1Pe 5.8)


E essa áspide (víbora) é citado em Apocalipse
E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente chamada o diabo e Satanás, que engana todo mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele (Ap 12.9)

Dessa forma, fica claro que o leão e a áspide se referem ao diabo, enquanto que o filho do leão e a serpente, fazem alusão aos anjos caídos. De qualquer forma, o intercessor promete que o salmista pisará em todos!


A resposta


Intercessão é atendida. O motivo do livramento divino foi que tão encarecidamente me amou. O Altíssimo que até agora estava em silêncio, faz sua decisão final. Ele testifica que o salmista, apesar de tantas aflições e perseguições, encarecidamente o amou. Por isso, promete livrá-lo. Ainda, o livramento é acompanhado com a honra de ser colocado num alto retiro.


A resposta continua com uma exortação acompanhada de uma promessa. O salmista invocará e será respondido. Há a necessidade de invocarmos. E há a promessa da resposta. Na angústia não estaremos sozinhos. Seremos livrados e glorificados com abundância de dias. E por fim, a resposta encerra com a promessa de o próprio Senhor nos mostrando a sua salvação.


Veja que de todas promessas, aquela que fecha este poderoso salmo, como num ápice, é o Senhor mostrando a sua salvação. Oro, que não seja eu, que seja o próprio Espírito do Senhor a te mostrar sua salvação:


Somente no Evangelho de Lucas o Espírito inspirando seus escritos sobre a salvação:

  • 1.68-70 Bendito o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e remiu seu povo! E nos levantou uma salvação poderosa da casa de Davi. Para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos aborrecem. (Zacarias ouviu sobre a salvação)
  • 2.29-30 Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois os meus olhos viram a tua salvação (Simeão viu com seus olhos a salvação)
  • 3.6 E toda carne verá a salvação de Israel (João Batista preparou o caminho para a salvação)
  • 19.9 Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. (Jesus Cristo é a salvação)


Que a segurança do Altíssimo e a sombra do Onipotente te levante.
Bispo Erisvaldo Pinheiro (palavra ministrada em 14 de Junho de 2015)
Comunidade Evangélica Arca da Aliança



Fontes de apoio:


C.H. Spurgeon - Esborços Bíblicos de Salmos. Editora: Shedd Publicações
Charles F. Pfeiffer - Comentário Bíblico Moody. Volume 2. Editora Batista Regular.
Bíblia de Estudos Dake. Editora Atos

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sete pecados capitais que impedem a prosperidade




Há quem acredite que é errado prosperar ou enriquecer. No Brasil, por fatores históricos e culturais, somados a erros de interpretação da Bíblia, existe certo preconceito contra a riqueza. Isso se chama teologia da miséria. Está na hora de mudar essa mentalidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, a mentalidade cristã é de que, com trabalho e a benção de Deus, é possível mudar de vida.


Por outro lado, devemos evitar os erros da teologia da prosperidade. Acreditar que Deus tem a obrigação de dar bênçãos e riquezas a quem frequenta a igreja ou faz ofertas generosas é, no mínimo, falsificar a palavra de Deus.

A Bíblia deve ser nossa fonte de posicionamento e de mudança interior. Nosso mundo exterior, seja em qualquer área de nossa vida, será afetado pelo nosso mundo interior. 



Listaremos os erros mais comuns que cometemos em relação às finanças. Para quem almeja melhorar de vida, oferecendo o melhor para sua família e, ainda,  contribuir para a obra do Senhor, deve conhecer esses sete pecados capitais:


1- O pecado da pressa “quem tenta enriquecer depressa não ficará sem castigo” (Pv 28.20)
  • Desenvolva a paciência
  • Aproveite o que pode parecer uma “demora” para adquirir mais conhecimento e experiência.
  • Lembre-se de que a direção correta é mais importante que a velocidade


2- O pecado da avareza “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; nessa cobiça alguns (...) se transpassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6.10)
  • O dinheiro deve ser um escravo, e nunca um senhor (Mt 6.24-27)
  • Não encare o dinheiro como prioridade da sua vida
  • Não tente prosperar de qualquer maneira, valendo-se de atitude desonestas


3- O pecado da falta de prazer no trabalho “Regozijai-vos sempre” (1Ts 5.16)
  • Mas nasce o sol, (...) o homem sai para o seu trabalho. E para sua ocupação até a tarde (Sl 104.22-23)
  • Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também (Jo 5.17)
  • Pense no valor do seu trabalho para se sentir mais estimulado. Se você lida com pessoas, pense no bom serviço que pode lhes prestar e em como isso facilitará a vida deles. Imagine a satisfação do consumidor com aquilo que você ajuda a produzir.
  • Todo trabalho traz algum proveito e aprendizado e, cedo ou tarde, as oportunidades vão surgir.


4- O pecado da ira contra a riqueza “Abrão era muito rico em gado, em prata e em ouro” (Gn 13.2)
  • Tenha como modelo e fonte de inspiração pessoas prósperas e de sucesso que merecem sua admiração, por serem competentes, honestas, trabalhadoras e generosas.
  • Não tenha vergonha de querer melhorar de vida
  • Livre-se da mentalidade de que é mais honrado ser pobre do que rico.
  • Visualise todas as coisas boas que você poderá proporcionar a si mesmo e aos outros ao prosperar.


5- O pecado da inveja e da cobiça “O invejoso é ávido por riquezas, e não percebe que a pobreza o aguarda” (Pv 28.22)
  • Um dos maiores obstáculos ao sucesso é ficar competindo com os outros e invejando o que têm, em vez de batalhar pelos próprios sonhos.
  • Comemore sinceramente quando alguém melhorar de vida e tome isso como exemplo e fonte de motivação.
  • Abençoe aquilo que você quer


6- O pecado da preguiça “A preguiça faz cair em profundo sono; e o ocioso padecerá fome” (Pv 19.15)
  • Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não tem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento. Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará de seu sono? Tirando uma soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços para descansar, a sua pobreza o surpreenderá como um assaltante, e sua necessidade lhe virá como  um homem armado (Pv 6)
  • O problema das pessoas é que querem vitória, mas não querem semear, não querem ajudar os outros. Todas vez que queremos ir mais alto, nossa carne deve ir mais baixo. Deus não quer que sejamos um bando de crianças mimadas
  • Comece a se disciplinar. Monte um planejamento que defina ações e prazos, e cumpra-o.
  • Não fique esperando as oportunidades caírem do céu, mãos à obra.
  • Sonhe e realize!


7- O pecado do orgulho “Antes da sua queda o coração do homem se envaidece, mas a humildade antecede a honra” (Pv 18.12)

  • É preciso estar disposto a servir para ser um grande líder.
  • Pense que você tem muito mais a ganhar sendo humilde do que arrogante.
  • Valorize e respeite as pessoas que trabalham com e para você.
  • Nunca se esqueça de que você pode estar por cima hoje e por baixo amanhã.

Não há nada de errado no desejo de melhorar de vida. Acredito, com base no que já testemunhamos, que o dinheiro não muda ninguém, ele apenas realça aquilo que você já é. O dinheiro faz com que o soberbo seja mais soberbo, e faz com que o humilde seja ainda mais humilde. O dinheiro faz com que o ganancioso seja ainda mais ganancioso, e o generoso, ainda mais generoso. Assim, Bíblia deve ser nosso manual de transformação diária de nosso interior, como disse o venerável ganhador de almas, Billy Graham:

Estude a Bíblia para ser sábio, creia nela para ser salvo, siga os seus preceitos para ser santo.

Fonte de apoio:
  • As 25 leis bíblicas do sucesso / Willian Douglas e Rubens Teixeira; Editora Sextante, 2012.

Bispo Erisvaldo Pinheiro
Palavra ministrada em 07 de Junho de 2015
Comunidade Evangélica Arca da Aliança (Templo de Samambaia Sul/DF)

domingo, 5 de abril de 2015

Escola de Profetas: O Evangelho segundo Lucas (7ª aula)




Escola de Profetas: O Evangelho segundo Lucas       (7ª aula)

Lucas é o único escritor gentio da Bíblia. Seus escritos (Evangelho + Atos) compreendem mais de um quarto do Novo Testamento. Sendo este evangelho o mais extenso livro, com 96 páginas (Mt tem 87). Era obreiro de Paulo (Cl 4.14, 2Tm 4.11, Fm 24, At 21.17). Por ser um pesquisador, temos no Evangelho de Lucas o mais rico relato da infância de Jesus (Lc 1-2).
Palestina-tempo-de-Jesus.jpg

O Evangelho segundo escreveu Lucas pode ser dividido assim:


  • O ministério de Cristo na Galiléia (4.14 - 9.50)

  • O ministério durante a viagem final à Jerusalém (9.51 - 19.27)

  • A semana da paixão (19.28 - 24.43)  






É o Evangelho dos marginalizados. Ilustres desconhecidos tem suas histórias registradas somente aqui: Zacarias, Isabel e Maria, Simeão e Ana, Zaqueu, as seguidoras de Jesus, os condenados crucificados ao lado de Jesus. 

A marca de Lucas pode ser percebida comparando estas bem aventuranças:

  • Mt 5 “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”
  • Lc 6 “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus”

Na bem aventurança descrita por Mateus, a ênfase é os pobres de espírito. Uma vez que o público de Mateus era de judeus, essa bem aventurança tinha a intenção de quebrar o orgulho judeu. No caso de Lucas, seu público era de marginalizados. O médico amado escreveu para pessoas discriminadas e humilhadas. Por isso, essas pobres pessoas eram consoladas por essa bem aventurança. Bem aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Mateus usou deles e Lucas usou vós. O público orgulhoso de espírito não pode herdar o Reino. Mas o público humilde e esquecido pelas pessoas, são lembradas pelo Senhor do Reino. Lembrados e herdam o Reino. É uma mensagem acalentadora.

O Evangelho de Lucas nos prova que aqueles que são esquecidos, são lembrados por Deus. Os marginalizados são honrados e colocados no caminho de nosso Senhor Jesus. Até mesmos os condenados na cruz, aqui ganham uma oportunidade. Sentenciados à morte, são convidados ao paraíso! 


Fontes de pesquisas:

  • O Ministério da Palavra de Deus - Watchman Nee -  Editora Clássicos 
  • Bíblia de Estudo Pentecostal - Editora CPAD 
  • Novo Dicionário Bíblico- Jhon Davis - Ed Hagnos

Bp Erisvaldo Pinheiro Lima
Comunidade Evangélica Arca da Aliança
Ministrado em Novembro de 2014

domingo, 29 de março de 2015

Batalha espiritual: a comissão e o valente


Ninguém pode roubar os bens do valente, entrando-lhe em sua casa, se primeiro não manietar o valente; e, então, roubará sua casa. (Mc 3.13)

A parábola do valente é um ensino poderoso para o cristão. Neste texto, Jesus usa figuras de linguagem. O valente corresponde o diabo. A casa corresponde o mundo ou o coração das pessoas que estão no mundo (Mt 12.43-45, 1 João 5:19). Os bens do valente correspondem a tudo aquilo que está sob domínio do inimigo, seja lugares, ou principalmente, pessoas. Antes de roubar esses bens do valente, ele precisar ser manietado (subjugado, dominado, amarrado). Para fazermos missões, evangelismos e prosseguir enquanto igreja que incomoda o inimigo, precisamos entender esse ensino.

Para entendermos a profundidade dessa parábola, precisamos voltar um pouco no capítulo 3 do Evangelho que escreveu Marcos. Reflita:


  • A comissão

Voltemos ao versículo 13 em diante. Jesus ora uma noite inteira num monte para a escolha dos doze (Lc 6.12-13). Escolhas requerem intensas orações. O Senhor Jesus chamou para si os que ele quis. Eles teriam uma missão. Seriam comissionados a desempenhar uma valiosa obra. O Senhor nomeou doze:

1- Para que estivessem com ele;
2- E os mandasse pregar;
3- E para que tivessem poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios.

Aqueles doze foram comissionados pelo Senhor Jesus para esta missão. Primeiro, eles deveriam estar com Jesus. Antes do segundo ou terceiro tópico, antes de mais nada, precisariam estar com o Senhor. Precisamos estar atentos a isso. Esta comissão é urgente nos dias de hoje. Homens e mulheres ainda continuam sendo comissionados. A igreja é comissionada. Mas antes, devemos estar com o Senhor Jesus. Mais perto. Mais junto. Mais santificados. Mais provados e quebrantados. Mais perto do Senhor.

E aí sim, estando perto dEle, pregaremos o Evangelho que tem poder para salvar (Rm 1.16). E teremos poder para curar enfermidades e expulsar demônios. 

  • As provações

Na sequência do texto, vemos que Jesus e seus doze foram para uma casa. E ali já iniciou as provações. Imagino a emoção daqueles doze quando o Senhor os chamou pelo nome. Alegria e honra deveriam estar no corações deles. Imagino até uma euforia por parte deles. Mas nos primeiros passos depois da nomeação, já vieram fortes provações. Aqui entendemos o porquê que antes de tudo, eles deveriam estar perto do Senhor Jesus. 

Uma multidão afluiu naquela casa de tal modo que não puderam comer o pão. Isso é significativo. Quem está na comissão de Jesus vai passar por isso. São dias em que provaremos a euforia e a prova. São dias em que sequer poderemos comer o pão. O pão simboliza força e provisão. São momentos em que os comissionados não terão força. São dias em que a provisão será cortada. Venceremos dias assim somente se estivermos perto dEle!

Como se não fosse pouco, os próprios parentes começaram a dizer certas coisas. Está fora de si, diziam. Comissionados escutam esse tipo de coisa de pessoas que menos se espera. E mais, os parentes falaram isso e ainda saíram para o prender. 

E para completar as provações, vieram os escribas. Tem Belzebu e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios, acusaram. Acusações falsas e blasfêmias... Junte isso com as falas dos parentes e a multidão que fez cessar o pão, e teremos um vislumbre do caminho apertado que percorre os que foram nomeados. Jesus sabia que seus escolhidos passariam por isso, e antes de tudo pediu para que estivessem com ele. 

  • O valente

Foi nesse contexto que o Senhor Jesus chamou seus escolhidos e ministrou esse poderoso ensino sobre o valente. Não se esqueça da sequência. Primeiro, Jesus nomeou e comissionou aqueles que ele quis. Depois disso, vieram as provações. A multidão levantada, o pão foi cortado cortado, os parentes falando, e os escribas acusando. É aí que Jesus libera uma forte explicação sobre esse combate espiritual que seus comissionados enfrentariam. Vejam:

Jesus explica que o reino das trevas não está dividido. Satanás não se levanta contra si mesmo. Ele tem uma casa. O mundo é sua casa. Essa casa tem bens. São vidas preciosas aos olhos do Pai. Precisamos saquear esses bens! Mas antes de tudo, precisamos manietar o valente.

Não podemos esquecer do segundo e terceiro tópico da comissão. Pregar, ter poder para curar enfermidades e expulsar demônios. Isso é explicado na parábola do valente:

1- O Senhor Jesus nos dá poder para entrar na casa do valente. 
2- O Senhor Jesus nos dá poder para manietar o valente.
3- O Senhor Jesus nos dá poder para saquear os bens do valente.

Estando perto do Senhor Jesus (e não podemos esquecer disso!), pregamos o Evangelho. Isso envolve uma verdadeira batalha espiritual. Uma pessoa liberta é um bem a menos na casa do valente. Pelo nome de Jesus manietamos o valente. Pregamos e combatemos o valente. Evangelizamos e entramos na casa do valente. Avançamos na comissão e saqueamos seus bens. No terceiro capítulo de Marcos, nosso Senhor Jesus comissionou doze discípulos. Hoje, ele chama você!




Que o Deus de paz esmague Satanás, bem debaixo de nossos pés (Rm 16.20)!
Bispo Erisvaldo Pinheiro
Comunidade Evangélica Arca da Aliança.
Palavra ministrada em 20 de Março de 2015.


Fontes de pesquisas:


  • Bíblia de Estudo Pentecostal - Editora CPAD 

domingo, 22 de março de 2015

Atraídos pelo Senhor



Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração.
E lhe darei as suas vinhas dali e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias da sua mocidade e como no dia em que subiu da terra do Egito. (Oséias 2.14-15)


O livro do profeta Oséias é um dos livros mais surpreendentes da Bíblia. Narra a história de um relacionamento entre um esposo apaixonado e uma esposa infiel. Esse relacionamento tipifica a relação entre o Senhor e Israel, seu povo. No Velho Testamento, o relacionamento entre Deus e seu povo é tipificado pela aliança matrimonial. Deus, como o esposo apaixonado, e Israel, a esposa infiel (confira Ezequiel 16:8-14) No Novo Testamento ocorre uma mudança de relacionamento. A aliança recorrente é a de noivado. A Igreja, sendo a noiva adornada, a o Senhor Jesus, como o noivo que está preparando o lugar na mansão do Pai para sua noiva (Ef 5:25-27,32; Ap 21:2-3, Jo 14.2-3).


Essa diferença de relacionamento é muito importante. No capítulo onze da carta que Paulo escreveu aos romanos podemos encontrar uma explicação para esses dois tipos de aliança. Israel é tipificado por uma oliveira e nós, os gentis, por um zambujeiro. Ao se tornar participante da salvação pela fé em Jesus Cristo, somos enxertados na oliveira. Somos um galho enxertado na oliveira. Essa diferença me causa temor! Caso não produzo frutos, posso ser cortado dessa oliveira e ser lançado no fogo (Jo 15.5)! Isso é coerente com a aliança de noivado, valiosíssima, porém, pode ser quebrada!



Por outro lado, o Novo testamento abre um outro tipo de relacionamento ainda. Um relacionamento ainda mais excelente. O Senhor Jesus se relaciona com Deus como Pai e Filho. E nos ensina a fazer o mesmo (Mt 6.9). Veja que esse relacionamento é inquebrável! Não pode existir um ex-pai ou um ex-filho... através da fé no Senhor Jesus, nos relacionamos com Deus com uma aliança ainda mais poderosa, onde não há distinção entre judeu ou gentio, a aliança de sangue, de Pai e filhos!



  • Atrairei
Esses tipos de relacionamento nos mostra o quanto Deus ama seu povo. No versículo lido, O Senhor começa sua sentença dizendo que "eu a atrairei". O povo de Deus, aqui sendo tipificado pela amada, será atraído pelo próprio Deus para mais perto dEle. Isso mostra que essa pessoa não está tão próxima o quanto poderia estar. Mostra que essa pessoa pode estar distante ou até mesmo fora da posição ideal. Mas o amor de Deus é forte o suficiente para atrair essa pessoa para mais perto de sua santidade e presença! Precisamos disso! Precisamos ser atraídos para mais perto de Deus. Talvez pela pouca força, ou pelas tribulações da caminhada, não estamos no lugar que deveríamos estar, mas Deus promete aqui que vai atrair os seus para perto dEle. 

  • E levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração
Deus declara seu propósito de remover seu povo de onde está para levá-lo ao solitário deserto. Isso é necessário, pois no deserto, sua amada não se distrai e pode ouvir a voz de Deus em seu coração. Lembre-se que na primeira vez que Deus levou seu povo ao deserto, acontecia grandes sinais e prodígios. Aqui, Deus quer levar mais uma vez seu povo ao deserto, mas pretende falar ao coração. Isso aponta para o relacionamento que Ele deseja. Um relacionamento de intimidade e proximidade, sem espetáculos ou manchetes. 

  • E lhe darei as suas vinhas dali
Isso me impressiona. Lembre-se da sequência,  Deus atrai sua amada e a leva ao deserto para falar ao seu coração. E mesmo na escassez do deserto, o Senhor faz brotar vinhas dali! É o tipo de provisão inesperada que só o Senhor pode fazer. Vinhas no deserto! O problema é que alguns querem desfrutar logo dessas vinhas... a sequência ainda é válida. Ser atraído, ser levado ao deserto, ter o coração suficientemente quebrantado, tratado e santificado para ouvir a voz de Deus, e ai sim, as vinhas! Precisamos mesmo aprender essas coisas.

  • Vale de Acor, por porta de esperança
A sequência das promessas é forte. Aqui o Amado vai remover o Vale de Acor de sua amada. Acor significa perturbação e foi o lugar onde Acã morrera como perturbador de Israel (Js 7.25-26)  Aquilo que perturba e atrapalha sua amada será removido. Mais que remover, Deus promete trocar o vale por uma porta. A porta tem um nome, esperança. Deus anuncia o fim do vale e do deserto. Ele mesmo prepara uma porta, uma saída, um escape (1Co 10.13). Deus deseja que sua amada tenha esperança. Mesmo no deserto, ou no vale, uma porta de esperança é preparada pelo Senhor. Uma porta que ninguém pode fechar... Uma porta que é aberta pela fé em Jesus Cristo, que se denominou "eu sou a porta" (Jo 10.9).

  • E cantará 
Deus, aqui tipificado como o esposo aliançado, restaurará o cântico de sua amada. Esse cântico foi silenciado pelos anos de infidelidade. O cântico restaurado será "como nos dias da sua mocidade", ou seja, um cântico com força e vigor. A amada é renovada e cantará como nos dias da mocidade. Oro ao Senhor, que esse renovo se estenda sobre nós!

O cântico restaurado será, ainda, "como no dia em que subiu da terra do Egito". Quando o povo de Deus atravessou o Mar Vermelho, saindo do Egito, cantou uma canção (Êx 15.1-19). Ao deixar adormecer a chama de seu primeiro amor, essa canção de adoração foi cada vez mais se silenciando. Ficamos consolados ao ver aqui nestes dois versículos de Oséias a descrição da Israel de Deus arrependida e restaurada, cantando novamente.

Minha oração é, que sejamos atraídos por Deus, que voltemos a cantar o cântico restaurado do primeiro amor. Deus ama relacionamentos. Deus ama se relacionar com seu povo. Deus ama o cântico de seus filhos. Deus nunca se esqueceu daquele cântico quando seu povo subiu do Egito. Deus guarda na memória, meu querido leitor, os seus cânticos de adoração de quando você saiu do Egito. Deus hoje te atrai, para você cantar, como no primeiro amor. Então, cante pra Ele!


Que a paz de nosso Senhor Jesus repouse sobre ti,
Erisvaldo Pinheiro Lima
Palavra ministrada em 06 de Março de 2014
Comunidade Evangélica Arca da Aliança


Fonte de pesquisa:

  • Comentário Bíblico MOODY. Editado por Charles F. Pfeiffer. Vol 3. Editora Batista Regular do Brasil.

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